
Lula adverte Trump: 'Não se meta nas eleições do Brasil'
Em Évian, presidente brasileiro reagiu a comentários do homólogo americano sobre a situação política do país e reafirmou soberania eleitoral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a cúpula do G7, em Évian, na França, para advertir Donald Trump de que não deve interferir nas eleições brasileiras de outubro. “Não se meta nas eleições do Brasil”, disse Lula em entrevista coletiva nesta quarta-feira (17), reagindo a comentários do homólogo norte-americano que classificaram o país como “politicamente difícil” e criticaram a detenção de um aliado da família Bolsonaro. Com ironia, Lula prometeu levar uma urna eletrónica ao próximo encontro bilateral para demonstrar a fiabilidade do sistema de votação.
A tensão entre os dois governos intensificou-se nas últimas semanas, impulsionada pela aproximação do pleito em que Lula, aos 80 anos, busca um quarto mandato. O seu principal adversário será o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado declarado de Trump. Poucos dias antes, Washington designara duas facções criminosas brasileiras — o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital — como organizações terroristas, gesto que Brasília interpretou como um aceno ao bolsonarismo e uma ingerência indireta. Lula reagiu então com indignação, afirmando que o Brasil “não é um país de pacotilha”.
Na resposta em Évian, o presidente brasileiro distinguiu as preferências pessoais de Trump do respeito devido a um Estado soberano. “Por mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro — do pai, do filho, do neto. Gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições no Brasil”, declarou, sublinhando o princípio da reciprocidade: “As eleições no Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são problema deles.” Observadores europeus notaram o contraste entre a defesa da civilidade eleitoral por um líder de esquerda e as acusações de interferência que marcaram a política norte-americana.
Analistas em Brasília veem na troca de farpas um prenúncio de maior deterioração bilateral. A menção à urna eletrónica não foi fortuita: o sistema brasileiro, elogiado pela rapidez e segurança, foi alvo de desconfiança de aliados de Bolsonaro no passado, ecoando narrativas de fraude semelhantes às que circularam nos Estados Unidos. Ao oferecer-se para exibi-lo a Trump, Lula procurou defender a integridade do processo eleitoral e expor o que considera ser uma ingerência baseada em desinformação. O episódio projeta incerteza sobre o diálogo entre as duas maiores economias das Américas, num momento em que a Casa Branca mantém canais abertos com o governo Lula, mas também sinaliza sintonia com o bolsonarismo, testando os limites da soberania brasileira.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Lula rechaçou com firmeza a interferência de Trump, frisando que as eleições brasileiras são uma questão interna. Defendeu a soberania nacional, lembrando que as eleições americanas também não são da sua conta.
Na cimeira do G7, o presidente Lula respondeu aos comentários de Trump pedindo-lhe que não interferisse nas próximas eleições brasileiras. A troca sublinha tensões diplomáticas, com Lula a afirmar que cada processo eleitoral é um assunto nacional.
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