
Novos ataques entre Irã e EUA ameaçam trégua e reabertura do Estreito de Ormuz
Após novos bombardeios mútuos, Irão ataca bases dos EUA no Golfo e alerta para paralisação total das negociações de paz.
Na madrugada de domingo, a Guarda Revolucionária do Irão lançou mísseis balísticos e drones contra a base aérea Ali al Salem, no Kuwait, e contra instalações da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, em retaliação aos ataques aéreos americanos da véspera contra alvos militares iranianos. O Kuwait afirmou ter intercetado dois mísseis, sem registo de vítimas, enquanto o Bahrein relatou danos num edifício residencial perto do aeroporto internacional. O novo ciclo de violência coloca em risco o cessar-fogo acordado em 17 de junho e as negociações para uma paz duradoura.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) justificou os bombardeios como uma resposta ao ataque de um drone iraniano contra o petroleiro M/T Kiku, de bandeira panamenha, que transitava no Estreito de Ormuz. “O Irão teve a oportunidade de honrar o acordo de cessar-fogo, mas optou por não o fazer”, afirmou o comando, acrescentando que foram atingidas infraestruturas de vigilância, sistemas de comunicações, baterias antiaéreas, depósitos de drones e equipamento de colocação de minas. O presidente Donald Trump, na sua rede social Truth Social, acusou Teerão de violar repetidamente a trégua e ameaçou “concluir militarmente a missão” iniciada em fevereiro, afirmando que, nesse caso, “a República Islâmica do Irão deixará de existir”.
Por sua vez, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) reivindicou a autoria dos ataques ao Golfo e advertiu, através da televisão estatal Press TV, que a continuação das ações americanas levaria a uma “paralisação total de todos os processos diplomáticos”. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, declarou em Bagdade que qualquer interferência na gestão do Estreito de Ormuz “só conduzirá a mais complicações” e que a reabertura da via navegável cabe exclusivamente ao Irão. Teerão insiste em exercer o controlo soberano sobre o estreito, enquanto Washington e os seus aliados promovem uma rota alternativa ao largo de Omã, apoiada por um organismo marítimo multinacional.
Os confrontos sucedem-se dias depois da assinatura do memorando de entendimento de Islamabade, que previa um período de 60 dias para discutir o programa nuclear iraniano, o levantamento de sanções e a normalização do trânsito no Estreito de Ormuz – por onde, antes da guerra, escoava cerca de um quinto do petróleo e gás mundiais. O acordo fora celebrado como um passo decisivo para pôr fim ao conflito iniciado a 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta dos EUA e de Israel, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e na ascensão do seu filho Mojtaba. A retoma das hostilidades reaviva o risco de uma crise energética global, com impacto nos preços dos combustíveis em economias como a brasileira e a portuguesa.
O Bahrein solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para responsabilizar o Irão, enquanto os combates prosseguem na frente libanesa, com Israel a atacar posições do Hezbollah apesar de um cessar-fogo preliminar. Observadores em Brasília e Lisboa acompanham com preocupação o agravamento da situação, que pode afetar as cadeias de abastecimento e a estabilidade no Médio Oriente. A próxima ronda de conversações, que teria lugar em Genebra segundo fontes diplomáticas, permanece por confirmar, aumentando a incerteza quanto à viabilidade do entendimento alcançado em junho.
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A trégua está à beira do colapso: cada nova retaliação a torna mais frágil. Tanto Washington quanto Teerã alimentam a espiral.
Ao apresentar os ataques como simétricos e recíprocos, cria-se a impressão de uma escalada inevitável e sem fim.
O acordo subsequente entre EUA e Irã para interromper os ataques e se reunir no Catar não é mencionado, o que sugeriria uma desescalada.
Os Estados Unidos têm o direito de responder com força às violações iranianas. O aviso de Trump é claro: novos ataques levarão a uma escalada maior.
Ao enfatizar as ameaças e capacidades de escalada dos EUA, constrói-se uma hierarquia em que os EUA são o ator dominante que impõe as regras.
Não se faz menção ao acordo de cessar-fogo e às próximas negociações, que mostrariam um caminho diplomático.
A diplomacia prevalece: os EUA e o Irã optaram por interromper os ataques e sentar-se à mesa de negociações. O Catar sediará as conversas para resolver a crise.
Ao focar no acordo e nas negociações, a crise é apresentada como solucionável por meio da diplomacia, minimizando a gravidade dos ataques recentes.
Os ataques específicos e as ameaças de Trump não são detalhados, o que destacaria a fragilidade da trégua.
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