
Funeral de Khamenei mobiliza multidões em Teerã, mas sucessor Mojtaba permanece ausente
A cerimônia fúnebre do antigo líder supremo iraniano, morto em ataque dos EUA e Israel, expõe a transição de poder e a retórica de vingança, enquanto o novo líder não aparece em público.
Milhões de iranianos concentraram-se em Teerã no segundo dia das cerimônias fúnebres do antigo Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, num evento que as autoridades descrevem como o “funeral do século”. Khamenei foi morto a 28 de fevereiro, no primeiro dia da ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que desencadeou um conflito de várias semanas. Apesar da dimensão da mobilização popular, a ausência do seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, dominou as atenções. Mojtaba, que terá ficado gravemente ferido e desfigurado no mesmo ataque, não é visto em público desde que assumiu o cargo, em março, e a sua não comparência alimenta especulações sobre o seu real estado de saúde e sobre quem exerce efetivamente o poder em Teerã.
A atmosfera no complexo religioso da Grande Mosalla foi marcada por uma fusão de luto e fervor revolucionário. Milhares de pessoas carregavam bandeiras vermelhas, símbolo xiita de vingança, e entoavam palavras de ordem como “Morte aos Estados Unidos” e “Morte a Israel”. O poeta Mohammad Rasouli, que conduzia a cerimônia, incitou a multidão a clamar pela morte do presidente norte-americano, Donald Trump. Na perspetiva de Washington, Trump reagiu com surpresa à dimensão das multidões, sugerindo que as lágrimas poderiam ser “falsas”, e afirmou que os EUA poderiam eliminar toda a liderança iraniana reunida “com um só tiro”, mas que não o fariam para não ficarem “sem ninguém com quem negociar”. Estas declarações ocorrem num momento de trégua frágil, com as negociações técnicas entre Washington e Teerã suspensas durante a semana de luto e com nova ronda prevista para 11 de julho, possivelmente em Islamabad.
A ausência de Mojtaba Khamenei é interpretada por analistas em Teerã como uma medida de segurança, dado que Israel ameaçou repetidamente eliminá-lo. Contudo, a sua invisibilidade prolongada projeta uma imagem de vulnerabilidade num momento em que o regime procura demonstrar coesão e resiliência após a guerra. A presença de três outros filhos de Khamenei — Mostafa, Meysam e Masoud —, do Presidente Masoud Pezeshkian, do presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e de comandantes da Guarda Revolucionária, como Ahmad Vahidi e Esmail Qaani, sublinhou a tentativa de exibir uma frente unida. Em contraste, relatos de residentes de Teerã, recolhidos sob anonimato, indicam que uma parte da população se mantém alheia ou crítica ao espetáculo fúnebre, considerando-o um gasto desproporcional de recursos públicos.
A dimensão diplomática do funeral também gerou repercussões. Delegações de dezenas de países, incluindo Rússia, China, Paquistão e Índia, marcaram presença, enquanto a ausência de uma delegação oficial da Indonésia — o maior país de maioria muçulmana do mundo — foi criticada pelo antigo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Dino Patti Djalal, que questionou se a política externa “livre e ativa” de Jacarta estaria a esmorecer. O governo indonésio afirmou ter sido representado pelo seu embaixador em Teerã. O cortejo fúnebre prossegue nos próximos dias, com passagens por Qom e pelas cidades sagradas iraquianas de Najaf e Karbala, antes do sepultamento em Mashhad, a 9 de julho. O desfecho do processo de transição e a eventual aparição pública de Mojtaba Khamenei permanecem como incógnitas centrais para a estabilidade do regime e para o futuro das conversações com Washington.
| Imprensa iraniana e afins | +1.00 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
| Imprensa latino-americana | +0.20 | neutral |
O Irã chora seu líder mártir e reafirma sua determinação de vingar seu sangue; o novo líder, embora ausente, lidera das sombras com cautela estratégica.
Ao enfatizar a participação em massa e o simbolismo religioso, a narrativa transforma uma potencial fraqueza em uma demonstração de força e continuidade, atribuindo a ausência de Mojtaba à segurança em vez de incapacidade.
O bloco omite qualquer menção a dissidência interna ou ao fato de que muitos iranianos não estão participando do luto, conforme relatado por outros veículos.
O Ocidente analisa o funeral como uma operação de imagem que não pode esconder as rachaduras no sistema iraniano; o sucessor ausente torna-se um símbolo de incerteza.
Ao citar especialistas e fontes anônimas, a narrativa questiona sistematicamente a versão oficial, transformando a ausência em um indicador de crise de liderança em vez de uma medida de segurança.
O bloco omite o fervor religioso genuíno e a participação em massa, concentrando-se em vez disso na manipulação política e na vulnerabilidade.
O povo iraniano exige vingança e a América deve pagar; o novo líder, ferido, permanece nas sombras, mas o movimento continua.
Ao personificar a multidão como ator principal e usar linguagem emocional e simbólica (bandeiras vermelhas, slogans), a narrativa liga diretamente a morte do líder à causa da resistência, tornando a ausência secundária.
O bloco omite os cálculos estratégicos do regime e a possibilidade de que a ausência de Mojtaba indique uma luta pelo poder, simplificando o conflito em uma narrativa clara de bem contra mal.
Amplie o olhar
Receitas fiscais disparam em economias emergentes, mas trajetória da dívida segue como ponto de atenção
4 idiomas · 10 veículos
De TechnologyOpenAI lança GPT-5.6 após aval de Washington e acirra corrida global da IA
5 idiomas · 12 veículos
De Science & HealthCasos de cancro podem quase duplicar até 2050 e expõem fosso entre países ricos e pobres
6 idiomas · 11 veículos