
Macron reúne coligação em Paris e fala em defesa 'ao preço do sangue'
Cimeira dos 'voluntários' para a Ucrânia, com 37 países, discute garantias de segurança e defesa antimíssil, enquanto Moscovo denuncia 'belicistas'.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reuniu esta segunda-feira em Paris os líderes da chamada Coligação dos Voluntários, que agrupa 37 países de apoio militar à Ucrânia, num momento em que a Europa procura afirmar uma capacidade de defesa autónoma face ao distanciamento estratégico de Washington. No seu último discurso às Forças Armadas antes da festa nacional de 14 de julho, Macron declarou que o continente vive um «despertar estratégico» e que os europeus estão dispostos a defender a liberdade «ao preço do sangue, se necessário», embora tenha reiterado uma «linha clara de não-beligerância». O encontro, copresidido pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, contou com a presença do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e antecede a parada militar nos Campos Elísios, que este ano será aberta por 500 soldados dos Estados-membros da coligação.
Na perspetiva do Eliseu, a cimeira visa três objetivos: reforçar o apoio à Ucrânia, em particular na defesa antiaérea e antimíssil; aumentar a pressão sobre Moscovo com novas sanções europeias; e consolidar as garantias de segurança a Kiev para dissuadir futuras agressões. A denominada «coligação antibalística», reunida à margem do encontro, deverá acelerar a produção licenciada de sistemas de defesa aérea em território ucraniano. Ao mesmo tempo, a Força Multinacional para a Ucrânia, cujo estado-maior está instalado nos arredores de Paris, será oficialmente declarada pronta para ser projetada em caso de cessar-fogo, com a passagem do comando de França para o Reino Unido nos próximos doze meses e a programação de exercícios conjuntos. Os Estados Unidos, que excluem o envio de tropas terrestres, não integram formalmente a coligação, mas participariam na verificação de um eventual armistício, segundo fontes diplomáticas europeias.
A reação de Moscovo foi imediata. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou a coligação como um grupo de «iluminados e belicistas» que se alimentam da «ilusão profunda» de infligir uma derrota estratégica à Rússia, e advertiu que quaisquer forças estrangeiras no terreno serão consideradas «alvos legítimos». Na leitura de analistas em Moscovo, a iniciativa franco-britânica é vista como uma tentativa de prolongar o conflito e de marginalizar a Rússia nas negociações de segurança europeia. Em contraste, observadores em Lisboa sublinham que a participação de Portugal na coligação, ainda que sem menção explícita de envio de tropas, se inscreve na linha de compromisso atlântico do país, enquanto o Brasil, sob a presidência de Lula da Silva, mantém uma posição de não alinhamento e defende uma solução negociada que envolva todas as partes.
A coligação, lançada em fevereiro de 2025 por França e Reino Unido, já se reuniu mais de quinze vezes e adotou em janeiro passado a Declaração de Paris, que estabelece garantias de segurança robustas e um mecanismo de monitorização do cessar-fogo. O contexto é marcado pelo reacender do debate sobre a autonomia estratégica europeia, num momento em que a administração Trump dá sinais contraditórios de apoio a Kiev e a extrema-direita ganha terreno em vários países do bloco. A cimeira de Paris procura, assim, projetar unidade e determinação, num cenário em que a guerra se prolonga pelo quinto ano e as defesas aéreas ucranianas enfrentam uma pressão crescente. O desfile militar de terça-feira, com a presença de cerca de trinta chefes de Estado e de governo, entre os quais o Presidente italiano, Sergio Mattarella, servirá de montra simbólica dessa mobilização.
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A Europa está despertando estrategicamente e se prepara para se defender por qualquer meio, mesmo ao custo de sangue.
Usa a retórica do 'despertar estratégico' para apresentar a mobilização europeia como uma reação inevitável e nobre à agressão russa, criando um senso de urgência e unidade.
Não relata a condenação russa que define a coalizão como 'belicistas', presente nos relatos europeus continentais.
A França e seus aliados estão se rearmando e organizando a Coalizão dos Voluntários, enquanto a Rússia os acusa de serem belicistas.
Equilibra as declarações de Macron com as críticas russas, apresentando o conflito como uma disputa entre duas narrativas opostas sem tomar uma posição explícita.
A Europa defenderá a liberdade a todo custo, e a cúpula da Coalizão dos Voluntários pressiona por um cessar-fogo.
Relata os fatos de forma distante, sem enfatizar nem a retórica europeia nem as críticas russas, mantendo um tom neutro.
Não menciona a reação russa que acusa a coalizão de ser belicista, presente em relatos europeus.
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