
Nome de Trump retirado do Kennedy Center após ordem judicial, mas fachada permanece velada
A remoção das letras metálicas cumpriu a decisão do tribunal, porém uma lona cobre o letreiro original, mantendo a incerteza sobre a conclusão do processo.
A disputa em torno da inscrição do nome de Donald Trump na fachada do John F. Kennedy Center for the Performing Arts, em Washington, conheceu um desfecho parcial e envolto em simbolismo. Depois de uma batalha judicial que opôs o conselho de administração do centro — reconfigurado pelo ex-presidente — a uma decisão federal, as letras metálicas com o nome de Trump foram finalmente removidas no sábado, 14 de junho. O tribunal considerou que apenas o Congresso tem autoridade para alterar a designação do memorial a John F. Kennedy, invalidando a renomeação promovida por aliados de Trump. O diretor-executivo do centro, Charles Matthew Floca, justificou o incumprimento do prazo inicial de 12 de junho com a ocorrência de trovoadas que teriam colocado em risco a segurança dos trabalhadores, mas uma equipa foi observada a concluir a remoção sob chuva, enquanto uma multidão entoava palavras de ordem.
Apesar de o centro ter declarado “cumprimento integral” da ordem judicial, uma enorme lona continua a tapar a fachada, impedindo a visão do letreiro original. A administração, que não revelou quando a cobertura será retirada, mantém assim um véu físico sobre o resultado da operação. A situação gerou críticas e especulações sobre a transparência do processo, com analistas norte-americanos a sublinharem que a ocultação prolongada do nome do presidente assassinado representa uma afronta simbólica à memória institucional.
O episódio foi amplificado pela cobertura mediática, em particular pela transmissão ao vivo de quase onze horas conduzida pelo ex-âncora da CNN Jim Acosta, que comparou a remoção do nome de Trump à queda do Muro de Berlim. A metáfora foi recebida com escárnio nas redes sociais e comentada por observadores internacionais como um exemplo da polarização que marca o debate público nos Estados Unidos. Em Brasília, a polémica ecoa debates recorrentes sobre a renomeação de espaços públicos por decisão unilateral do Executivo, enquanto em Lisboa e em capitais da África lusófona se nota que a disputa ilustra a tensão universal entre o culto à personalidade e a salvaguarda do património memorial.
O que resta visível — uma lona que deixa entrever apenas algumas letras do nome original — funciona como metáfora de um conflito ainda não totalmente resolvido. A pendência sobre o destino da cobertura mantém viva a questão de fundo: até que ponto a atual administração do Kennedy Center, nomeada por Trump, está disposta a restaurar integralmente a identidade do memorial. Enquanto a lona persistir, a fachada continuará a ser, mais do que um tributo a Kennedy, um espelho das fraturas políticas que atravessam a capital norte-americana.
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