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Google perde co-líder do Gemini para OpenAI em novo capítulo da guerra por talentos de IA

Noam Shazeer, coautor do artigo que lançou os Transformers e peça central no regresso da Google à corrida da inteligência artificial, abandona a empresa menos de dois anos após um acordo de 2,7 mil milhões de dólares.

O anúncio foi feito na rede social X com um tom de despedida contido, mas o impacto no setor tecnológico foi imediato. Noam Shazeer, vice-presidente de engenharia da Google e co-líder dos modelos de inteligência artificial Gemini, comunicou a sua saída para a OpenAI, a principal rival na corrida pela IA generativa. “Foi uma decisão difícil”, escreveu, acrescentando que foi “uma honra e um prazer” trabalhar com a equipa da Google. Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, respondeu na mesma plataforma, afirmando que Shazeer era uma das pessoas com quem mais desejara trabalhar desde a fundação da empresa — um objetivo que, segundo Altman, demorou dez anos a concretizar-se.

A movimentação surpreendeu o mercado sobretudo pela cronologia recente. Shazeer trabalhou na Google entre 2000 e 2021, antes de se afastar para fundar a Character.AI, uma startup de chatbots personalizados. Em agosto de 2024, a Google selou um acordo de licenciamento com essa empresa que implicou o regresso do engenheiro e da sua equipa, numa operação avaliada em cerca de 2,7 mil milhões de dólares. Shazeer assumiu então a co-liderança do Gemini, o sistema com que a Google procurava encurtar a distância para o ChatGPT. Agora, menos de dois anos depois, troca novamente Mountain View por São Francisco, levando consigo o capital simbólico de ser coautor do artigo “Attention Is All You Need” (2017), que introduziu a arquitetura de Transformers e é tratado como o momento fundador dos grandes modelos de linguagem modernos.

Na perspetiva norte-americana, a saída é lida como um duro golpe para a Google e um trunfo para a OpenAI, numa fase em que a empresa de Altman se prepara para uma eventual entrada em bolsa. Analistas em Silicon Valley sublinham que a guerra por talentos atingiu um patamar de agressividade inédito, com pacotes de remuneração e influência que tornam obsoletas as antigas cláusulas de não concorrência. Observadores na Ásia, em particular na Índia e na China, notam que a circulação de figuras como Shazeer entre as gigantes tecnológicas reforça a concentração do conhecimento de ponta num número reduzido de polos, desafiando as ambições de autonomia de outras regiões. Na imprensa russa, o episódio é descrito como um “choque” para a Google, enquanto veículos europeus o classificam como um “terramoto” na hierarquia da Silicon Valley.

Para o mundo lusófono, o caso funciona como um alerta sobre a dependência externa na área da inteligência artificial. No Brasil, onde a pesquisa em IA avança em universidades e centros como o CPQD, mas enfrenta uma crónica fuga de cérebros para as big techs, a transferência de Shazeer ilustra a dificuldade de reter especialistas de altíssimo nível fora do eixo EUA-China. Em Portugal, com um ecossistema de startups em crescimento e a aplicação do AI Act europeu, observadores em Lisboa notam que a concentração de talento em meia dúzia de empresas pode limitar a diversidade de abordagens e acentuar assimetrias regulatórias. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, ainda em fase de construção de infraestruturas digitais, a notícia sublinha o risco de um fosso cada vez maior no acesso às tecnologias que estão a redefinir a economia global.

O futuro imediato do Gemini sem Shazeer é uma incógnita, mas a Google dispõe de uma reserva profunda de investigadores. Já a OpenAI ganha um arquiteto dos modelos que ajudaram a popularizar a IA generativa, precisamente quando procura diversificar receitas e justificar avaliações astronómicas. A pergunta que fica, da perspetiva de Brasília a Luanda, é se esta dança de contratações bilionárias acelera a inovação ou apenas consolida um oligopólio global da inteligência artificial, deixando poucas margens para que outros projetos floresçam fora do circuito restrito das gigantes californianas.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa indiana e sudasiaticaStampa atlantica / anglosfera
Stampa indiana e sudasiatica
pragmatismoironia

Noam Shazeer, co-líder do Gemini do Google, trocou o Google pela OpenAI poucos meses depois de o Google ter pago 2,7 mil milhões de dólares para o recontratar. A mudança sublinha a escalada financeira na guerra de talentos da IA, com Shazeer a descrevê-la como uma decisão difícil.

Stampa atlantica / anglosfera/ economica
pragmatismourgenza

O veterano da Google Noam Shazeer, fundador da Character.AI, está a saltar para a OpenAI no mais recente movimento da guerra de talentos da IA. Shazeer anunciou a sua saída no X, descrevendo-a como uma decisão difícil e elogiando a sua equipa da Google.

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Atualizado 11:402 idiomas · 4 veículos
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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Google perde co-líder do Gemini para OpenAI em novo capítulo da guerra por talentos de IA

Noam Shazeer, coautor do artigo que lançou os Transformers e peça central no regresso da Google à corrida da inteligência artificial, abandona a empresa menos de dois anos após um acordo de 2,7 mil milhões de dólares.

O anúncio foi feito na rede social X com um tom de despedida contido, mas o impacto no setor tecnológico foi imediato. Noam Shazeer, vice-presidente de engenharia da Google e co-líder dos modelos de inteligência artificial Gemini, comunicou a sua saída para a OpenAI, a principal rival na corrida pela IA generativa. “Foi uma decisão difícil”, escreveu, acrescentando que foi “uma honra e um prazer” trabalhar com a equipa da Google. Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, respondeu na mesma plataforma, afirmando que Shazeer era uma das pessoas com quem mais desejara trabalhar desde a fundação da empresa — um objetivo que, segundo Altman, demorou dez anos a concretizar-se.

A movimentação surpreendeu o mercado sobretudo pela cronologia recente. Shazeer trabalhou na Google entre 2000 e 2021, antes de se afastar para fundar a Character.AI, uma startup de chatbots personalizados. Em agosto de 2024, a Google selou um acordo de licenciamento com essa empresa que implicou o regresso do engenheiro e da sua equipa, numa operação avaliada em cerca de 2,7 mil milhões de dólares. Shazeer assumiu então a co-liderança do Gemini, o sistema com que a Google procurava encurtar a distância para o ChatGPT. Agora, menos de dois anos depois, troca novamente Mountain View por São Francisco, levando consigo o capital simbólico de ser coautor do artigo “Attention Is All You Need” (2017), que introduziu a arquitetura de Transformers e é tratado como o momento fundador dos grandes modelos de linguagem modernos.

Na perspetiva norte-americana, a saída é lida como um duro golpe para a Google e um trunfo para a OpenAI, numa fase em que a empresa de Altman se prepara para uma eventual entrada em bolsa. Analistas em Silicon Valley sublinham que a guerra por talentos atingiu um patamar de agressividade inédito, com pacotes de remuneração e influência que tornam obsoletas as antigas cláusulas de não concorrência. Observadores na Ásia, em particular na Índia e na China, notam que a circulação de figuras como Shazeer entre as gigantes tecnológicas reforça a concentração do conhecimento de ponta num número reduzido de polos, desafiando as ambições de autonomia de outras regiões. Na imprensa russa, o episódio é descrito como um “choque” para a Google, enquanto veículos europeus o classificam como um “terramoto” na hierarquia da Silicon Valley.

Para o mundo lusófono, o caso funciona como um alerta sobre a dependência externa na área da inteligência artificial. No Brasil, onde a pesquisa em IA avança em universidades e centros como o CPQD, mas enfrenta uma crónica fuga de cérebros para as big techs, a transferência de Shazeer ilustra a dificuldade de reter especialistas de altíssimo nível fora do eixo EUA-China. Em Portugal, com um ecossistema de startups em crescimento e a aplicação do AI Act europeu, observadores em Lisboa notam que a concentração de talento em meia dúzia de empresas pode limitar a diversidade de abordagens e acentuar assimetrias regulatórias. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, ainda em fase de construção de infraestruturas digitais, a notícia sublinha o risco de um fosso cada vez maior no acesso às tecnologias que estão a redefinir a economia global.

O futuro imediato do Gemini sem Shazeer é uma incógnita, mas a Google dispõe de uma reserva profunda de investigadores. Já a OpenAI ganha um arquiteto dos modelos que ajudaram a popularizar a IA generativa, precisamente quando procura diversificar receitas e justificar avaliações astronómicas. A pergunta que fica, da perspetiva de Brasília a Luanda, é se esta dança de contratações bilionárias acelera a inovação ou apenas consolida um oligopólio global da inteligência artificial, deixando poucas margens para que outros projetos floresçam fora do circuito restrito das gigantes californianas.

Divergência das fontes

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32%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Neutro80%
Crítico20%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
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Stampa indiana e sudasiatica
pragmatismoironia

Noam Shazeer, co-líder do Gemini do Google, trocou o Google pela OpenAI poucos meses depois de o Google ter pago 2,7 mil milhões de dólares para o recontratar. A mudança sublinha a escalada financeira na guerra de talentos da IA, com Shazeer a descrevê-la como uma decisão difícil.

Stampa atlantica / anglosfera/ economica
pragmatismourgenza

O veterano da Google Noam Shazeer, fundador da Character.AI, está a saltar para a OpenAI no mais recente movimento da guerra de talentos da IA. Shazeer anunciou a sua saída no X, descrevendo-a como uma decisão difícil e elogiando a sua equipa da Google.

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