
Noruega: filho da princesa herdeira condenado a quatro anos por violação e violência doméstica
Marius Borg Høiby, enteado do príncipe herdeiro, foi considerado culpado de dois crimes de violação e outros delitos, num processo que abalou a imagem da família real norueguesa.
O tribunal distrital de Oslo condenou esta segunda-feira Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit e enteado do príncipe Haakon, a quatro anos de prisão efetiva. O jovem de 29 anos foi considerado culpado de dois crimes de violação — um deles cometido em 2018 na residência oficial de Skaugum — e absolvido de outras duas acusações do mesmo tipo. A sentença inclui ainda violência doméstica contra uma ex-companheira, ameaças, consumo de estupefacientes e infrações rodoviárias, num total de 34 dos 40 crimes de que era acusado. Høiby, que não detém qualquer título real mas cresceu no seio da família da coroa, acompanhou a leitura do veredicto por videoconferência, após ter sido hospitalizado no fim de semana devido a uma crise de saúde.
O julgamento, que durou sete semanas e mobilizou centenas de jornalistas internacionais, expôs uma trajetória de dependência química e comportamentos predatórios. As provas incluíram vídeos filmados pelo próprio arguido, nos quais as vítimas apareciam a dormir ou incapazes de resistir. A acusação pedira sete anos e sete meses de cadeia; a defesa, que anunciou que vai recorrer, solicitara apenas 18 meses. A procuradora sustentou que Høiby se aproveitou da vulnerabilidade das mulheres, enquanto os advogados o descreveram como um “rapaz inocente” que mantivera relações sexuais consentidas. O tribunal, porém, considerou que em dois episódios não houve consentimento válido, sublinhando a assimetria de poder e o estado de inconsciência das vítimas.
O caso agrava uma crise de imagem que já se arrastava na monarquia norueguesa. A própria princesa Mette-Marit viu a sua popularidade desabar depois de, em 2019, a imprensa revelar encontros seus com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Agora, enfrenta uma doença pulmonar grave que a colocou na lista nacional de transplantes. A condenação do filho mais velho, nascido de uma relação anterior, reacendeu o debate sobre o papel da instituição monárquica no século XXI. Observadores na Europa notam paralelos com o escândalo que levou o príncipe André, no Reino Unido, a perder os seus títulos reais, e questionam se a coroa norueguesa conseguirá preservar a confiança pública.
Na perspetiva de Brasília, a cobertura noticiosa brasileira sublinhou o contraste entre a vida de privilégio de Høiby e a gravidade dos crimes, num país que se orgulha de indicadores de igualdade social. Em Lisboa, onde a monarquia foi abolida há mais de um século, o caso reavivou discussões sobre a utilidade das famílias reais na Europa contemporânea, com analistas a notar que a Noruega, apesar da sua modernidade, mantém uma instituição hereditária vulnerável a escândalos pessoais. Nos países africanos de língua portuguesa, o episódio foi acompanhado com distanciamento, mas suscitou reflexões sobre a impunidade de elites políticas e sociais, um tema sensível em contextos pós-coloniais.
O desfecho do processo não encerra a turbulência. A defesa prometeu recorrer, e o arguido poderá ver a pena alterada em instâncias superiores. A saúde frágil da princesa herdeira e a ausência de um papel oficial para Høiby não impedem que cada novo desenvolvimento reforce a perceção de uma monarquia sob cerco. A sentença de quatro anos funciona, assim, como um marco numa crise mais ampla, que testa a resiliência da casa real norueguesa perante uma opinião pública cada vez mais exigente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A condenação a quatro anos de prisão do filho da princesa herdeira da Noruega por violação e violência doméstica abalou profundamente a imagem da monarquia. O julgamento revelou pormenores perturbadores, incluindo um vídeo filmado pelo próprio acusado, e a pena engloba abusos contra uma ex-companheira e consumo de estupefacientes. O caso lança uma sombra pesada sobre a família real, mesmo sem qualquer papel oficial para Høiby.
A condenação do filho da princesa herdeira norueguesa por violação é recebida com uma certa satisfação perante as contradições das elites ocidentais. Das 40 acusações, apenas dois casos de violação foram considerados provados, e a defesa anunciou recurso. O caso expõe a hipocrisia e os vícios escondidos atrás das fachadas reais.
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