
México pressiona Canadá por mineração e planeja retomar petróleo para Cuba via empresas privadas
Sheinbaum envia lista de pendentes ambientais a Ottawa e anuncia mecanismo comercial com Havana, enquanto prepara relatório sobre gás não convencional e investiga denúncias de vínculos criminais no setor extrativo.
O governo mexicano formalizou junto ao Canadá uma lista de empresas mineradoras com obrigações ambientais pendentes, ao mesmo tempo que anunciou planos para reativar o envio comercial de petróleo a Cuba por meio de companhias privadas. A dupla movimentação, apresentada pela presidente Claudia Sheinbaum em conferência matinal nesta segunda-feira, expõe uma recalibração da política externa mexicana que combina pressão regulatória sobre investidores estrangeiros e gestos de aproximação econômica com a ilha caribenha, em plena crise energética.
Na perspetiva da Cidade do México, a prioridade não é questionar a presença de mineradoras canadenses, mas exigir que respeitem a legislação ambiental mexicana e reparem danos. A titular da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais, Alicia Bárcena, remeteu ao governo de Mark Carney um dossiê com casos de descumprimento em matéria de remediação e mitigação. Sheinbaum afirmou que algumas empresas “cumprem no Canadá e muitas vezes não cumprem no México” e que o tema foi tratado diretamente com o primeiro-ministro. A Procuradoria Federal de Proteção ao Ambiente (Profepa) mantém inspeções e clausuras, com destaque para a mina Los Filos, da Equinox Gold, em Guerrero. Paralelamente, o Gabinete de Segurança investiga duas denúncias, veiculadas pela imprensa, sobre supostos vínculos entre mineradoras e crime organizado, embora a mandatária tenha declarado não haver “certeza” de que tais nexos existam.
Quanto a Cuba, a administração Sheinbaum procura contornar as ameaças de tarifas dos Estados Unidos — que paralisaram os carregamentos da estatal Pemex após a captura de Nicolás Maduro e o ataque a Caracas em janeiro — recorrendo a empresas privadas mexicanas já autorizadas a operar na ilha. A presidente invocou o recente pacote de reformas econômicas aprovado pelo governo cubano, que amplia a abertura ao investimento privado, como base jurídica para retomar o comércio de combustíveis “de maneira comercial”, enquanto a ajuda humanitária prossegue. Observadores em Washington notam que a triangulação via firmas particulares pode reduzir a exposição do México a retaliações comerciais no âmbito do T-MEC, ao diluir o papel estatal. Em Havana, a crise energética permanece aguda: a ilha produz apenas 40% do petróleo que consome e sofre apagões que nesta segunda-feira afetavam até 61% do território no horário de pico, segundo a Unión Eléctrica.
O contexto bilateral com o Canadá é marcado pela revisão do T-MEC e pela cooperação em minerais críticos, o que, segundo fontes diplomáticas em Ottawa, torna o gesto mexicano um sinal de que a sustentabilidade ambiental será condição para a continuidade dos investimentos. Ao mesmo tempo, o governo prepara a apresentação de um relatório de cientistas e especialistas sobre a exploração de gás não convencional (fracking), tema sensível para a soberania energética defendida por Sheinbaum, que rechaçou a entrada de transnacionais no setor petrolífero. A consulta às comunidades afetadas é considerada obrigatória antes de qualquer decisão. O dossiê ambiental com o Canadá segue em supervisão pela Semarnat e Profepa, enquanto as negociações comerciais com Cuba dependem da adesão de empresários mexicanos e da evolução do quadro legal na ilha.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O México assume uma posição firme mas pragmática, exigindo que as mineradoras canadenses cumpram as leis ambientais e reparem os danos, enquanto busca retomar os envios de petróleo a Cuba por meio de empresas privadas como gesto humanitário. O governo enfatiza seu direito soberano de regular as indústrias extrativas estrangeiras e de apoiar um vizinho em crise, apesar das pressões externas.
A presidente do México anunciou planos para retomar os envios de petróleo a Cuba por meio de canais comerciais e privados, uma medida que pode aliviar a crise energética cada vez mais profunda da ilha. A reportagem registra a mudança de mecanismos estatais para privados sem comentário editorial.
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