
Trump anuncia aliança Apple-Intel para fabricar chips em território americano
Acordo preliminar entre as gigantes visa diversificar fornecimento da Apple, hoje dependente da taiwanesa TSMC, e impulsiona ações da Intel.
A revelação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a Apple concordou em projetar e fabricar os seus chips com a Intel em solo norte-americano provocou ondas de choque nos mercados globais. As ações da Intel dispararam quase 10% nas negociações de pré-abertura da Nasdaq, um sinal do otimismo dos investidores com o regresso da produção de semicondutores ao país. O anúncio, feito na rede social Truth Social na quinta-feira, foi reproduzido por veículos da Rússia ao mundo árabe, sublinhando o alcance geopolítico da decisão.
O movimento não surge do vazio. O Wall Street Journal já noticiara em maio um acordo preliminar entre as duas empresas, fruto de mais de um ano de negociações. A Apple procura diversificar uma cadeia de abastecimento hoje excessivamente concentrada na taiwanesa TSMC, cujas linhas de produção mais avançadas estão sob pressão da procura explosiva de fabricantes de chips de inteligência artificial como a Nvidia e a AMD. A parceria com a Intel insere-se numa estratégia mais ampla de Washington, que também facilitou colaborações da Intel com a Nvidia e com a Terrafab, de Elon Musk.
Na perspetiva de Brasília, a jogada reforça a política de reindustrialização e segurança nacional americana, com potenciais reflexos nas cadeias globais de valor que abastecem o Brasil e as economias lusófonas africanas, ainda muito dependentes da importação de componentes eletrónicos. O governo dos EUA convertera 8,9 mil milhões de dólares em subsídios do Chips Act numa participação acionista de 10% na Intel em 2025, e Trump criticou administrações anteriores por permitirem que Taiwan e outros países “tomassem” as fábricas de semicondutores americanas.
Apesar do entusiasmo, Apple e Intel não comentaram oficialmente o anúncio presidencial. A concretização do acordo poderá reduzir a vulnerabilidade da Apple a tensões no Estreito de Taiwan, mas exigirá que a Intel supere desafios técnicos para igualar a capacidade de fabricação da TSMC. Observadores em Lisboa notam que a Europa também persegue autonomia em semicondutores, e o movimento americano pode intensificar a competição global por investimentos. Para o Sul Global, a diversificação geográfica da produção é bem-vinda, mas o acesso a chips de ponta continuará a depender de um clube restrito de players.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump afirma que Apple e Intel vão colaborar para projetar e fabricar chips nos EUA, mas as empresas não comentaram. O anúncio segue relatos da imprensa sobre negociações de mais de um ano, e os mercados aguardam confirmação oficial.
As ações da Intel dispararam quase 10% depois que Trump anunciou uma parceria com a Apple para a produção de chips nos EUA. O presidente disse que ajudou a Intel, na qual o governo detém 10%, e que a Apple se junta à Nvidia e à Terafab de Elon Musk como parceira.
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