
Irão e Colômbia ajustam políticas económicas face à inflação e tensões externas
Enquanto Teerão pondera aumentar subsídios alimentares e negoceia um acordo com Washington, Bogotá prepara tarifas 'inteligentes' para proteger a indústria local.
O custo do cabaz alimentar básico no Irão subiu 68% desde o início do programa de vales eletrónicos, levando o Ministério do Bem-Estar a propor um aumento de 20% a 30% no crédito para os agregados familiares mais vulneráveis. Cerca de 87,5 milhões de pessoas — mais de 31 milhões de famílias — dependem atualmente deste apoio, cuja sexta fase arrancou em meados de maio. A medida esbarra, porém, na escassez de recursos: o governo procura fontes de financiamento não monetárias para evitar pressões inflacionistas adicionais, enquanto os preços dos 11 bens essenciais continuam a corroer o poder de compra.
Em paralelo, a perspetiva de um entendimento com os Estados Unidos domina o debate político e económico em Teerão. Um memorando de 60 dias, descrito por um deputado da Comissão de Orçamento como tendo dimensões “económica e política”, é visto como potencial catalisador para aliviar as restrições às exportações de petróleo e ao acesso a divisas. O político reformista Gholamhossein Karbaschi defendeu que “sem uma relação equilibrada com o mundo, não se constrói uma economia saudável”, apontando os modelos da Turquia e do Paquistão como referências. A mesma fonte sublinhou que a ausência de partidos com linhas programáticas estáveis e a falta de pluralismo nos media estatais dificultam a organização de um consenso interno em torno das negociações.
Do outro lado do Atlântico, o governo colombiano prepara um decreto que aplicará sobretaxas a mais de 120 produtos importados, entre artigos de higiene pessoal, roupa de cama, colchões e utensílios de cozinha. As tarifas adicionais, que variam entre 10 e 20 pontos percentuais, elevariam a taxa final para valores entre 20% e 35%. O Ministério do Comércio justifica a medida como um instrumento de “transformação produtiva” para corrigir assimetrias face a países sem acordos comerciais, mas analistas em Bogotá alertam que o sobrecusto será transferido para os consumidores e afetará empresas que dependem de matérias-primas importadas.
Ambos os casos ilustram a tensão entre a proteção do rendimento das famílias e os constrangimentos orçamentais ou comerciais. Em Teerão, a decisão final sobre o aumento do vale alimentar depende da garantia de fontes estáveis e não inflacionistas, enquanto o desfecho das conversações com Washington permanece incerto. Em Bogotá, o decreto ainda está em fase de preparação e a sua entrada em vigor poderá reacender o debate sobre o impacto das políticas protecionistas no custo de vida.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Irão está a expandir o seu programa de vales eletrónicos de alimentos para amortecer a inflação galopante: mais de 31 milhões de famílias já estão abrangidas e discute-se um aumento do crédito até 30% para os decis mais baixos. Um político reformista sublinha que sem relações externas equilibradas não pode nascer uma economia saudável, enquanto se multiplicam os apelos a uma reorganização estrutural do país.
A Colômbia prepara-se para impor tarifas 'inteligentes' a mais de 120 produtos importados, desde artigos de higiene a utensílios domésticos, com o risco de um aumento dos preços no consumidor. O governo defende a medida como proteção da indústria nacional, mas a opinião pública teme mais um golpe no poder de compra das famílias já castigadas pela inflação.
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