
Indonésia conclui repatriação recorde do hajj, enquanto Beirute alerta para regresso a zonas de conflito
Mais de 85 mil peregrinos indonésios já regressaram a casa e as últimas partidas de Medina estão em curso; em paralelo, a Defesa Civil islâmica libanesa apela à prudência na volta às aldeias após o cessar-fogo.
A maior operação de repatriação de peregrinos do hajj na história recente da Indonésia entrou na sua reta final, ao mesmo tempo que, num cenário radicalmente distinto, uma autoridade sanitária islâmica em Beirute divulgava um alerta sobre os perigos de um regresso precipitado a zonas que sofreram agressões. Nas últimas horas, as atenções dividem-se entre a logística de grande escala que devolveu já mais de 85 mil crentes às suas ilhas de origem e as recomendações de segurança para comunidades deslocadas no Líbano, num contraponto que expõe os múltiplos significados da palavra “regresso”.
Segundo dados do Ministério do Hajj e Umrah da Indonésia, citados pela imprensa de Jacarta, 222 grupos de voo já aterraram no arquipélago, e os últimos 18 contingentes da primeira vaga deixam hoje Meca rumo a Jeddah, antes de voarem para cidades como Macassar, Medan e Surabaya. A partir de amanhã, inicia-se a fase seguinte da operação, com partidas a partir de Medina. A dimensão do esforço é visível nos pormenores: malas de porão são pesadas com tolerância máxima de 32 quilos, e a água de Zamzam é expressamente proibida na bagagem despachada, uma regra que as equipas da PPIH reforçam após casos de excesso de peso e tentativas de ocultação. Ainda assim, a alegria dos retornos é pontuada pela comoção: um peregrino de Pekanbaru faleceu em Batam depois de ter sido hospitalizado no regresso, recordando que a fragilidade humana não se dissolve com o cumprimento do dever religioso.
Em Beirute, a nota difundida pelo organismo conhecido como Autoridade Sanitária Islâmica – ligada à Defesa Civil libanesa – soa como um manual de sobrevivência pós-conflito. “A prioridade máxima deve continuar a ser a segurança pessoal, pois os perigos não terminam logo que a agressão cessa”, lê-se no comunicado. A entidade desaconselha deslocações noturnas, insiste na verificação prévia da integridade das estradas e no abastecimento completo do depósito de combustível, e alerta para a presença de objetos suspeitos. É um retrato de um território onde a guerra deixou, para além de escombros, armadilhas invisíveis. Embora o documento não nomeie as partes beligerantes, a geografia e o timing remetem para as zonas do sul do Líbano afetadas por meses de hostilidades com Israel, onde já se iniciou um frágil cessar-fogo.
Olhando a partir de Brasília ou de Lisboa, o contraste entre as duas mobilidades expõe um desafio universal: a gestão do regresso a casa depois de uma experiência extrema. O Brasil, com a segunda maior comunidade muçulmana da América Latina, acompanha com atenção as operações do hajj, cuja escala rivaliza com as romarias a Aparecida ou ao Círio de Nazaré. Portugal, cada vez mais plural, vê na presença de comunidades islâmicas um fator de enriquecimento do espaço público. Em ambos os contextos lusófonos, a imagem de milhões de pessoas em movimento, seja por devoção ou por sobrevivência, reforça a perceção de que a segurança e a organização logística são, em qualquer latitude, o verdadeiro alicerce da liberdade de circular.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os peregrinos indonésios retornaram sem problemas dos ritos de Armuzna, e o Ministério do Hajj registrou a mobilização organizada. Os ecos das advertências libanesas ficaram como um ruído de fundo distante.
O retorno dos peregrinos anuncia um triunfo: os alertas libaneses confirmam que a paciência se esgotou e o inimigo calculou mal. O Irã e o Eixo da Resistência saem vitoriosos, com novas linhas vermelhas traçadas.
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