
Meloni pede normalização com Washington após choque com Trump
Primeira-ministra italiana recua na polémica, enquanto aliados avaliam fissuras na frente transatlântica e preparam cimeira da NATO.
A primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni, afirmou esta semana que a cooperação bilateral com os Estados Unidos deve “voltar à normalidade”, procurando conter a escalada de acusações com o presidente Donald Trump. A declaração, proferida num evento do jornal La Verità em Roma, surge depois de Trump ter alegado que Meloni lhe “implorou” por uma fotografia durante a cimeira do G7 em França — afirmação que a chefe do governo italiano classificou como “totalmente falsa”. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, cancelara entretanto uma viagem a Miami, mas sublinhou que a aliança com Washington “não é apenas sustentável, é indispensável” e que os canais diplomáticos nunca foram interrompidos.
Na origem do atrito está também a recusa de Itália em autorizar o uso de bases militares no seu território para operações contra o Irão, decisão que Trump criticou publicamente, ameaçando retirar o contingente norte-americano. Meloni respondeu que as bases são regidas por acordos que “não podem ser violados enquanto eu for primeira-ministra” e aconselhou o presidente a concentrar-se na sua própria popularidade. A tensão agravara-se em abril, quando a líder italiana condenou os ataques de Trump ao Papa Leão XIV e a guerra no Irão, gesto que, segundo analistas em Roma, consolidou a sua imagem como voz de uma direita europeia soberanista.
Para os países lusófonos, o episódio é observado com atenção. Em Lisboa, onde a NATO tem um dos seus quartéis-generais, diplomatas sublinham que divergências entre aliados testam a coesão da Aliança Atlântica, num momento em que a cimeira de Ancara se aproxima. No Brasil, parceiro estratégico dos EUA mas não membro da NATO, a crispação é lida como um sinal das dificuldades de coordenação ocidental em matérias de segurança, com eventuais reflexos na articulação de posições em fóruns multilaterais. Inquéritos de opinião divulgados nos Estados Unidos mostram a aprovação de Trump em queda — 30% de avaliações positivas, segundo o American Research Group —, o que, na leitura de observadores italianos, reforça a posição de Meloni no confronto.
O dossiê permanece em aberto. Tajani assegurou não haver indícios de novas tarifas ou de retirada de tropas e afirmou acreditar que “o bom senso prevalecerá”. A próxima cimeira da NATO, prevista para o próximo mês em Ancara, é apontada por Roma como o fórum natural para retomar o diálogo ao mais alto nível. Até lá, ambos os governos evitam gestos de escalada, enquanto a diplomacia italiana procura transformar o incidente numa reafirmação de soberania sem rutura estratégica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A primeira-ministra italiana afirmou que não pretende continuar a alimentar o conflito com Trump e espera um regresso à normalidade nas relações bilaterais com os Estados Unidos. Discursando num fórum em Roma, reiterou a necessidade de uma cooperação construtiva.
A primeira-ministra italiana respondeu a Trump, pedindo-lhe que se concentrasse na sua própria popularidade, depois de ele ter questionado a dela. A disputa escalou com acusações mútuas, e Meloni classificou os ataques de Trump como insensatos e não provocados.
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