
New York Times recorre à Justiça para anular intimações a jornalistas no caso Air Force One
Jornal alega má-fé do Departamento de Justiça dos EUA ao exigir que repórteres revelem fontes de notícia sobre falhas de segurança no avião presidencial doado pelo Catar.
O The New York Times apresentou uma moção para anular as intimações emitidas pelo Departamento de Justiça dos EUA a três dos seus jornalistas, no âmbito de uma investigação sobre a fuga de informação classificada relativa ao novo Air Force One. A ação, entregue sob segredo de justiça no tribunal federal do Distrito Sul de Nova Iorque, contesta a ordem para que os repórteres testemunhem perante um grande júri sobre as fontes que revelaram que o Serviço Secreto desaconselhou o presidente Donald Trump a usar a aeronave oferecida pelo Catar devido à ausência de sistemas antimísseis.
O vice-presidente e conselheiro jurídico do jornal, David McCraw, afirmou que as intimações foram emitidas de má-fé para punir a cobertura noticiosa e violam os direitos constitucionais da publicação e dos seus jornalistas. Já o Departamento de Justiça sustenta que os repórteres não são alvos, mas testemunhas materiais, e que o objetivo é identificar quem lhes forneceu informação classificada. Em audiência de confirmação no Senado, o procurador-geral interino, Todd Blanche, reiterou que a pergunta a fazer aos jornalistas é “quem lhes passou informação classificada de segurança nacional”.
A investida representa uma escalada na ofensiva da administração Trump contra fugas de informação, após a reversão, em abril de 2025, de uma política da era Biden que limitava o uso de intimações e mandados de busca contra jornalistas. A nova orientação, assinada pela então procuradora-geral Pam Bondi, restaurou a autoridade para compelir repórteres a revelar fontes, uma prática que, segundo analistas em Washington, é extremamente rara e suscita alarme entre defensores da liberdade de imprensa. O caso sucede a uma busca do FBI à residência de uma jornalista do Washington Post e à apreensão dos seus dispositivos eletrónicos, também no contexto de uma investigação de fugas.
A aeronave em causa, um Boeing 747-8 doado pelo Catar e adaptado por cerca de 400 milhões de dólares, entrou recentemente em serviço, mas Trump utilizou um modelo mais antigo para regressar da cimeira da NATO na Turquia, negando que razões de segurança tivessem motivado a troca. O avião, pintado com as cores da bandeira norte-americana, será posteriormente doado à biblioteca presidencial de Trump. Em Brasília, o episódio reacende o debate sobre a proteção constitucional do sigilo da fonte, enquanto organizações de defesa da imprensa em Lisboa acompanham o caso com preocupação. O tribunal deverá agora decidir sobre a moção apresentada sob segredo de justiça, num processo que poderá estabelecer jurisprudência sobre os limites do poder governamental para forçar jornalistas a quebrar a confidencialidade das suas fontes.
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
O New York Times defende a liberdade de imprensa contra um governo agindo de má-fé.
Ao citar repetidamente a 'má-fé' do governo e violações constitucionais, o bloco enquadra as intimações como um ataque ilegítimo ao jornalismo, tornando o desafio legal um imperativo moral.
O New York Times toma medidas legais para proteger seus jornalistas, apresentando o desafio às intimações como uma parte normal do processo judicial.
Ao citar o advogado do próprio jornal e focar no arquivamento processual, o bloco normaliza o conflito, retratando o Times como uma instituição responsável exercendo seus direitos.
O New York Times se recusa a testemunhar, desafiando as intimações da administração Trump.
Ao omitir a acusação de 'má-fé' e simplesmente relatar a recusa, o bloco implica um excesso de poder governamental sem condená-lo explicitamente, deixando o leitor inferir o conflito.
O bloco não menciona a acusação do New York Times de que as intimações foram emitidas de má-fé, o que teria intensificado a confrontação.
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