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Geopolítica & Políticaquinta-feira, 25 de junho de 2026

Irão rejeita alegação dos EUA sobre uso de ativos descongelados para compras agrícolas

Presidente do Parlamento iraniano ironiza promessas americanas e afirma que única colheita é 'décadas de desconfiança', enquanto Washington insiste na supervisão dos fundos.

O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, rejeitou nesta quinta-feira (25) a alegação dos Estados Unidos de que os ativos iranianos descongelados no âmbito do recente acordo bilateral serão utilizados para adquirir produtos agrícolas americanos. Numa publicação na rede social X, Qalibaf ironizou: “A América afirma falsamente que os nossos ativos descongelados serão gastos na compra dos seus produtos agrícolas. Curioso. A única colheita que fazemos é aquilo que plantaram: décadas de desconfiança”. O também chefe da equipa negociadora acrescentou que os EUA “só exportam soja transgénica, promessas quebradas e conversa fiada”.

A declaração surge em resposta a sucessivas afirmações de altos funcionários norte-americanos. O vice-presidente J.D. Vance tinha indicado, no início da semana, que os fundos iranianos libertados seriam direcionados para a compra de bens agrícolas dos EUA. O presidente Donald Trump detalhou, na quarta-feira, que a fase inicial de alívio financeiro envolverá cerca de 500 milhões de dólares em produtos americanos, como milho, trigo e soja, sem qualquer transferência de dinheiro para Teerão. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, acrescentou que a libertação será supervisionada por funcionários norte-americanos no Catar e que “uma percentagem muito elevada” se destinará a alimentos e medicamentos adquiridos exclusivamente nos Estados Unidos.

Do lado iraniano, a rejeição é categórica. Fontes em Teerão sublinham que o memorando de entendimento de 14 pontos, assinado eletronicamente a 18 de junho pelos presidentes Masoud Pezeshkian e Donald Trump, com mediação do Paquistão, prevê o acesso pleno aos ativos congelados e o fim de todas as sanções, incluindo resoluções do Conselho de Segurança da ONU, sem condicionantes explícitas sobre o destino dos fundos. A metáfora agrícola de Qalibaf — “produto orgânico, abundante e caseiro” — ecoa a narrativa oficial iraniana de que a desconfiança em relação a Washington é uma construção histórica, enraizada em décadas de promessas não cumpridas.

O episódio insere-se num contexto de implementação frágil do acordo, que prevê a libertação faseada de ativos estimados em dezenas de mil milhões de dólares. A primeira tranche, segundo o Tesouro norte-americano, será canalizada através do Catar, com mecanismos de verificação no terreno. Em Brasília, diplomatas observam que a insistência de Washington em atrelar a ajuda humanitária à compra de produtos agrícolas próprios reacende debates sobre práticas de ajuda vinculada, num momento em que o Brasil procura expandir as suas exportações de alimentos para o Médio Oriente. O impasse retórico entre as duas capitais mantém-se, enquanto se aguarda a operacionalização dos primeiros desembolsos supervisionados.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa iraniana e afinsImprensa do Golfo árabe
Imprensa iraniana e afins/ Regime
IroniaCeticismoIndignação

Autoridades iranianas rejeitam com sarcasmo as alegações dos EUA de que os ativos descongelados devam ser gastos em produtos agrícolas americanos. Retrucam que a única colheita gerada por anos de política americana é uma profunda desconfiança, enquanto os EUA oferecem apenas soja transgênica, promessas quebradas e conversa fiada.

Imprensa do Golfo árabe/ Saudita
DistanciamentoPragmatismo

O negociador-chefe do Irã negou que os fundos iranianos descongelados seriam usados para comprar produtos agrícolas dos EUA, contradizendo declarações de autoridades americanas. Os EUA haviam afirmado que uma parte significativa dos ativos liberados seria destinada a alimentos e medicamentos americanos, mas Teerã insiste que decidirá de forma independente como gastar o dinheiro.

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Irão rejeita alegação dos EUA sobre uso de ativos descongelados para compras agrícolas

Presidente do Parlamento iraniano ironiza promessas americanas e afirma que única colheita é 'décadas de desconfiança', enquanto Washington insiste na supervisão dos fundos.

O principal negociador iraniano e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, rejeitou nesta quinta-feira (25) a alegação dos Estados Unidos de que os ativos iranianos descongelados no âmbito do recente acordo bilateral serão utilizados para adquirir produtos agrícolas americanos. Numa publicação na rede social X, Qalibaf ironizou: “A América afirma falsamente que os nossos ativos descongelados serão gastos na compra dos seus produtos agrícolas. Curioso. A única colheita que fazemos é aquilo que plantaram: décadas de desconfiança”. O também chefe da equipa negociadora acrescentou que os EUA “só exportam soja transgénica, promessas quebradas e conversa fiada”.

A declaração surge em resposta a sucessivas afirmações de altos funcionários norte-americanos. O vice-presidente J.D. Vance tinha indicado, no início da semana, que os fundos iranianos libertados seriam direcionados para a compra de bens agrícolas dos EUA. O presidente Donald Trump detalhou, na quarta-feira, que a fase inicial de alívio financeiro envolverá cerca de 500 milhões de dólares em produtos americanos, como milho, trigo e soja, sem qualquer transferência de dinheiro para Teerão. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, acrescentou que a libertação será supervisionada por funcionários norte-americanos no Catar e que “uma percentagem muito elevada” se destinará a alimentos e medicamentos adquiridos exclusivamente nos Estados Unidos.

Do lado iraniano, a rejeição é categórica. Fontes em Teerão sublinham que o memorando de entendimento de 14 pontos, assinado eletronicamente a 18 de junho pelos presidentes Masoud Pezeshkian e Donald Trump, com mediação do Paquistão, prevê o acesso pleno aos ativos congelados e o fim de todas as sanções, incluindo resoluções do Conselho de Segurança da ONU, sem condicionantes explícitas sobre o destino dos fundos. A metáfora agrícola de Qalibaf — “produto orgânico, abundante e caseiro” — ecoa a narrativa oficial iraniana de que a desconfiança em relação a Washington é uma construção histórica, enraizada em décadas de promessas não cumpridas.

O episódio insere-se num contexto de implementação frágil do acordo, que prevê a libertação faseada de ativos estimados em dezenas de mil milhões de dólares. A primeira tranche, segundo o Tesouro norte-americano, será canalizada através do Catar, com mecanismos de verificação no terreno. Em Brasília, diplomatas observam que a insistência de Washington em atrelar a ajuda humanitária à compra de produtos agrícolas próprios reacende debates sobre práticas de ajuda vinculada, num momento em que o Brasil procura expandir as suas exportações de alimentos para o Médio Oriente. O impasse retórico entre as duas capitais mantém-se, enquanto se aguarda a operacionalização dos primeiros desembolsos supervisionados.

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Imprensa iraniana e afinsImprensa do Golfo árabe
Imprensa iraniana e afins/ Regime
IroniaCeticismoIndignação

Autoridades iranianas rejeitam com sarcasmo as alegações dos EUA de que os ativos descongelados devam ser gastos em produtos agrícolas americanos. Retrucam que a única colheita gerada por anos de política americana é uma profunda desconfiança, enquanto os EUA oferecem apenas soja transgênica, promessas quebradas e conversa fiada.

Imprensa do Golfo árabe/ Saudita
DistanciamentoPragmatismo

O negociador-chefe do Irã negou que os fundos iranianos descongelados seriam usados para comprar produtos agrícolas dos EUA, contradizendo declarações de autoridades americanas. Os EUA haviam afirmado que uma parte significativa dos ativos liberados seria destinada a alimentos e medicamentos americanos, mas Teerã insiste que decidirá de forma independente como gastar o dinheiro.

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