
Irã apresenta queixa formal à Fifa contra restrições de viagem impostas pelos EUA na Copa do Mundo
A federação iraniana contesta a exigência de entrar no país apenas na véspera das partidas e deixá-lo no mesmo dia, medida que, segundo a entidade, fere a igualdade de condições entre os participantes.
A Federação de Futebol do Irã anunciou nesta quinta-feira que protocolará uma reclamação oficial junto à Fifa, em meio a crescentes atritos logísticos que marcam a participação da seleção na Copa do Mundo de 2026. O estopim foi a recusa, pelos organizadores, do pedido para que a equipe viajasse de Tijuana, no México — onde está acampada — para Los Angeles com dois dias de antecedência em relação ao duelo contra a Bélgica, marcado para domingo (21), ao meio-dia local. A federação sustenta que o tempo extra seria essencial para adaptação ao clima, realização do último treino e finalização da estratégia, mas a solicitação foi negada, repetindo o que ocorrera antes da estreia.
O padrão de restrições ficou evidente já na primeira rodada. Após o empate em 2 a 2 com a Nova Zelândia, também em Los Angeles, o elenco foi obrigado a deixar o território americano na mesma noite, contrariando o plano de permanecer para recuperação física e retornar ao México apenas no dia seguinte. O técnico Amir Ghalenoei classificou a situação como “a equipe mais oprimida do torneio”, enquanto o capitão Mehdi Taremi descreveu as últimas semanas como “um desastre”. Do lado americano, Andrew Giuliani, diretor-executivo da força-tarefa da Casa Branca para o Mundial, afirmou que o Irã foi informado previamente de que só poderia entrar no país na véspera de cada jogo e teria de sair na mesma noite — regra que valerá também para a partida contra o Egito, em Seattle, no dia 27.
As dificuldades vão além do vaivém transfronteiriço. Cerca de 15 membros da delegação, entre dirigentes e pessoal de apoio, tiveram vistos negados pelos Estados Unidos, e o atacante Mehdi Torabi recebeu autorização de entrada única, enquanto os demais jogadores dispõem de vistos múltiplos. A própria base da seleção precisou ser transferida às pressas de Tucson, no Arizona, para Tijuana, na fronteira mexicana, às vésperas do torneio. Na perspetiva de Brasília, a cobertura da imprensa brasileira sublinha o caráter inédito de uma seleção ter de se submeter a um regime de deslocamento tão restritivo em uma competição que se propõe a tratar igualmente os 48 participantes.
O pano de fundo geopolítico é incontornável. O conflito entre Washington e Teerã, intensificado no Oriente Médio, projetou-se sobre a logística do Mundial desde o sorteio. A Fifa transferiu a base iraniana para o México, mas manteve as três partidas da fase de grupos em solo americano. Enquanto a seleção belga, segundo relatos da imprensa europeia, recebeu garantias do FBI de que “tudo está sob controle” e poderá permanecer em Los Angeles até segunda-feira após o jogo, o Irã enfrenta um regime de exceção. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, visitou o vestiário iraniano após a estreia e elogiou a resiliência dos jogadores, mas a federação considera que as restrições “contrariam o princípio de igualdade de condições”.
Apesar dos entraves, a seleção iraniana mantém o foco no compromisso contra a Bélgica, que se desenha como um momento decisivo no Grupo G. Ambas as equipes estrearam com empates — a Bélgica também ficou no 2 a 2 diante do Egito —, de modo que o vencedor em Los Angeles assumirá a dianteira na briga por uma vaga nas oitavas de final. A federação assegurou que a preparação prossegue “com concentração total”, enquanto a queixa formal à Fifa tramita pelos canais oficiais. O próximo capítulo dessa novela logística será escrito no gramado do estádio SoFi, com o apito inicial marcado para as 12h locais de domingo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A federação iraniana havia submetido seu plano de preparação com antecedência, pedindo para chegar dois dias antes de cada jogo para garantir condições técnicas e físicas ideais. A FIFA e os organizadores negaram esse pedido, forçando a equipe a viajar apenas um dia antes, prejudicando seus planos. A federação está apresentando uma queixa formal contra essas restrições de viagem.
A equipe iraniana enfrenta novas restrições de viagem nos EUA: só pode chegar um dia antes da partida, em vez dos dois dias habituais, e deve partir imediatamente após. Isso se soma às negações de visto anteriores para membros da comissão técnica, tornando a Copa do Mundo cada vez mais política. A federação está apresentando uma reclamação à FIFA pelo tratamento desigual.
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