
Líbano busca retirada total israelita, diz premiê em visita a zona-piloto no sul
Nawaf Salam visitou Zawtar al-Gharbiya após início da retirada israelita, enquanto acordo mediado pelos EUA testa capacidade do exército libanês de desarmar o Hezbollah.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou nesta quarta-feira que o governo trabalha por uma “retirada israelita total” do sul do país, durante uma visita à localidade de Zawtar al-Gharbiya, onde o exército libanês iniciou a sua implantação no dia anterior. A deslocação ocorre no quadro de um acordo tripartido assinado no mês passado com Israel e os Estados Unidos, que prevê a criação de “zonas-piloto” para testar a capacidade das Forças Armadas Libanesas de assumirem o controlo e desarmarem o Hezbollah, abrindo caminho a retiradas israelitas de outras áreas. Salam içou a bandeira libanesa na aldeia e declarou que o momento “representa o início da retirada israelita da nossa terra”, sublinhando que o executivo mobilizará todos os esforços políticos e diplomáticos para assegurar a saída completa das forças israelitas.
Na perspetiva de Washington, o estabelecimento destas zonas constitui um teste à soberania das forças armadas libanesas. Um responsável norte-americano citado pela imprensa internacional indicou que o exército libanês deverá “limpar as zonas de armas e infraestruturas do Hezbollah, conduzir operações de verificação e garantir que o grupo não as utilize para atividades militares”. A administração Trump, que recebeu o presidente libanês Joseph Aoun na Casa Branca na véspera, vê nestas zonas-piloto um mecanismo para “construir confiança” entre as partes e criar impulso para alargar o processo. Contudo, fontes em Telavive notam que Israel considera a retirada inicial um teste e que ainda decorrem negociações sobre quem verificará o cumprimento das operações de desarmamento antes da fase seguinte.
A visita de Salam foi recebida com reações contrastantes no terreno. Moradores de Zawtar al-Gharbiya e da vizinha Zawtar al-Sharqiya, ocupada por Israel, manifestaram frustração por o primeiro-ministro ter entrado na localidade escoltado pelo exército sem interagir com a população, que aguardava autorização para regressar às suas casas. “Ele devia ter trazido o povo consigo para poder reivindicar a vitória”, disse uma residente à agência AFP. Paralelamente, o exército libanês relatou que forças israelitas “abriram fogo” nas imediações das suas unidades durante a implantação, incidente que Telavive descreveu como “tiros de aviso para o ar” após soldados libaneses entrarem numa área fora da zona-piloto. O Hezbollah, por seu lado, rejeitou repetidamente o acordo e recusa depor as armas, segundo fontes regionais.
O contexto mais amplo é o de um conflito que rebentou em março de 2026, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irão, desencadeando uma ofensiva israelita de grande escala que causou mais de 4.300 mortos no Líbano e deslocou mais de um milhão de pessoas. A violência diminuiu acentuadamente após a assinatura de um acordo-quadro entre Washington e Teerão e do pacto Líbano-Israel. Mais de 700 mil deslocados regressaram a casa nas últimas semanas, segundo as Nações Unidas. Observadores em Lisboa e Brasília acompanham com atenção o processo, que poderá influenciar a estabilidade regional e o papel das forças multilaterais, num momento em que as eleições israelitas de outubro são apontadas como um fator que condiciona o ritmo da retirada.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.80 | aligned |
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| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
O Líbano, através do seu primeiro-ministro, reafirma a sua soberania e exige uma retirada israelense completa, apresentando-se como um ator legítimo e determinado.
A narrativa utiliza a visita do primeiro-ministro e o hasteamento da bandeira como atos simbólicos de recuperação do território, reforçando a legitimidade do Estado libanês e sua capacidade de agir diplomaticamente.
O bloco omite o contexto do acordo que exige o desarmamento do Hezbollah pelo exército libanês, concentrando-se apenas na retirada israelense e na soberania nacional.
A agência de notícias relata a declaração do primeiro-ministro libanês como um fato, sem tomar partido, e destaca o mecanismo do acordo patrocinado pelos Estados Unidos e o papel do exército no desarmamento do Hezbollah.
A notícia é enquadrada como um relato objetivo, citando fontes oficiais e detalhes do acordo, sem enfatizar o significado simbólico ou nacional.
O bloco omite os elementos simbólicos e a mensagem direta aos moradores do sul, concentrando-se nos aspectos processuais do acordo.
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