
Irão e EUA selam memorando de cessar-fogo; assinatura será sexta-feira na Suíça
O entendimento, mediado pelo Paquistão, põe fim a 108 dias de guerra, suspende o bloqueio naval e abre caminho para negociações sobre o nuclear e as sanções nos próximos 60 dias.
Na madrugada de segunda-feira, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, anunciou que os Estados Unidos e o Irão tinham chegado a um memorando de entendimento para pôr fim a 108 dias de hostilidades. O presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou o acordo pouco depois, declarando-o “completo”. A assinatura formal está marcada para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, e o cessar-fogo imediato e permanente em todas as frentes — incluindo o Líbano — entra em vigor nesse momento. O anúncio foi recebido com alívio nas capitais de uma região exausta por mais de três meses de escalada militar.
O memorando, negociado com mediação intensa do Paquistão e apoiado por países como o Qatar, o Egipto, a Arábia Saudita e a Turquia, prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos assim que o texto for assinado. Nos 60 dias seguintes, as partes iniciarão negociações detalhadas sobre os dossiês mais espinhosos: o programa nuclear iraniano e as sanções económicas impostas por Washington. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, sublinhou, contudo, que o fim da guerra só será completo com a retirada das forças israelitas dos territórios ocupados no Líbano durante o conflito, deixando claro que Teerão considera Israel e o Hezbollah como partes beligerantes do acordo.
A comunidade internacional reagiu com um coro de aplausos. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o entendimento como “um passo crucial rumo a uma solução pacífica” e elogiou o papel construtivo dos mediadores regionais. A Arábia Saudita saudou o início das conversações e sublinhou a importância de restaurar a segurança na região. Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, o acordo é observado com atenção: a estabilização do Golfo Pérsico e a normalização da navegação em Ormuz são vitais para a previsibilidade dos preços do petróleo, com impacto directo nas economias lusófonas, de Angola ao Brasil.
Apesar do optimismo, o caminho até um acordo definitivo é estreito. As questões nucleares e as sanções têm um historial de impasses, e a exigência iraniana de desocupação israelita no Líbano introduz uma variável que depende de actores externos ao eixo Washington-Teherão. Os próximos 60 dias testarão a capacidade das partes de transformar um memorando de cessar-fogo numa arquitectura de paz duradoura. Para já, o silêncio das armas e a reabertura de uma via marítima crucial oferecem à região um respiro que não se via desde o início da guerra.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O entendimento entre Irã e EUA é apresentado como uma vitória diplomática para Teerã. O chanceler Araghchi anunciou que o memorando, finalizado no domingo, será assinado na sexta-feira na Suíça, iniciando uma nova rodada de negociações para um acordo definitivo. O fim da guerra no Líbano está incluído no pacote, e a comunidade internacional saudou o acordo.
O memorando entre EUA e Irã é saudado como um passo decisivo rumo à paz, mas com a ressalva de que o fim completo da guerra exige a retirada israelense dos territórios ocupados. A ONU e outros atores internacionais elogiaram o acordo, que prevê um cessar-fogo permanente e a reabertura do Estreito de Ormuz. O chanceler iraniano enfatizou que o acordo envolve de um lado EUA e Israel, e de outro Irã e Hezbollah, equilibrando esperança e condições firmes.
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