
Marco Rubio controla as finanças da Venezuela e exige reformas a Cuba
O secretário de Estado dos EUA gere as receitas do petróleo venezuelano e dita nomeações governamentais, enquanto pressiona Havana por mudanças políticas, revela o New York Times.
De acordo com uma investigação publicada pelo New York Times, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, exerce um controlo de facto sobre as finanças, os recursos naturais e as decisões políticas da Venezuela a partir de Washington. O mecanismo, montado após a captura do presidente Nicolás Maduro por comandos dos EUA em janeiro de 2026, centraliza no Tesouro norte-americano as receitas da maior parte das exportações petrolíferas do país, distribuindo-as depois gradualmente através da banca privada venezuelana sob condições definidas por Rubio e a sua equipa. Esta gestão alarga-se à emissão de licenças que permitem a empresas estrangeiras operar sob isenção de sanções e à reconfiguração do setor energético em favor de companhias dos Estados Unidos.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, mantém contacto diário com Rubio através do WhatsApp, consultando-o sobre nomeações governamentais — incluindo o cargo de ministro da Defesa — e alinhando a política externa do país com as prioridades de Washington. O executivo venezuelano foi obrigado a apagar uma condenação a um ataque norte-americano ao Irão e a extraditar o empresário Alex Saab, próximo de Maduro. Na perspetiva de Brasília, onde o governo Lula mantém uma relação ambivalente com o chavismo, a tutela financeira de Caracas é vista com inquietação. Em Lisboa, a numerosa comunidade luso-venezuelana assiste com ceticismo a um processo que, embora procure estabilizar a economia, adia indefinidamente a realização de eleições. Em Luanda, a memória da intervenção cubana em África e a proximidade com Havana alimentam um olhar crítico sobre o que analistas angolanos definem como “protetorado à moda antiga”.
Paralelamente, a administração Trump, com Rubio — filho de exilados cubanos — na linha da frente, intensifica a pressão sobre Cuba. Numa declaração, o secretário exigiu que o governo de Havana aceite “reformas reais antes que seja tarde demais”, acusando a ilha de albergar bases militares chinesas e de constituir uma ameaça à segurança nacional dos EUA. O presidente Miguel Díaz-Canel negou as acusações, classificando-as como “manipulação”, e denunciou o bloqueio petrolífero total como causa do novo colapso da rede elétrica. Washington anunciou ainda restrições de vistos a altos responsáveis cubanos por alegadas violações de direitos humanos durante os protestos de 2021. Ao mesmo tempo, emergem fissuras no interior do regime: o neto de Raúl Castro, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, afirmou em entrevista ao USA Today a sua disponibilidade para negociar com qualquer enviado de Washington, incluindo Trump, o que gerou críticas incomuns de figuras do oficialismo, como o jornalista da televisão estatal Michel Torres, que questionou a usurpação de funções. O primeiro-ministro Manuel Marrero validou publicamente o papel do “Cangrejo” nos diálogos, confirmando que a Casa Branca vê nele um potencial interlocutor para uma abertura económica, à semelhança do que Delcy Rodríguez representa em Caracas.
A ofensiva diplomática de Washington reconfigura o relacionamento hemisférico. O modelo aplicado na Venezuela — controlo financeiro, condicionalidade orçamental e manutenção de grande parte do aparelho de Estado herdado de Maduro — suscita reservas entre observadores latino-americanos. Em Havana, a crise energética e o cerco econômico são usados como argumento para a resistência, mas a exposição das contradições internas e a pressão externa aumentam a incerteza sobre o futuro político da ilha. O dossiê evolui sem calendário eleitoral definido em Caracas e com a perspetiva de novas medidas coercivas contra Cuba, num momento em que o governo Trump insiste que os “líderes cubanos se comprometam com a paz e a prosperidade”.
| Imprensa israelense | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.90 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.40 | critical |
Critical Israeli press exposes American hypocrisy: a Secretary of State acting as viceroy, while America preaches democracy.
It amplifies the gap between official discourse and reality, using Trump's joke as evidence that Venezuela's subjugation was planned.
It omits the link to Cuba and the strategic dimension of this control as a template for further pressure.
Latin America denounces the new form of colonialism: Rubio controls every aspect of Venezuelan life, humiliating national sovereignty.
It personifies interference in a single individual (Rubio) and portrays him as a viceroy, evoking historical memories of colonialism to mobilize indignation.
It omits the context of Trump's joke and the possibility that some Venezuelans support the intervention.
The Arab world acknowledges American control over Venezuela, without emotional emphasis but with implicit criticism of imperialism.
It presents facts as routine power politics, but the choice to reproduce the NYT report without additions signals critical distance.
It does not mention Cuba or historical dimensions of control, limiting itself to the immediate financial aspect.
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