
Luzes de Berlim, silêncio do deserto: o dia em que Duna mostrou o seu lado mais sombrio
Num evento que ligou oito cidades, Timothée Chalamet interrompeu uma resposta para perguntar se os fãs alemães estavam numa rave, enquanto o realizador Denis Villeneuve recordava o amanhecer no deserto de Liwa.
A meio de uma resposta sobre o peso do poder em Arrakis, Timothée Chalamet parou. No ecrã gigante de um cinema de Los Angeles, a sala de Berlim transformara-se num mar de luzes de telemóvel a ondular, a pedido do apresentador local. O ator franco-americano, de 30 anos, largou o argumento e, entre risos, lançou para a câmara: “O que se passa em Berlim? Vocês estão numa rave?”. Minutos antes, já tinha pedido desculpa aos adeptos alemães pelo desempenho da seleção no Mundial — uma piada que, por uma falha de som, só chegou a Berlim mais tarde, através das redes sociais.
A cena aconteceu durante um evento global de fãs organizado pela Warner Bros. para apresentar o primeiro trailer de Duna: Parte Três. Chalamet surgiu de surpresa no palco de Los Angeles, juntando-se ao realizador Denis Villeneuve, enquanto salas IMAX em Chicago, Dallas, Montreal, Toronto, Londres, Berlim e Abu Dhabi assistiam em ligação direta. O momento serviu de rampa de lançamento para o capítulo final da trilogia, baseado no livro Dune Messiah, de Frank Herbert, e revelou um filme que, segundo Villeneuve, abandona a estrutura épica das duas primeiras obras para se tornar “um thriller, uma história mais intensa e definitivamente mais emocional”.
A conversa com os fãs ecoou o tom do trailer: um Paul Atreides imperador, duas décadas depois de tomar o poder, a enfrentar as consequências de uma guerra santa travada em seu nome. Chalamet descreveu a narrativa como um alerta sobre os perigos dos líderes carismáticos, sublinhando que Herbert escreveu Messiah precisamente porque muitos leitores interpretaram Paul como um herói clássico. “Até as pessoas com boas intenções podem acabar corrompidas”, afirmou o ator, que admitiu ter sido o filme mais emotivo da sua carreira, por representar o fim de uma família e de uma equipa que o acompanhou desde 2021.
A ligação a Abu Dhabi trouxe ao palco a outra grande personagem da saga: o deserto. Questionado sobre as memórias das filmagens no deserto de Liwa, que serviu de cenário a Arrakis nos três filmes, Villeneuve não hesitou: “Direi as manhãs. Sentir a energia quando o sol nasce, ver a excitação e o espanto nos olhos dos membros da equipa. Sente-se o poder do deserto e o quão inspirador ele é.” Chalamet acrescentou que a quietude das primeiras horas era extraordinária, quase como caminhar num safari a caminho do local de trabalho. A produção, que envolveu mais de 600 profissionais dos Emirados Árabes Unidos, incluindo um duplo emirati, Mohammed F Mostafa, filmou durante 31 dias no deserto, repetindo uma parceria de sete anos com a Abu Dhabi Film Commission.
No final, entre o burburinho das salas e o silêncio das dunas, ficou a imagem de um amanhecer no deserto, com a equipa a sorrir perante a imensidão, e a promessa de um filme que, nas palavras de Villeneuve, não quis “caminhar sobre as próprias pegadas”. O trailer mostrou ainda o regresso de Jason Momoa como o ghola Hayt e a entrada de Robert Pattinson como o metamorfo Scytale, mas foi a quietude do deserto, tantas vezes invocada, que pairou sobre o evento como um último segredo de Arrakis.
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Abu Dhabi celebra seu deserto como o verdadeiro Arrakis, reivindicando um papel central na saga.
Enfatiza a continuidade geográfica e a parceria de vários anos para legitimar o papel de Abu Dhabi como local de filmagem icônico.
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