
Colômbia restabelece laços com Israel e anuncia embaixada em Jerusalém
Presidente eleito Abelardo de la Espriella reverte rutura de Gustavo Petro e alinha-se com Washington; Hamas condena e Bogotá pede intervenção em contratos de segurança.
O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, confirmou que, após a posse a 7 de agosto, restabelecerá as relações diplomáticas e económicas com Israel, incluindo a transferência da embaixada colombiana de Telavive para Jerusalém. O anúncio, feito após encontro em Washington entre o futuro chanceler Omar Bula e o ministro israelita Gideon Sa’ar, prevê ainda a troca imediata de embaixadores, a eliminação recíproca de vistos e a retirada da Colômbia da intervenção no caso que a África do Sul move contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça por alegado genocídio em Gaza. A decisão representa uma inversão total da política externa do governo cessante de Gustavo Petro, que rompera unilateralmente com Telavive em maio de 2024, suspendera exportações de carvão e compras de armamento, e apoiara a iniciativa sul-africana em Haia.
A medida foi recebida com condenação imediata pelo movimento islâmico Hamas, que a classificou como “decisão irresponsável” e “violação dos direitos do povo palestiniano”, apelando ao recuo de Bogotá. Em sentido oposto, o governo israelita saudou o regresso de “um dos maiores amigos de Israel” e prometeu assistência para a abertura da nova legação. Na perspetiva de analistas em Washington, a guinada de De la Espriella inscreve-se num realinhamento mais amplo com a administração Trump, que já transferira a sua própria embaixada para Jerusalém em 2018, e com a qual o futuro governo colombiano procura aprofundar a cooperação em segurança e comércio, incluindo a adesão ao mecanismo militar Escudo das Américas.
No plano interno, a transição é marcada por tensões institucionais. De la Espriella instruiu o seu ministro do Interior designado a solicitar ao Procurador-Geral uma intervenção preventiva urgente sobre vários processos da Unidade Nacional de Proteção (UNP), nomeadamente um contrato de 78 mil milhões de pesos para escoltas do novo executivo, cuja adjudicação está prevista antes da mudança de governo. O presidente eleito alega que a atual administração pretende condicionar a segurança do novo chefe de Estado e do seu gabinete. Em paralelo, declarações de De la Espriella contra o ex-líder das FARC Rodrigo Londoño, a quem chamou “criminoso de guerra” e prometeu fazer responder perante a justiça, levaram a diretora da Unidade de Implementação do Acordo de Paz a apresentar uma denúncia por alegada injúria e instigação a delinquir, num contexto em que a Missão de Verificação da ONU pediu o desescalar da retórica confrontacional.
A agenda externa do futuro executivo incluiu ainda um encontro em Washington entre o vice-presidente eleito, José Manuel Restrepo, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, centrado no reforço da cooperação em segurança, erradicação de cultivos ilícitos e atração de investimento. Fontes do Departamento de Estado indicaram que, em vez de bases militares, se estuda a instalação de centros logísticos de apoio à polícia colombiana em zonas remotas, com equipamento e tecnologia dos EUA mas sob comando local. A delegação colombiana manteve também contactos com a banca multilateral e congressistas republicanos e democratas, enquanto em Bogotá prossegue a formação do gabinete ministerial, do qual ainda faltam quatro pastas, todas a serem ocupadas por mulheres para cumprir a lei de quotas.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa israelense | +1.00 | aligned |
A sociedade civil colombiana e vozes progressistas alertam que as medidas do novo governo colocam em risco o acordo de paz duramente conquistado.
Ao apresentar o acordo de paz como um compromisso moral inegociável, os meios de comunicação críticos fazem com que qualquer desvio pareça uma traição, deslegitimando assim a mudança da embaixada sem se opor diretamente.
Os benefícios econômicos e de segurança da aliança com Israel, destacados pelo novo governo, são minimizados ou omitidos.
A Rússia observa o realinhamento na América Latina com pragmatismo distante, tratando-o como uma mudança diplomática normal.
Ao relatar o evento sem qualquer linguagem avaliativa, a imprensa russa normaliza a medida e evita tomar partido, sugerindo implicitamente que tais alinhamentos são rotineiros e sem importância.
As críticas colombianas internas à mudança da embaixada e as potenciais implicações geopolíticas para a influência da Rússia na região são omitidas.
Israel celebra o restabelecimento dos laços com a Colômbia como um triunfo diplomático que reverte a hostilidade do governo anterior e abre novos caminhos de cooperação.
Ao destacar benefícios mútuos concretos (troca de embaixadores, abolição de vistos, ajuda ao desenvolvimento) e enquadrar a medida como um retorno a uma 'aliança histórica', a narrativa israelense torna a mudança da embaixada natural e benéfica para ambos os lados.
A oposição interna colombiana à mudança da embaixada, particularmente as preocupações com o processo de paz e o alinhamento com os interesses dos EUA, está totalmente ausente.
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