
Canadá barra Thomas Partey por acusações de estupro e Gana perde recurso judicial
Tribunal federal canadiano rejeitou pedido de Gana para anular veto de visto ao médio, que enfrenta oito acusações no Reino Unido, afastando-o da estreia mundialista frente ao Panamá.
O médio ganês Thomas Partey, de 33 anos, está definitivamente afastado do jogo de estreia do Gana no Mundial de 2026, esta quarta-feira, em Toronto, frente ao Panamá. O Tribunal Federal do Canadá rejeitou na terça-feira o recurso de emergência interposto pelo governo de Acra contra a recusa de visto de entrada no país, confirmando a decisão das autoridades migratórias canadianas. Partey, que atualmente joga no Villarreal, responde a oito acusações de violação e agressão sexual no Reino Unido, relativas a quatro mulheres, por factos alegadamente ocorridos entre 2020 e 2022, quando ainda representava o Arsenal. O jogador declarou-se inocente de todas as acusações e aguarda julgamento, previsto para 2027.
A batalha jurídica relâmpago mobilizou o governo ganês, que classificou a decisão de Ottawa como 'discricionária e extremamente injusta'. Representantes do executivo de Acra compareceram na audiência em Otava, argumentando que a negação do visto violava o princípio da presunção de inocência, consagrado tanto no Gana como no Canadá. O antigo vice-procurador-geral ganês Alfred Tuah-Yeboah questionou publicamente: 'Onde está a presunção de inocência?'. Contudo, o juiz Roger Lafreniere considerou que o pedido de Partey configurava uma 'medida interlocutória obrigatória extraordinária' e manteve a validade da decisão migratória, que se baseou nos processos criminais em curso no Reino Unido. Fontes judiciais revelaram ainda que o pedido de visto de Partey, apresentado a 21 de maio, continha uma declaração falsa de inexistência de acusações criminais, o que fragilizou a sua posição.
Para o Gana, a ausência de uma das suas figuras centrais no meio-campo representa um golpe duro na ambição de arrancar com o pé direito no Grupo L. A equipa realizou o estágio de preparação nos Estados Unidos, onde Partey permanece, e onde poderá alinhar nos dois jogos seguintes da fase de grupos, frente a Inglaterra e Croácia, ambos em território norte-americano. A situação paradoxal — admitido pelos EUA, mas barrado pelo Canadá — expõe a margem de discricionariedade que os Estados anfitriões detêm em matéria de controlo de fronteiras, mesmo durante megaeventos desportivos.
Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, o caso ecoa para além do futebol. Juristas lusófonos notam que a colisão entre a soberania migratória e a presunção de inocência é um tema sensível em sistemas jurídicos de matriz romano-germânica, como os de Portugal, Brasil e dos PALOP. A decisão canadiana, ainda que legalmente fundamentada, reacende o debate sobre até que ponto um acusado sem condenação pode ser privado de exercer a sua profissão num país estrangeiro. Com o Mundial a decorrer em três nações com legislações distintas, o 'caso Partey' poderá criar um precedente incómodo para futuras situações que envolvam atletas sob investigação criminal.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 5 idiomas
A Corte Federal do Canadá analisa o pedido de liminar de Gana para derrubar a recusa de visto a Thomas Partey, impedido de entrar por acusações de estupro na Inglaterra. A audiência decidirá se o meio-campista poderá se juntar à equipe para a estreia na Copa contra o Panamá, num processo fundamentado na inadmissibilidade criminal.
Gana levou o Canadá à justiça, classificando a recusa de visto a Thomas Partey como 'extremamente injusta' e uma violação da presunção de inocência. Com a estreia na Copa contra o Panamá se aproximando, representantes governamentais e jurídicos africanos exigem que o jogador, que se declarou inocente de todas as acusações, seja autorizado a entrar imediatamente.
Artigos relacionados
Acordo EUA-Irão será assinado sexta-feira no resort suíço de Bürgenstock
5 idiomas · 12 veículos
EconomiaAcordo EUA-Irã prevê fundo privado de 300 mil milhões de dólares para investimentos
7 idiomas · 8 veículos
EsporteNoruega de Haaland estreia no Mundial 2026 contra Iraque, que regressa após 40 anos
5 idiomas · 10 veículos