
G7 e ONU alertam para economia de guerra no Sudão e pedem embargo de armas alargado
Ministros do G7 exortam fim dos ataques em El-Obeid enquanto relatório da ONU aponta comércio de goma-arábica como fonte de financiamento do conflito.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 e a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros instaram, esta quarta-feira, as Forças de Apoio Rápido (RSF) e grupos armados aliados a cessar todas as ações que possam conduzir a novas atrocidades ou pôr em perigo civis na cidade de El-Obeid, no Sudão. No mesmo comunicado conjunto, apelaram a todas as partes, incluindo o exército sudanês, para que ponham fim às hostilidades, permitam o acesso humanitário e iniciem negociações de boa-fé. A iniciativa diplomática coincidiu com a divulgação de um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que alerta para o papel do comércio de goma-arábica na perpetuação do conflito, descrevendo uma “economia de guerra” que se tornou “cada vez mais autossustentável”.
De acordo com o documento da ONU, o controlo de territórios, rotas comerciais e matérias-primas transformou-se numa fonte crucial de receitas para as partes beligerantes, à medida que os custos das operações militares aumentam. O relatório centra-se na cadeia de valor da goma-arábica — ingrediente utilizado em refrigerantes, cosméticos e fármacos — da qual o Sudão fornecia entre 70% e 80% das exportações mundiais antes da guerra. Apesar do seu valor de exportação ser modesto quando comparado com outras matérias-primas, a goma-arábica continua a ser uma fonte de rendimento vital para milhões de sudaneses. No entanto, o relatório documenta saques, extorsões e detenções arbitrárias que afetam quem depende deste comércio, com destaque para o saque da Bolsa da Goma-Arábica e dos seus armazéns em El-Nuhud, no Cordofão Ocidental, atribuído às RSF em maio de 2025, quando as reservas estavam prontas para exportação.
A pressão internacional sobre as fontes de financiamento do conflito foi reforçada por uma decisão do Conselho da União Europeia, que na segunda-feira proibiu a compra, importação e transferência de ouro proveniente do Sudão, bem como a venda e exportação para o país de mercúrio e cianeto, substâncias utilizadas na extração aurífera. Na perspetiva de analistas europeus, a medida visa estrangular uma das principais vias de receita das partes em confronto, uma vez que as RSF controlam a maioria dos jazigos de ouro no Darfur e no Cordofão, enquanto o exército regular detém os do norte e leste. O comunicado do G7 apoiou ainda os esforços das Nações Unidas para reduzir a escalada da crise e exortou o Conselho de Segurança da ONU a alargar o embargo de armas atualmente imposto ao Darfur a todo o território sudanês, ao mesmo tempo que instou atores externos a cessarem o apoio militar e financeiro às partes em conflito.
O conflito, que eclodiu em abril de 2023 entre o exército sudanês e as RSF, já provocou, segundo estimativas, centenas de milhares de mortos e deslocou mais de 11 milhões de pessoas, mergulhando várias regiões do país na fome. O relatório da ONU sublinha que quantidades significativas de goma-arábica provenientes de zonas controladas pelas RSF são desviadas através de rotas de contrabando para países vizinhos, onde podem ser reexportadas como produção local, dificultando a rastreabilidade. O alto comissário Volker Türk apelou a Estados e empresas para que reforcem a devida diligência em matéria de direitos humanos e garantam que as práticas comerciais não contribuem para a manutenção do conflito. A pressão sobre o Conselho de Segurança para alargar o embargo de armas intensifica-se, enquanto a comunidade internacional procura mecanismos para interromper os fluxos financeiros que alimentam uma guerra sem perspetivas imediatas de resolução.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.40 | critical |
The G7 positions itself as a guarantor of regional stability, urging all parties to stop violence and respect international law.
It emphasizes the legitimacy of collective Western action, presenting the demand as morally unquestionable and technically neutral.
It omits the EU gold ban and the role of gum arabic in funding the war, elements that would undermine the effectiveness of a purely diplomatic appeal.
Europe acts directly against the belligerents’ income sources, showing that economic sanctions are the most effective tool to stop the conflict.
It contrasts the EU’s concrete action with the G7’s words, creating a hierarchy of effectiveness: sanctions are presented as the real solution, while diplomatic appeals are relegated to background.
It does not discuss the role of gum arabic, which the UN says is another major funding source, nor does it analyze the ban’s impact on Sudan’s economy.
The UN denounces the link between international trade and conflict, calling out companies and governments that fail to vet their supply chains.
It uses the UN’s authority to turn an economic issue into a human rights problem, shifting blame from the belligerents to global consumers.
It does not mention the EU gold ban or the G7 appeal, focusing solely on gum arabic and ignoring other international measures.
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