
Irão apela à redução do uso de ar condicionado após ataques dos EUA danificarem rede elétrica
O Ministério da Energia iraniano pediu à população que limite a climatização nas horas de pico, enquanto as temperaturas no sul ultrapassam os 50°C e prosseguem os bombardeamentos norte-americanos.
O Ministério da Energia do Irão apelou esta sexta-feira aos cidadãos para que reduzam o uso de aparelhos de ar condicionado durante as horas de maior consumo, com o objetivo de aliviar a pressão sobre uma rede elétrica danificada por sucessivos ataques dos Estados Unidos no sul do país. A medida, comunicada pela agência semioficial Tasnim, surge depois de as linhas de transmissão terem sido atingidas em zonas como Bandar Abbas, provocando cortes de eletricidade em províncias como Hormozgan, Bushehr e Khuzistão, numa altura em que as temperaturas ultrapassam os 50 graus Celsius. O responsável de relações públicas do ministério, Hossein Moghimi, pediu que cada iraniano desligasse o ar condicionado por uma hora nos períodos de pico, para permitir um fornecimento mais estável às regiões meridionais, onde a infraestrutura foi “afetada por ataques inimigos”.
De acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom), a nova vaga de bombardeamentos, que se prolonga pela sexta noite consecutiva, visa “continuar a degradar as capacidades militares iranianas”, incluindo instalações de mísseis, drones e defesas costeiras. Relatos da televisão estatal iraniana indicam que os ataques atingiram duas pontes na zona de Bandar Khamir, causando três mortos e nove feridos, e alargaram-se a áreas mais a norte, como os arredores de Teerão e a província de Semnan, onde se concentram centros de produção de mísseis balísticos. Os Estados Unidos dispararam ainda contra o petroleiro Belma, com bandeira de Curaçau, que se dirigia ao terminal de Kharg, no Golfo Pérsico, depois de a embarcação ter ignorado avisos para parar.
Na perspetiva de Teerão, a destruição de infraestruturas civis demonstra que a campanha militar americana extravasa os alvos militares e atinge diretamente a vida quotidiana da população. O apelo à poupança de eletricidade expõe a vulnerabilidade das redes de abastecimento num país onde o colapso da moeda e a inflação galopante já tinham agravado as condições de vida. Cidadãos contactados pela Reuters em Teerão e Sanandaj descrevem um ambiente de incerteza e ansiedade permanentes, com preços de bens essenciais quase a duplicar e a impossibilidade de fazer planos devido à alternância entre tréguas frágeis e novos bombardeamentos. Alguns entrevistados, como um engenheiro de software que ficou meses sem trabalho por causa dos cortes de internet, afirmam que a continuação da guerra pode ativar “elementos sociais” e conduzir a motins de rua, num contexto em que as autoridades reprimiram violentamente os protestos de janeiro.
A retaliação iraniana alargou o conflito a outros pontos da região. Os Guardas da Revolução anunciaram ter atingido radares norte-americanos em Omã, enquanto o Kuwait, o Qatar e o Bahrein intercetaram drones e mísseis lançados a partir do Irão. Uma central elétrica kuwaitiana foi danificada, e oito rebeldes curdos iranianos foram mortos no norte do Iraque em ataques atribuídos a Teerão. Observadores no Médio Oriente assinalam que a degradação das infraestruturas energéticas e a pressão económica interna podem alimentar uma nova vaga de contestação, ao mesmo tempo que a expansão geográfica dos bombardeamentos torna mais remota a perspetiva de um cessar-fogo. A guerra, que começou em fevereiro e já ultrapassa os quatro meses, entrou numa fase de escalada diária sem que se vislumbre uma via diplomática ativa.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.30 | critical |
Os iranianos sofrem incerteza e ansiedade causadas pelos ataques dos EUA, enquanto a economia entra em colapso.
Ao focar na história de um único indivíduo e suas lutas diárias, a narrativa torna o conflito geopolítico em grande escala relacionável e emocionalmente convincente, contornando a análise estratégica.
O bloco omite o apelo oficial do governo iraniano para reduzir o consumo de eletricidade e os danos específicos à infraestrutura elétrica.
O Ministério da Energia do Irã exorta os cidadãos a desligar os aparelhos de ar condicionado para garantir a estabilidade da rede após os danos causados pelos ataques dos EUA.
Ao enquadrar a questão como um problema técnico que requer cooperação pública, a narrativa despolitiza o dano e apresenta o estado como um gestor competente da crise.
O bloco omite a ansiedade humana e o sofrimento econômico dos iranianos.
Os iranianos estão preocupados com a guerra e o governo pede para economizar energia após os danos dos ataques dos EUA.
Ao combinar o apelo oficial com histórias pessoais de ansiedade, a narrativa cria um senso de crise total que envolve tanto o estado quanto o povo, tornando os ataques dos EUA a causa raiz de todo o sofrimento.
O bloco omite qualquer justificação ou contexto para os ataques dos EUA, como o colapso do cessar-fogo ou os objetivos estratégicos americanos.
Amplie o olhar
EUA impõem tarifa de 25% a produtos brasileiros; Brasil aciona lei de reciprocidade
2 idiomas · 14 veículos
De TechnologyÍndia lança primeiro foguete orbital privado e entra para grupo restrito de potências espaciais
7 idiomas · 21 veículos
De Science & HealthSurto de ciclosporíase nos EUA é rastreado até alface mexicana fornecida à Taco Bell
6 idiomas · 15 veículos