
Mets demitem Carlos Mendoza após colapso da equipa mais cara da MLB
Com uma folha salarial recorde de 330 milhões de dólares, os New York Mets despediram o manager venezuelano na metade da temporada, enquanto os Rangers trocaram Brett Berard num movimento que reflete a pressão por resultados imediatos no desporto norte-americano.
Os New York Mets oficializaram na sexta-feira o despedimento do manager Carlos Mendoza, entregando interinamente o comando a Andy Green. A decisão surge após uma série de seis derrotas consecutivas, na qual a equipa foi superada por 54-22 em pontos, e um registo de 34 vitórias e 47 derrotas que a coloca no último lugar da Divisão Leste da Liga Nacional, a 15 jogos dos Atlanta Braves. Observadores em Nova Iorque sublinham que a paciência da direção se esgotou perante o fracasso desportivo mais oneroso do ano: a folha salarial de 329 milhões de dólares, a mais elevada da MLB, não se traduziu em competitividade, mas sim numa sucessão de erros defensivos — 11 só na última semana, incluindo seis num único jogo — e numa produção ofensiva que figura entre as piores da liga.
A derrocada dos Mets ganha contornos particulares quando se analisa a reestruturação do plantel levada a cabo pelo presidente de operações de basebol, David Stearns. Após uma época de 2025 em que a equipa perdeu o acesso à pós-temporada no último dia, a direção deixou sair referências como Pete Alonso e Edwin Díaz, apostando em nomes como Bo Bichette, Marcus Semien e Luis Robert. Contudo, a conjugação de lesões graves — Francisco Lindor, Semien, Robert e Jorge Polanco estão todos na lista de lesionados — e o baixo rendimento de várias contratações minou qualquer hipótese de recuperação. O proprietário Steve Cohen reconheceu publicamente que “esta temporada tem sido uma deceção e os nossos adeptos merecem melhor”, enquanto Stearns elogiou o impacto transformador de Mendoza na cultura do clube, mas admitiu que a mudança era necessária.
A pressão por resultados imediatos não se limita ao basebol. No hóquei no gelo, os New York Rangers concretizaram uma troca que, embora modesta, ilustra a mesma lógica de gestão de ativos sob constrangimento. O avançado Brett Berard, de 23 anos, foi enviado para os Montreal Canadiens em troca do defesa William Trudeau. Berard, que não marcou qualquer ponto em 13 jogos na última época e deixara de ser isento do mecanismo de waivers, procurava uma mudança de ares, segundo a imprensa local. Os Rangers, por seu turno, evitaram o risco de perdê-lo sem contrapartidas e reforçaram a profundidade defensiva com um jogador canhoto de 23 anos que somou 20 pontos em 62 partidas na AHL. Analistas na América do Norte notam que o movimento, longe de ser um sucesso de bilheteira, resolveu um problema concreto antes que este se agravasse.
Este cenário de decisões pragmáticas ecoa uma tendência mais ampla identificada às vésperas do draft da NHL. A poucas horas da cerimónia em Buffalo, a atenção mediática centrava-se não nos jovens talentos de 18 anos, mas na vaga de transferências que agitou a liga na última semana, envolvendo nomes como Brady Tkachuk e Bo Byram. A análise de observadores em Toronto e Montreal aponta para um mercado de agentes livres cada vez mais encolhido, onde os jogadores preferem segurança contratual de longo prazo e as equipas, pressionadas a vencer no imediato, preferem obter escolhas de draft em vez de arriscar perder ativos sem retorno. A paciência necessária para construir através do draft, notam, é um luxo que poucas franquias podem permitir-se.
Com a época dos Mets a meio e o clube a caminho de terminar com menos de 70 vitórias pela primeira vez desde 2003, o desafio de Andy Green será estancar a hemorragia e preparar o terreno para uma possível reconstrução antes do prazo de transferências. Em Montreal, Berard terá a oportunidade de relançar a carreira num contexto menos congestionado, enquanto os Rangers ganham equilíbrio organizacional. Em ambos os casos, a mensagem é clara: no desporto profissional norte-americano, o tempo para a tolerância é cada vez mais curto.
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