
Inflação argentina deve cair abaixo de 2% em junho, enquanto Gana e Indonésia registam aceleração
Dados preliminares apontam para desaceleração em Buenos Aires e São Paulo, mas pressões nos transportes e combustíveis elevam índices em Acra e Jacarta.
A inflação de junho desenha trajetórias divergentes nas economias emergentes. Na Argentina, as consultoras privadas projetam que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) se situe entre 1,8% e 1,9%, o que representaria a primeira leitura abaixo de 2% em dez meses. O porta-voz da presidência, Adrián Ravier, citou uma estimativa de 1,8% da Fundação Libertad y Progreso, embora tenha reconhecido que o valor final ainda é incerto. O dado oficial será divulgado pelo INDEC em 14 de julho e, a confirmar-se, marcará o terceiro mês consecutivo de desaceleração, após o pico de março. Economistas locais atribuem a moderação à estabilidade cambial, à menor pressão nos preços da carne e a baixas sazonais em vestuário.
No Brasil, o IPC-Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,18% em junho, desacelerando face aos 0,45% de maio e abaixo da mediana das projeções de mercado (0,21%). Em doze meses, o índice acumula 3,92%. A habitação e a alimentação perderam força, enquanto transportes e saúde aceleraram. O resultado reforça um quadro de moderação, ainda que a inflação de serviços permaneça como ponto de atenção.
Em contraste, o Gana registou uma subida da inflação homóloga para 5,3% em junho, contra 3,7% em maio, impulsionada sobretudo pelos preços não alimentares. O Serviço de Estatística ganês apontou as tarifas de transporte, as rendas e as propinas escolares como os principais contribuintes, com a inflação de serviços a atingir 9,4%. A alimentação também acelerou, mas de forma mais contida, e as disparidades regionais são acentuadas: o Nordeste registou 10,2%, enquanto Bono Este apresentou deflação de 4,4%.
Na Indonésia, a inflação anual subiu para 3,34% em junho, acima dos 3,08% de maio, pressionada pelo aumento dos combustíveis não subsidiados e das tarifas aéreas, num contexto de preços elevados da energia global. O banco central indonésio considerou o valor ainda dentro do intervalo-alvo de 2,5%±1 ponto percentual e destacou a estabilidade da inflação subjacente (2,76%) e a desaceleração dos alimentos voláteis (5,58%). A instituição reafirmou o compromisso com a coordenação entre política monetária e programas de segurança alimentar para manter a inflação controlada em 2026 e 2027.
O mosaico de junho mostra que, enquanto a América do Sul regista alívio nas pressões de preços, outras regiões enfrentam impulsos concentrados em bens administrados e serviços. O próximo marco factual será a divulgação do IPC argentino em 14 de julho, que poderá confirmar a perfuração da barreira dos 2% e alimentar as expectativas para a segunda metade do ano.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A inflação argentina de junho deve ficar abaixo de 2%, o menor nível desde agosto de 2025. Governo e consultorias privadas convergem para uma estimativa entre 1,8% e 1,9%, sinalizando a consolidação do processo de desinflação. O foco está em quebrar a inércia inflacionária, com otimismo cauteloso para o segundo semestre.
A inflação em Gana subiu para 5,3% em junho, impulsionada por tarifas de transporte, aluguéis e taxas escolares. Apesar do aumento mensal, a taxa permanece muito abaixo dos 13,7% registrados um ano atrás, indicando um alívio geral das pressões de preços. No entanto, os custos dos serviços continuam a mostrar rigidez.
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