
Nikkei supera os 70 mil pontos pela primeira vez após subida dos juros no Japão
O índice de referência de Tóquio tocou os 70.020 pontos durante a sessão, impulsionado pela decisão do banco central de elevar a taxa diretora para 1%, o valor mais alto em 31 anos.
O índice Nikkei 225 da bolsa de Tóquio ultrapassou pela primeira vez na história a barreira dos 70 mil pontos na sessão desta terça-feira, chegando a alcançar 70.020,68 pontos, antes de recuar e fechar com uma valorização de 0,12%, nos 69.404,50 pontos. O movimento seguiu-se ao anúncio do Banco do Japão de que iria aumentar a taxa de juro de referência em 0,25 pontos percentuais, para 1%, o nível mais elevado em três décadas. A decisão, amplamente antecipada pelos mercados, foi acompanhada por uma pausa na redução das compras de títulos públicos, prevista para começar apenas em abril de 2027, o que atenuou os receios de um aperto monetário mais agressivo.
A reação dos investidores em Tóquio revelou um misto de alívio e prudência. Enquanto o Nikkei, composto por 225 das maiores empresas japonesas, atingiu máximos históricos, o índice mais alargado Topix recuou 0,2%, para 3.991,14 pontos, sinal de que a subida beneficiou sobretudo os grandes exportadores. O iene manteve-se estável em torno dos 160 por dólar, um patamar que, segundo operadores, poderá desencadear intervenções das autoridades monetárias japonesas para travar uma depreciação excessiva. A decisão do banco central foi interpretada como um passo cauteloso de normalização, sem pressa em retirar os estímulos que sustentam a terceira maior economia do mundo.
No resto da Ásia, o otimismo inicial com o acordo preliminar entre Washington e Teerão foi-se dissipando, travando os ganhos das bolsas. O índice MSCI das ações da região, excluindo o Japão, anulou a subida e terminou praticamente inalterado, enquanto os mercados da Coreia do Sul lideraram os avanços, com o Kospi a renovar máximos históricos. Em Xangai, o índice composto registou uma valorização marginal. Na Austrália, o S&P/ASX 200 subiu 0,3%. Os preços do petróleo, que tinham caído para mínimos de três meses, inverteram a tendência, com o Brent a subir ligeiramente, refletindo a cautela quanto à retoma do trânsito no Estreito de Ormuz.
Na perspetiva de Brasília, a estabilidade do iene e a trajetória dos juros japoneses são acompanhadas com atenção devido ao seu impacto nas estratégias de carry trade, que envolvem o real. Observadores em Lisboa notam que a divergência entre a normalização monetária do Banco do Japão e a flexibilização esperada do Banco Central Europeu poderá influenciar a paridade euro-iene nas próximas semanas. Para as economias lusófonas africanas, o efeito é mais indireto, mas a evolução dos preços das matérias-primas e a confiança nos fluxos comerciais globais permanecem variáveis sensíveis.
Os investidores aguardam agora a conferência de imprensa do governador do Banco do Japão, à procura de pistas sobre o ritmo de futuras subidas de juros. Com o iene a rondar o limiar de intervenção, qualquer sinal de aceleração do aperto poderá fortalecer a moeda e alterar a dinâmica dos mercados acionistas. O marco histórico do Nikkei sublinha a resiliência da bolsa japonesa, mas o contexto global — marcado por tensões geopolíticas e incertezas sobre o crescimento — recomenda prudência na leitura deste novo recorde.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O índice Nikkei 225 superou brevemente os 70.000 pontos pela primeira vez, impulsionado pelo esperado aumento de juros do Banco do Japão. Fechou em novo recorde, enquanto o TOPIX mais amplo recuou ligeiramente. A reação do mercado foi calma e em linha com as previsões.
O Nikkei ultrapassou os 70.000 pontos após o BoJ decidir pausar a redução de compras de títulos até 2027 e elevar os juros para 1%, o maior patamar em 31 anos. O iene enfraqueceu e os movimentos eram amplamente esperados. A decisão ressalta uma abordagem cautelosa do banco central.
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