
Milionários britânicos pedem mais impostos sobre riqueza em carta a novo primeiro-ministro
Um grupo de 120 milionários do Reino Unido, incluindo celebridades, instou o governo trabalhista a tributar grandes patrimónios para financiar serviços públicos e reduzir desigualdades.
Cento e vinte milionários residentes no Reino Unido enviaram uma carta aberta ao novo primeiro-ministro, Andy Burnham, pedindo o aumento da tributação sobre os mais ricos. A iniciativa, divulgada na quarta-feira, propõe um imposto de 2% sobre patrimónios superiores a 10 milhões de libras, medida que, segundo estimativas do grupo Patriotic Millionaires UK, poderia gerar cerca de 24 mil milhões de libras anuais. O apelo surge num momento de pressão sobre as contas públicas britânicas, com a economia a desacelerar devido ao conflito com o Irão, a inflação em alta e os serviços públicos sob tensão.
A carta, promovida pela organização Patriotic Millionaires UK, defende que o sistema fiscal atual favorece a riqueza herdada em detrimento do rendimento do trabalho. Os signatários afirmam que podem suportar o aumento e que a maioria dos milionários britânicos partilha desta posição: uma sondagem encomendada pelo grupo em abril indica que 75% dos inquiridos com património elevado estariam dispostos a pagar mais impostos. O texto apela ainda a uma “devolução da riqueza e do poder” e ao reforço do investimento em hospitais, escolas e assistência social.
Entre os subscritores encontram-se o ex-futebolista e apresentador Gary Lineker, o músico Brian Eno, o realizador Richard Curtis e o antigo diretor-geral da cadeia de padarias Greggs, Ian Gregg. Do lado do governo, a secretária-chefe do Tesouro, Emma Reynolds, saudou a disponibilidade manifestada, mas lembrou que já existe um mecanismo de doações voluntárias ao Estado e que alterações fiscais de fundo serão anunciadas apenas no Orçamento. A oposição conservadora, pela voz da líder Kemi Badenoch, ironizou que Lineker “pode passar um cheque ao Tesouro”, enquanto o partido Reform UK alertou para o risco de fuga de investimento.
O primeiro-ministro Burnham, que antes de chegar ao cargo não excluíra a possibilidade de um imposto sobre a riqueza, herdou um manifesto que veda aumentos das principais taxas de imposto, mas não fecha a porta a uma tributação patrimonial. O próximo Orçamento será o momento em que o executivo terá de clarificar se acolhe ou não a proposta, num contexto em que já prometeu um alívio fiscal de 850 milhões de libras nas faturas de eletricidade e o congelamento das tarifas de autocarro. O movimento Patriotic Millionaires, com origem nos Estados Unidos e ramificações no Canadá, continua a ganhar visibilidade no mundo ocidental, colocando a tributação dos super-ricos no centro do debate político.
| Imprensa africana subsaariana | +0.20 | neutral |
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| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
Os milionários britânicos pedem para ser tributados mais pelo bem comum.
O pedido é apresentado como um ato de generosidade e responsabilidade, omitindo qualquer dissidência.
Não menciona que nem todos os milionários concordam, conforme relatado por outros veículos.
Alguns milionários pedem mais impostos, mas o pedido não é unânime e é visto com ceticismo.
Um elemento de dúvida é introduzido ao enfatizar que nem todos os ricos concordam, diminuindo o entusiasmo.
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