
Fenómeno El Niño forte expõe défice energético na Colômbia e infraestruturas críticas no Peru
Com 81% de probabilidade de ser 'muito forte', o fenómeno expõe défice energético na Colômbia, infraestruturas críticas no Peru e projeta surto de arboviroses no Brasil.
A confirmação antecipada do El Niño em junho de 2026, com projeção de intensidade 'forte' a 'extraordinária' segundo a Organização Meteorológica Mundial e o ENFEN do Peru, encontrou a Colômbia com um défice estrutural de 700 megawatts na geração firme de eletricidade e um rombo de 39% no abastecimento de gás natural. A conjugação da seca, que reduz a hidroeletricidade, com a paragem programada da regasificadora de Cartagena (30 de julho a 3 de agosto) levou o governo a propor teletrabalho e aulas remotas; associações empresariais alertam para o risco de apagão.
No Peru, o fenómeno traz chuvas torrenciais e inundações na costa. Oitenta pontes da rede viária nacional estão em estado crítico — apenas seis de 99 receberam reparos desde 2018, segundo a Ositrán. Obras de proteção contra cheias em Lambayeque avançam lentamente e a associação de produtores AGAP estima que 8 milhões de pessoas e 2,5 milhões de hectares agrícolas estão em alto risco. A pesca artesanal já está paralisada, afetando 7.000 trabalhadores.
No Brasil, projeções da Fiocruz apontam para até 1,7 milhão de casos de dengue em 2027, impulsionados pela expansão do mosquito Aedes aegypti. No Uruguai, o presidente Orsi coordena uma resposta unificada com base em dados desde 1998. No Peru, a transição presidencial expôs a falta de planos de contingência — Keiko Fujimori qualificou a situação como 'catastrófica' e prometeu mobilizar setor privado para 1.900 pontos de risco. Na Colômbia, a declaração de desastre nacional foi recebida com ceticismo por gremios; o próximo governo terá de destravar projetos de transmissão e assegurar gás importado.
O marco imediato é a travessia da temporada seca no segundo semestre, com pressão sobre os sistemas elétrico e de saúde. A execução de verbas emergenciais na Colômbia e a posse do novo governo peruano a 29 de julho serão acompanhadas de perto por investidores e agências de risco, enquanto o Brasil reforça a vigilância epidemiológica.
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