
Santander e Renault negociam saídas voluntárias para ajustar quadros na Europa
Planos de pré-reforma em Espanha e de saída de engenheiros em França refletem pressão da digitalização e da concorrência chinesa, enquanto UBS propõe reforma do sistema de pensões suíço.
O Santander iniciou negociações formais com sindicatos em Espanha para um plano de pré-reformas voluntárias, sem meta definida de saídas, mas fontes citadas pelo jornal Expansión apontam para um potencial de 2.000 a 3.000 funcionários, o equivalente a 10% a 15% da força de trabalho no país. Simultaneamente, a Renault anunciou um plano de saídas voluntárias para 800 engenheiros em França até ao final de 2027, no âmbito de uma reorganização que reduzirá entre 15% e 20% dos postos de engenharia a nível global.
Ambos os processos assentam em adesão voluntária e evitam despedimentos forçados. No Santander, as condições em negociação incluem percentagens do salário bruto (74% para trabalhadores entre 55 e 57 anos, 76% a partir dos 58), manutenção de contribuições para planos de pensões e revalorização anual. A Renault combinará as saídas com a recolocação interna de cerca de 500 engenheiros e a contratação de 150 a 200 novos perfis em áreas como software, inteligência artificial embarcada e eletrificação. A banca e a indústria automóvel europeias enfrentam pressões estruturais: o Santander estima que iniciativas de IA gerem mais de mil milhões de euros em poupanças e receitas até 2028, enquanto a Renault cita a necessidade de responder à quota crescente de fabricantes chineses no mercado europeu, que atingiu 8,8% em maio.
Os sindicatos espanhóis reivindicam condições superiores às do último ERE de 2020, invocando os lucros recordes do banco presidido por Ana Botín. A CCOO exige que o acordo contemple carreiras contributivas mais curtas e seja atrativo para trabalhadores próximos da idade de pré-reforma. Em França, a Renault sublinha que o país continuará a ser o principal centro de engenharia do grupo, mas a reestruturação visa “simplificar” a organização e aumentar a “velocidade de execução”. A UBS, num estudo sobre a previdência suíça, propõe um pacote que inclui o reforço do AVS (seguro de velhice) e o aumento da idade de reforma, assumindo um tom “provocador” para superar o impasse político. Para mercados lusófonos, o Santander tem presença relevante no Brasil e em Portugal, mas o plano em negociação restringe-se a Espanha; a Renault opera em Portugal através de centros de engenharia e no Brasil com fábricas, embora o ajuste anunciado se concentre em França.
As negociações do Santander deverão prosseguir nas próximas semanas, com o objetivo sindical de fechar um acordo até meados de julho, enquanto o banco não fixa prazo. A Renault implementará as saídas de forma progressiva até 2027, com a apresentação do plano de reorganização aos parceiros sociais já realizada. O desfecho destes processos dependerá da adesão voluntária e da capacidade de ambas as empresas em reter talento crítico durante a transição tecnológica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As empresas europeias enfrentam a mudança estrutural com pré-aposentadorias voluntárias e reformas da previdência. A ênfase está na competitividade de longo prazo e na parceria social, enquanto propostas como um modelo de quatro pilares visam tornar os sistemas de aposentadoria sustentáveis.
As grandes corporações europeias recorrem a demissões em massa disfarçadas de aposentadorias voluntárias antecipadas, impulsionadas pela inteligência artificial e pela concorrência chinesa. Os trabalhadores arcam com o custo da reestruturação, enquanto os sindicatos negociam sem garantias concretas.
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