
EUA e Irão encerram conversações com célula para Líbano, mas tiroteio israelita mata dois
Acordo provisório prevê mecanismo de desconflição, porém disparos de tropas israelitas no sul do Líbano testam trégua enquanto recomeçam negociações Beirute-Israel em Washington.
As conversações de alto nível entre Estados Unidos e Irão, mediadas pelo Paquistão e pelo Catar na Suíça, terminaram na segunda-feira com o anúncio da criação de uma “célula de desconflição” que incluirá o governo libanês para garantir o fim das operações militares no Líbano. Contudo, na terça-feira, disparos de tropas israelitas mataram duas pessoas em Nabatieh al-Fawqa, no sul do país, no primeiro incidente fatal desde que a trégua, acordada no âmbito do memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerã, entrou em vigor no sábado.
Na perspetiva de Teerã, o embaixador iraniano em Genebra afirmou que o Líbano é “parte inquestionável” do acordo e que qualquer violação compromete todo o processo, instando os EUA a usarem a sua influência sobre Israel. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, manifestou otimismo quanto à manutenção do cessar-fogo. Já o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou que as forças israelitas mantêm “total liberdade de ação” e permanecerão no sul do Líbano “pelo tempo que for necessário”. O presidente libanês, Joseph Aoun, reiterou que Beirute negoceia por si própria e rejeita “tutelas estrangeiras”, numa alusão ao Irão, ao mesmo tempo que exige um calendário para a retirada das tropas israelitas.
A célula de desconflição, anunciada pelos mediadores, visa coordenar o cumprimento da cessação de hostilidades, mas a sua eficácia é posta em causa pela insistência de Israel em manter liberdade operacional e pela acusação do Hezbollah de “violação flagrante” da trégua. A quinta ronda de conversações diretas entre Líbano e Israel teve início esta terça-feira em Washington, ofuscada pelo acordo EUA-Irão. Fontes diplomáticas em Beirute consideram que o memorando enfraqueceu a posição negocial do Estado libanês, enquanto o Hezbollah aposta na via iraniana para obter a retirada israelita.
O conflito atual foi desencadeado a 2 de março, quando o Hezbollah disparou contra Israel em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas que mataram o líder supremo iraniano. Desde então, as operações israelitas causaram mais de 4.100 mortos no Líbano e deslocaram 1,2 milhões de pessoas. As quatro rondas anteriores de negociações bilaterais, iniciadas em abril sob pressão dos EUA, não produziram um cessar-fogo duradouro. Israel exige o desarmamento do Hezbollah, enquanto o governo libanês teme que uma confrontação direta com o grupo desencadeie um conflito civil.
O memorando EUA-Irão prevê a cessação das hostilidades em todas as frentes e as conversações técnicas prosseguirão com grupos de trabalho sobre sanções, questões nucleares, reconstrução económica e monitorização. A próxima etapa conhecida é a continuação das negociações libanesas-israelitas, que deverão durar três dias, com Beirute a exigir um calendário “razoável” de retirada. A implementação da célula de desconflição e a evolução da trégua no terreno permanecem incertas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Tiros israelenses mataram duas pessoas no sul do Líbano, testando um cessar-fogo que tem sido amplamente respeitado desde domingo. A trégua está ligada ao conflito mais amplo entre EUA e Irã que iniciou a guerra em março. O incidente levanta questões sobre a durabilidade da calma.
Forças israelenses abriram fogo de metralhadora contra civis em Nabatieh al-Fawqa, matando dois jovens que estavam perto de uma equipe que limpava estradas e recuperava corpos. O Hezbollah condenou o ataque como uma violação flagrante do cessar-fogo, ressaltando que a resistência havia aderido à trégua. O incidente evidencia o desrespeito de Israel pelo acordo.
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