
Knicks encerram jejum de 53 anos na NBA com vitória e festa marcada por violência
Jalen Brunson foi o herói da reconquista, mas celebrações em Nova Iorque resultaram em 63 detidos, autocarros do Mundial 2026 incendiados e críticas políticas.
O New York Knicks sagrou-se campeão da NBA na madrugada de domingo, ao derrotar os San Antonio Spurs por 94-90 no quinto jogo das Finais, em pleno Frost Bank Center, no Texas. Comandados por um inspirado Jalen Brunson – que anotou 45 pontos e foi eleito MVP das finais –, os nova-iorquinos anularam uma desvantagem de 16 pontos e fecharam a série por 4-1, conquistando o primeiro título desde 1973. A equipa, orientada pelo estreante Mike Brown e apelidada de “Nova Knicks” pela química entre jogadores como Josh Hart e Karl-Anthony Towns, mostrou resiliência perante um adversário que dominou largos períodos, mas cujos erros, admitiu Victor Wembanyama, foram “punidos com dureza”.
A explosão de euforia em Manhattan descambou rapidamente em caos. Milhares de adeptos saíram às ruas e, na manhã seguinte, a polícia contabilizava 63 detidos e dez agentes feridos, além de um adolescente baleado em Times Square. Nove autocarros escolares originalmente destinados ao transporte para o Mundial de Futebol de 2026 foram abandonados; cinco deles foram incendiados ou destruídos por vândalos. Na perspetiva de Brasília, o incidente reacendeu preocupações com a segurança do torneio que terá o Brasil entre os participantes, enquanto em Lisboa a dimensão dos distúrbios foi notada como um sinal de alerta para eventos de massas.
Entre as celebridades que acompanharam a campanha, o ator Timothée Chalamet, indicado ao Oscar, gritou “muito melhor do que o Oscar!”, e Taylor Swift marcou presença com uma camisola alusiva à equipa. O mayor Zohran Mamdani juntou-se ao desfile porto-riquenho com o campeão Jose Alvarado, mas a cobertura da Fox News criticou a esquerda por desviar o mérito dos jogadores. Em Portugal e nos países lusófonos de África, onde o basquetebol norte-americano atrai cada vez mais seguidores, a vitória dos Knicks foi celebrada, ainda que ofuscada pelas imagens de violência.
A conquista encerra uma longa travessia no deserto e projeta um futuro promissor para uma franquia que encontrou no técnico Brown a liderança certa. O pai de Brunson, antigo jogador, rejeitou comparações apressadas, mas muitos já colocam o filho entre os maiores da história do clube. Do lado dos Spurs, Wembanyama encarou a derrota como a maior lição da sua vida, prometendo um regresso forte. A uma década do Mundial de futebol em solo americano, a festa manchada de Nova Iorque também serviu de lembrete: o desporto une multidões, mas testa os limites da ordem pública.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa atlântica retrata o título dos Knicks como um regresso triunfal após 53 anos, sublinhando a fibra da equipe e a euforia estrelada da cidade. Os episódios de violência são tratados como detalhe menor, enquanto o foco se mantém na épica sequência de vitórias, no desfile com as chaves da cidade e na celebração coletiva entre adeptos, celebridades e a administração progressista.
A imprensa da Europa continental funde nostalgia e orgulho revanchista: traça a infância de Jalen Brunson em Bolonha e trata o troféu como a vingança dos eternos subestimados. Ao mesmo tempo, o tom alarmista domina o relato dos tumultos, com autocarros em chamas e dezenas de detenções a manchar a noite histórica.
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