
Irão inicia conversações com Japão para vender petróleo sob isenção temporária dos EUA
Compradores japoneses exigem extensão da isenção e garantias de segurança no Golfo Pérsico, enquanto as exportações iranianas para a China caem para mínimos de 17 meses.
O Irão deu início a conversações com empresas japonesas para retomar as vendas de petróleo bruto, ao abrigo de uma isenção temporária de sanções concedida pelos Estados Unidos no âmbito das negociações de paz de 60 dias entre Washington e Teerão. A licença, emitida a 22 de junho e válida até 21 de agosto, permite operações com crude, petroquímicos e derivados iranianos. Fontes iranianas e ocidentais indicam que três compradores japoneses avaliam a possibilidade de adquirir crude, o que representaria as primeiras importações do Japão desde 2019. Contudo, os potenciais compradores condicionam qualquer acordo à extensão da isenção para além de agosto e à obtenção de garantias quanto à segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
A reabertura deste canal diplomático insere-se num memorando de entendimento assinado em meados de junho, que levou ao levantamento do bloqueio naval aos portos iranianos e à retoma parcial do tráfego no estreito. Dados das consultoras Kepler e Vortexa mostram que as exportações combinadas de crude e condensados dos cinco maiores produtores do Golfo Pérsico subiram para 10,1 milhões de barris por dia em junho, mais 3,5 milhões face a maio, mas ainda 40% abaixo dos níveis anteriores ao conflito de 40 dias entre Israel, os EUA e o Irão. Os Emirados Árabes Unidos lideraram a recuperação, enquanto a Arábia Saudita aumentou os embarques em 768 mil barris diários. Apesar da trégua, a passagem por Ormuz permanece volátil: um navio porta-contentores foi atacado na semana passada e a Guarda Revolucionária iraniana exige que todos os trânsitos sejam previamente autorizados.
Em contraste com a aproximação ao mercado japonês, o fluxo de petróleo iraniano para a China — o seu principal cliente nos últimos anos — caiu para o nível mais baixo em 17 meses. As entregas diárias rondaram 1,1 milhões de barris em junho, uma quebra de 18% face a abril e de 36% em relação a março, segundo a Kepler. A redução reflete a menor procura das refinarias independentes chinesas, que operam com capacidade reduzida devido à subida dos preços globais, e o reforço da pressão naval norte-americana. Para sustentar as vendas, Teerão voltou a oferecer descontos de 50 cêntimos a 1 dólar por barril, depois de os ter suspendido durante o pico da crise. As reservas flutuantes de crude iraniano no Leste Asiático também diminuíram de 130 milhões para 79 milhões de barris, sinal de que o país tem recorrido a esses stocks para honrar compromissos.
Em Tóquio, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria afirmou desconhecer qualquer negociação, sublinhando que eventuais compras caberiam a empresas privadas e que a segurança das viagens dos petroleiros teria de ser garantida. O maior desafio, segundo um responsável de uma grande refinaria japonesa, será a obtenção de seguros para as cargas. O prazo de 21 de agosto para o termo da isenção temporária surge assim como o próximo marco factual a observar, enquanto as partes tentam converter o entendimento provisório num acordo de paz duradouro que clarifique o regime de sanções e a liberdade de navegação na região.
| Imprensa iraniana e afins | +0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | −0.50 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
Iran resumes oil talks with Japan, demonstrating flexibility and the ability to use the truce for its own economic interests.
By emphasizing the temporary nature of the truce and the need to diversify trade partners, the Iranian narrative normalizes the idea that Iran can benefit from any American concession.
Israel watches the truce with alarm, considering it a dangerous window during which Iran accumulates energy resources.
By projecting long-term threats onto the short-term truce, the Israeli narrative turns a diplomatic event into an imminent danger.
The truce is noted but its precariousness is emphasized, linked to internal Iranian dynamics.
By placing the truce within a framework of regional instability, the diplomatic achievement is downplayed.
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