
Líbano retira tropas do sul após avanço israelita e ataques a Nabatiyeh
Exército libanês abandona quartel em Kfar Tebnit enquanto Israel emite ordens de evacuação e bombardeia localidades estratégicas, reacendendo receios de uma guerra prolongada.
O Exército libanês retirou as suas tropas do quartel de Kfar Tebnit, no sul do país, este sábado, na sequência do avanço de forças israelitas na área circundante. A manobra ocorreu enquanto Telavive emitia avisos de evacuação para cerca de vinte localidades, incluindo a cidade de Nabatiyeh, e lançava ataques aéreos e de artilharia que mataram duas pessoas em Deir al-Zahrani. A operação, que levou a Agência Nacional de Notícias libanesa a relatar múltiplos bombardeamentos, insere-se numa escalada que, desde março, já causou mais de 3.700 mortos no Líbano e dezenas de baixas do lado israelita.
Na perspetiva de Brasília, a retirada das forças regulares libanesas de uma posição próxima da linha de demarcação com Israel acende alertas sobre a segurança da missão de paz da ONU no terreno (UNIFIL), que integra um contingente naval brasileiro e tropas portuguesas. Observadores em Lisboa notam que o recuo do exército de Beirute, combinado com a emissão de ordens de evacuação em larga escala, sugere que Israel procura criar uma zona-tampão de facto, para além do quadro definido pela Resolução 1701 do Conselho de Segurança. A tomada do estratégico monte Ali Taher, que permite controlo visual e tático sobre Nabatiyeh, é apontada como objetivo militar imediato das forças israelitas.
Analistas no Médio Oriente sublinham que a atual ofensiva decorre da premissa israelita de uma “guerra decisiva”, não resolvida pelo cessar-fogo de novembro de 2024. Apesar do acordo, o Hezbollah manteve capacidade de reorganização, arsenais parcialmente reconstituídos e presença militar no sul do Líbano, o que Telavive interpreta como uma ameaça persistente. A nova vaga de ataques e a pressão sobre localidades como Nabatiyeh, Rihan e Sujud indicam uma tentativa de desmantelar essas estruturas antes que se consolidem, ainda que ao custo de deslocar novamente milhares de civis e de expor as limitações das instituições libanesas.
Para a comunidade lusófona, o agravamento do conflito tem repercussões que vão além da segurança dos capacetes azuis. A instabilidade no Levante tende a influenciar os fluxos de refugiados e as dinâmicas geopolíticas que afetam a bacia do Mediterrâneo, com impacto indireto em países como Portugal. Ao mesmo tempo, a polarização regional pode respingar nos debates diplomáticos em fóruns onde o Brasil e as nações africanas de língua portuguesa têm procurado afirmar uma voz própria, como a CPLP e as Nações Unidas.
A continuidade das hostilidades, sem um quadro político que substitua o cessar-fogo de 2024, aponta para um ciclo de violência difícil de interromper. Enquanto Israel insiste na necessidade de neutralizar o Hezbollah, a retirada do exército libanês de Kfar Tebnit expõe a fragilidade do Estado libanês e o risco de o sul do país se transformar num vazio de soberania, ocupado intermitentemente por forças israelitas e milícias. Sem um novo equilíbrio regional, a fronteira entre os dois países continuará a ser uma das linhas mais voláteis do Médio Oriente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O exército libanês retirou suas tropas da base de Kfar Tebnit após o avanço das forças israelenses e a emissão de ordens de evacuação para cerca de 20 localidades no sul do Líbano. Ataques aéreos atingiram áreas próximas a Nabatiyeh, matando duas pessoas em Deir al-Zahrani.
O Líbano é refém dos erros de Netanyahu. A estratégia israelense de guerra decisiva resultou em deslocamentos forçados, ataques aéreos e mortes, com o exército libanês sendo forçado a recuar. É o preço de uma política falhada.
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