
México blinda o Ángel e descentraliza festa após tragédia com quatro mortos
Autoridades da capital e de municípios vizinhos montam operação com 40 mil agentes, limitam acesso ao monumento e espalham telões para o duelo com a Inglaterra.
A euforia que tomou o Paseo de la Reforma na vitória sobre o Equador terminou em asfixia e parada cardíaca para quatro torcedores, e a resposta das autoridades para o confronto deste domingo com a Inglaterra, nos oitavos de final do Mundial, é um plano de dispersão que transforma a Cidade do México num mosaico de telões e palcos. A chefe de governo, Clara Brugada, anunciou que o Ángel de la Independencia terá acesso gratuito mas limitado a 25 mil pessoas — densidade de quatro por metro quadrado —, e que, atingido o limite, o fluxo será redirecionado para as mais de 60 telas espalhadas ao longo dos seis quilómetros da avenida, da Estela de Luz até a Hidalgo.
O dispositivo mobiliza 40 mil servidores públicos, dos quais 17 mil são polícias. Só no corredor da Reforma atuarão 6 mil agentes, o dobro do efetivo do jogo anterior, com um duplo cinturão de segurança entre a Diana Cazadora e o Ahuehuete. No Estádio Cidade do México — nome oficial do Azteca durante o torneio — serão 7.500 elementos, e outros 3.300 vigiarão o Fan Fest no Zócalo, onde cinco acessos terão revistas aleatórias. A partir da meia-noite de sábado e até as sete da manhã de segunda-feira, a venda de álcool para consumo na rua estará proibida nas colónias Centro, Juárez, Tabacalera, San Rafael, Cuauhtémoc e, pela primeira vez, Roma Norte e Condesa, depois de se ter detetado comércio nessas zonas limítrofes.
A estratégia de descentralização extravasa a capital. Em Guadalajara, mais de 3 mil polícias vigiarão o centro e a glorieta de La Minerva, com telas adicionais na Plaza Guadalajara e no Parque San Jacinto para evitar a saturação do Fan Fest. Onze municípios do Estado do México, entre eles Ecatepec, Nezahualcóyotl e Naucalpan, instalarão ecrãs em praças públicas e organizarão festivais com concertos, numa tentativa de fixar os adeptos nas suas comunidades. A alcaidesa de Ecatepec, Azucena Cisneros, anunciou dez pontos de projeção e um operativo com mil polícias municipais e apoio da Força de Tarefa da Marinha.
Do lado britânico, o governo emitiu um alerta recomendando que os torcedores evitem grandes aglomerações e sigam as orientações das forças de segurança locais, o que levou a presidente Claudia Sheinbaum a reiterar que o país é seguro para os visitantes. Especialistas em proteção civil ouvidos pela imprensa mexicana sublinham que a cidade tem experiência em eventos massivos, como a peregrinação à Basílica de Guadalupe, e que o êxito do plano depende de uma coordenação rigorosa entre as telas e os operativos próprios de cada ponto, além do uso de tecnologia para monitorizar a densidade de público em tempo real.
A própria Sheinbaum, que confirmou que sairá do Palácio Nacional para assistir ao jogo, pediu corresponsabilidade aos adeptos: “Se vemos que já está muito cheio num lugar, devemos orientar-nos para outro sítio”. A mensagem oficial é que a festa pode ser vivida com paixão, mas que nenhuma vitória vale uma vida humana, enquanto a cidade se prepara para o último jogo do México em casa neste Mundial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Após quatro mortes durante as comemorações da Copa, a Cidade do México mobiliza 40 mil agentes e limita o acesso ao monumento do Anjo da Independência para o jogo contra a Inglaterra. As medidas são uma resposta direta à superlotação que se mostrou fatal no início da semana.
Após quatro mortes por asfixia durante as comemorações, a Cidade do México mobiliza milhares de policiais, instala telões extras e impõe uma rigorosa lei seca para o jogo contra a Inglaterra. Especialistas criticam a abordagem reativa, alertando que sem mudanças estruturais na gestão de multidões, o risco permanece alto.
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