
Mbappé critica tática após França cair perante Espanha no Mundial
Derrota por 2-0 nas meias-finais expõe fragilidades técnicas e táticas dos Bleus, que falham terceira final consecutiva.
A Espanha selou o regresso a uma final do Campeonato do Mundo doze anos depois da conquista na África do Sul, ao dominar a França por 2-0 em Arlington, no Texas. O penalty convertido por Mikel Oyarzabal na primeira parte, após falta de Lucas Digne sobre Lamine Yamal, e o golo de Pedro Porro na segunda metade construíram uma vitória que a imprensa espanhola descreveu como um exercício de controlo absoluto. Do outro lado, o capitão francês Kylian Mbappé não escondeu a frustração e apontou diretamente à estratégia de pressão definida por Didier Deschamps, lamentando a inferioridade numérica no meio-campo e a falta de comunicação na hora de recuperar a bola.
A análise do jogo, partilhada por comentadores em Paris e Madrid, sublinha o contraste entre o plano espanhol, fiel à posse e à gestão dos ritmos, e a incapacidade francesa de impor a intensidade alta que prometera. Mbappé, em declarações à televisão francesa, foi cirúrgico: «Éramos três contra dois no meio-campo e, contra a Espanha, isso é muito difícil. Fabián Ruiz e Rodri tiveram tempo de sobra para jogar.» O avançado do Real Madrid, que terminou a prova com oito golos e empatado com Lionel Messi na corrida pela Bota de Ouro, reconheceu que a equipa «não fez o jogo que queria, nem tática nem tecnicamente» e que os primeiros toques e passes «não estiveram à altura de uma meia-final».
Na perspetiva de Brasília, onde o Mundial é acompanhado com atenção redobrada pela proximidade com a Argentina, a eliminação francesa foi lida como um sinal de que o favoritismo pré-torneio nem sempre resiste à coesão coletiva. Já em Lisboa, observadores notam que a Espanha de Luis de la Fuente conseguiu neutralizar uma das frentes ofensivas mais temidas, limitando a França a dois remates enquadrados e a um valor de golos esperados (xG) residual durante largos períodos. Rayan Cherki, lançado na segunda parte, resumiu o sentimento de impotência ao admitir que os espanhóis «foram melhores em todos os aspetos do jogo» e que «tiveram mais fome».
A derrota gerou ondas de choque em Paris, onde o presidente Emmanuel Macron recorreu às redes sociais para agradecer aos jogadores e sublinhar que a equipa é «jovem e cheia de futuro», enquanto a ministra do Desporto, Marina Ferrari, falou em «duche frio». Didier Deschamps, por seu turno, reconheceu que a sua equipa foi «tecnicamente a segunda melhor» e que a responsabilidade é coletiva. Mbappé, que viu um cartão amarelo aos 86 minutos após choque com Unai Simón, assumiu o ónus da capitania: «Quando se ganha, ganha-se de cabeça erguida; quando se perde, também se perde de cabeça erguida.»
A França disputará agora o jogo de atribuição do terceiro lugar, no sábado, contra o perdedor da outra meia-final entre Argentina e Inglaterra, enquanto a Espanha aguarda o vencedor desse duelo para a final de domingo. A despedida dos Bleus encerra o sonho de uma terceira final consecutiva e reabre o debate, sobretudo na imprensa desportiva europeia, sobre a capacidade de Deschamps renovar uma geração que, no papel, parecia destinada a dominar o futebol mundial.
| Imprensa africana subsaariana | 0.00 | neutral |
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| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
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Mbappé fala em nome da equipe e critica a tática, assumindo a responsabilidade pela derrota.
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Mbappé assume a responsabilidade e admite os erros da equipe, sem culpar diretamente o treinador.
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