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Ciência e Saúdeterça-feira, 23 de junho de 2026

Poluentes persistentes alcançam o mar profundo brasileiro e o organismo de gestantes

Estudos independentes detetaram microplásticos e POPs em peixes e sedimentos na Bacia de Santos e 45 químicos em todas as amostras de urina de mais de 5 mil grávidas nos EUA, reforçando a escala global da contaminação.

Duas frentes de investigação divulgadas em março ampliam o mapa da poluição química persistente: uma no Atlântico Sudoeste, outra no corpo humano. Pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP e do Ipen identificaram, na Bacia de Santos, microplásticos e poluentes orgânicos persistentes (POPs) em sedimentos, peixes e invertebrados recolhidos entre 400 e 1.500 metros de profundidade, a cerca de 140 quilómetros da costa. No mesmo período, um estudo da Universidade da Carolina do Norte, de Stanford e do Woods Institute, publicado na JAMA Network Open, analisou 113 substâncias em amostras de urina de 5.077 mulheres que deram à luz entre 2000 e 2021: 45 compostos apareceram em todas as participantes, chegando a 64 em alguns casos, e a exposição foi associada a parto prematuro e baixo peso ao nascer.

O mecanismo de dispersão combina transporte atmosférico, descarte costeiro e atividade industrial. No mar profundo, os sedimentos continham bifenilas policloradas (PCBs), usadas como isolantes elétricos; nos peixes, somavam-se éteres difenílicos polibromados (PBDEs), retardantes de chama. Entre os invertebrados, o pepino-do-mar Deima validum foi o que mais ingeriu microfibras plásticas, com destaque para poliamida, poliacrilonitrila e polissulfeto — este último possivelmente originado da indústria offshore que opera cinco plataformas na região. Já as grávidas norte-americanas estavam expostas a ftalatos, plastificantes de nova geração e outros químicos presentes em alimentos, água, perfumes e produtos de cuidado pessoal. Os autores sublinham que muitas das substâncias substitutas de compostos já banidos continuam a apresentar toxicidade.

A cadeia de consequências já não se limita ao ambiente. Estudos de 2024 e 2025 citados no debate científico confirmaram microplásticos no sangue, na placenta e no cérebro humanos. Uma equipa da Universidade do Novo México detetou, na Nature Medicine, um aumento de cerca de 50% na concentração de partículas no córtex frontal em apenas oito anos, enquanto uma análise do New England Journal of Medicine associou a presença de micro e nanoplásticos em placas carotídeas a um risco cardiovascular mais de quatro vezes superior. Na perspetiva de Brasília, o achado na Bacia de Santos reforça a necessidade de monitorizar o impacto da exploração offshore e de integrar o mar profundo nas políticas de conservação. Observadores em Lisboa notam que a poluição por plásticos, com apenas 9% de reciclagem global, pressiona igualmente os ecossistemas atlânticos partilhados pela CPLP.

Enquanto a ciência avança, os sistemas de saúde já absorvem os custos clínicos. Em Jacarta, o programa público JKN cobriu integralmente o acompanhamento de uma gravidez de alto risco que terminou em aborto espontâneo e curetagem — um episódio que ilustra a pressão sobre os serviços diante de desfechos gestacionais adversos, para os quais a exposição química é um fator de risco emergente. O próximo marco a acompanhar são as negociações internacionais para um tratado global sobre poluição plástica, onde a evidência de contaminação humana e oceânica profunda deverá pesar nas decisões sobre limites à produção e ao uso de aditivos químicos.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A poluição atingiu as profundezas do oceano e o corpo humano. Pesquisadores brasileiros encontraram microplásticos e poluentes persistentes em sedimentos e animais a 1.500 metros de profundidade. Estudos internacionais detectam microplásticos no sangue, na placenta e no cérebro, sinalizando uma contaminação global sem precedentes.

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Um estudo dos EUA revela que mulheres grávidas são expostas diariamente a dezenas de substâncias químicas nocivas, ligadas a parto prematuro e baixo peso ao nascer. A análise de amostras de urina de mais de 5.000 mulheres destaca a ameaça generalizada das toxinas ambientais à saúde materna e fetal.

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terça-feira, 23 de junho de 2026

Poluentes persistentes alcançam o mar profundo brasileiro e o organismo de gestantes

Estudos independentes detetaram microplásticos e POPs em peixes e sedimentos na Bacia de Santos e 45 químicos em todas as amostras de urina de mais de 5 mil grávidas nos EUA, reforçando a escala global da contaminação.

Duas frentes de investigação divulgadas em março ampliam o mapa da poluição química persistente: uma no Atlântico Sudoeste, outra no corpo humano. Pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP e do Ipen identificaram, na Bacia de Santos, microplásticos e poluentes orgânicos persistentes (POPs) em sedimentos, peixes e invertebrados recolhidos entre 400 e 1.500 metros de profundidade, a cerca de 140 quilómetros da costa. No mesmo período, um estudo da Universidade da Carolina do Norte, de Stanford e do Woods Institute, publicado na JAMA Network Open, analisou 113 substâncias em amostras de urina de 5.077 mulheres que deram à luz entre 2000 e 2021: 45 compostos apareceram em todas as participantes, chegando a 64 em alguns casos, e a exposição foi associada a parto prematuro e baixo peso ao nascer.

O mecanismo de dispersão combina transporte atmosférico, descarte costeiro e atividade industrial. No mar profundo, os sedimentos continham bifenilas policloradas (PCBs), usadas como isolantes elétricos; nos peixes, somavam-se éteres difenílicos polibromados (PBDEs), retardantes de chama. Entre os invertebrados, o pepino-do-mar Deima validum foi o que mais ingeriu microfibras plásticas, com destaque para poliamida, poliacrilonitrila e polissulfeto — este último possivelmente originado da indústria offshore que opera cinco plataformas na região. Já as grávidas norte-americanas estavam expostas a ftalatos, plastificantes de nova geração e outros químicos presentes em alimentos, água, perfumes e produtos de cuidado pessoal. Os autores sublinham que muitas das substâncias substitutas de compostos já banidos continuam a apresentar toxicidade.

A cadeia de consequências já não se limita ao ambiente. Estudos de 2024 e 2025 citados no debate científico confirmaram microplásticos no sangue, na placenta e no cérebro humanos. Uma equipa da Universidade do Novo México detetou, na Nature Medicine, um aumento de cerca de 50% na concentração de partículas no córtex frontal em apenas oito anos, enquanto uma análise do New England Journal of Medicine associou a presença de micro e nanoplásticos em placas carotídeas a um risco cardiovascular mais de quatro vezes superior. Na perspetiva de Brasília, o achado na Bacia de Santos reforça a necessidade de monitorizar o impacto da exploração offshore e de integrar o mar profundo nas políticas de conservação. Observadores em Lisboa notam que a poluição por plásticos, com apenas 9% de reciclagem global, pressiona igualmente os ecossistemas atlânticos partilhados pela CPLP.

Enquanto a ciência avança, os sistemas de saúde já absorvem os custos clínicos. Em Jacarta, o programa público JKN cobriu integralmente o acompanhamento de uma gravidez de alto risco que terminou em aborto espontâneo e curetagem — um episódio que ilustra a pressão sobre os serviços diante de desfechos gestacionais adversos, para os quais a exposição química é um fator de risco emergente. O próximo marco a acompanhar são as negociações internacionais para um tratado global sobre poluição plástica, onde a evidência de contaminação humana e oceânica profunda deverá pesar nas decisões sobre limites à produção e ao uso de aditivos químicos.

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Como a mesma história é contada em outros lugares.

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A poluição atingiu as profundezas do oceano e o corpo humano. Pesquisadores brasileiros encontraram microplásticos e poluentes persistentes em sedimentos e animais a 1.500 metros de profundidade. Estudos internacionais detectam microplásticos no sangue, na placenta e no cérebro, sinalizando uma contaminação global sem precedentes.

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Um estudo dos EUA revela que mulheres grávidas são expostas diariamente a dezenas de substâncias químicas nocivas, ligadas a parto prematuro e baixo peso ao nascer. A análise de amostras de urina de mais de 5.000 mulheres destaca a ameaça generalizada das toxinas ambientais à saúde materna e fetal.

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