
Merz reconhece impasse no travão da dívida e promete conter extrema-direita no leste
Na conferência de imprensa de verão, o chanceler alemão afastou uma reforma constitucional da dívida e disse confiar que a AfD não alcançará maiorias nas eleições regionais de setembro.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou esta quarta-feira, na tradicional conferência de imprensa de verão em Berlim, que não está “muito confiante” numa reforma do travão da dívida ainda nesta legislatura. A posição contraria uma prioridade do parceiro de coligação, o SPD, e decorre da constatação de que a alteração constitucional exigiria o voto da Esquerda ou da AfD, forças que a CDU/CSU rejeita. Merz defendeu que o Grundgesetz “também faz bem se for deixado em paz durante algum tempo”, num momento em que a economia alemã enfrenta estagnação e o governo tenta acelerar reformas estruturais.
A conferência serviu ainda para Merz se demarcar da extrema-direita, num contexto de eleições regionais em setembro na Saxónia-Anhalt, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim. O chanceler declarou-se “confiante” em impedir que a Alternativa para a Alemanha (AfD) obtenha maiorias, sobretudo nos dois primeiros estados, onde as sondagens lhe atribuem entre 35% e 41% das intenções de voto. “Farei tudo o que estiver ao meu alcance para o impedir”, disse, rejeitando comparações com experiências de integração de populistas noutros países europeus. A história alemã, argumentou, confere um significado diferente à entrada de uma força de direita radical no governo. Apesar das críticas à impopularidade do executivo — 85% dos alemães estão insatisfeitos com Merz, segundo uma sondagem RTL/ntv —, o chanceler apelou aos eleitores da AfD que não se informem apenas pelas redes sociais e observem as medidas do governo.
No plano económico, Merz admitiu que as reformas “estão a demorar mais do que o previsto”, atribuindo parte da responsabilidade à política tarifária dos EUA e aos desequilíbrios globais. Dados da Agência Federal de Emprego revelam que o setor industrial perdeu 177 mil postos de trabalho em 2025, com destaque para o automóvel (menos 52 mil empregos). A Volkswagen anunciou a possível supressão de mais 50 mil postos a nível mundial, e quatro fábricas na Alemanha poderão encerrar. Questionado sobre a eventual aquisição de unidades produtivas por fabricantes chineses, Merz não se opôs, classificando-a como “solução de emergência” que não resolve os problemas estruturais. Paralelamente, criticou Pequim por manter o yuan artificialmente desvalorizado, o que, na sua perspetiva, prejudica a competitividade europeia.
A fragilidade da coligação é agravada pela perspetiva de derrotas eleitorais no outono. A CDU receia que maus resultados do SPD possam desestabilizar a liderança social-democrata e, por arrasto, o governo federal. Merz recusou especular sobre cenários pós-eleitorais, mas fontes da União admitem que a reforma do sistema eleitoral — outra reivindicação da CDU/CSU — será o próximo teste de coesão. As votações de 6 e 20 de setembro ditarão o clima político com que o executivo retomará os trabalhos legislativos, incluindo a reforma das pensões e a redução de burocracia para as empresas.
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.10 | neutral |
Merz trava na dívida e promete batalha contra a AfD, mas a sua coligação é frágil e as sondagens são negativas. A sua estratégia é insuficiente.
Enfatizam-se as contradições internas da coligação e a falta de um plano claro, criando uma impressão de fraqueza.
O aviso de Merz aos EUA para não interferirem nas eleições alemãs e a sua posição sobre aquisições chinesas de fábricas de automóveis não são mencionados.
Merz adverte os EUA: não interfiram nas eleições alemãs. A Alemanha não está pronta para a defesa, mas está a recuperar.
Apenas as declarações de Merz sobre ameaças externas e defesa são selecionadas, ignorando questões internas, para apresentar a Alemanha como vítima de interferência e em fase de rearmamento.
As declarações de Merz sobre o travão da dívida e a luta contra a AfD não são reportadas, nem as críticas internas à sua liderança.
Merz confia em travar a AfD e está aberto a aquisições chinesas, mas com cautela.
Destacar a posição pragmática de Merz em duas frentes: a ameaça política da AfD e as oportunidades económicas com a China, sem aprofundar as contradições internas.
A reforma do travão da dívida e as tensões na coligação governamental não são mencionadas.
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