
Falsificação de idade por crianças para aceder a redes sociais revela falhas globais na proteção digital
De Jacarta a Londres, governos e plataformas enfrentam o desafio de verificar a idade de menores, enquanto especialistas alertam para riscos que vão da dependência de ecrãs à exposição a anúncios de jogo.
Um levantamento citado pelo vice-ministro da Comunicação e Digital da Indonésia, Nezar Patria, indica que três em cada cinco crianças falsificam a idade para criar contas em plataformas como Instagram, TikTok e Snapchat. A prática, que o governante descreve como "comum", tornou-se um dos principais obstáculos à aplicação do Regulamento Governamental n.º 17/2025, conhecido como PP TUNAS, o primeiro quadro legal do Sudeste Asiático especificamente desenhado para a proteção de menores no espaço digital. A norma, que entrou em vigor este ano, exige que as plataformas reforcem os mecanismos de verificação etária sem violar as leis de proteção de dados, mas o Executivo de Jacarta reconhece que a tecnologia de identificação está maioritariamente nas mãos das empresas.
A dificuldade em travar o acesso de menores a conteúdos inadequados não é exclusiva da Indonésia. Na Austrália, a decisão do governo trabalhista de permitir anúncios de apostas desportivas nos intervalos dos jogos transmitidos em streaming, revertendo uma proibição anterior, foi classificada pelo principal defensor da reforma do jogo, Tim Costello, como "o maior presente alguma vez dado às empresas de apostas". A medida, que vigorará enquanto Canberra discute um pacote mais amplo de restrições à publicidade de jogo, preocupa deputados da bancada governista e da oposição, que temem a exposição de crianças a um "dilúvio" de anúncios. Em Londres, o primeiro-ministro Keir Starmer anunciou a proibição de redes sociais para menores de 16 anos a partir da primavera de 2027 e prometeu limitar o contacto de estranhos com crianças em plataformas de jogos como o Roblox, onde 61% das crianças britânicas entre os 8 e os 14 anos estão ativas, segundo o regulador Ofcom. Apesar das novas contas restritivas lançadas pela Roblox, pais e especialistas ouvidos pelo The Independent descrevem a plataforma como "um buffet livre para predadores" e duvidam da eficácia das medidas.
A dificuldade de implementar barreiras técnicas é sublinhada por um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Nova Iorque e da Northeastern University, que analisou 86 ferramentas de segurança no Instagram, Snapchat, TikTok e YouTube e concluiu que 60% não cumprem o prometido. A pesquisa detetou que, ao soletrar incorretamente termos como "distúrbio alimentar", menores conseguiam contornar os bloqueios de pesquisa. As plataformas contestam os resultados, mas o episódio alimenta o ceticismo de analistas norte-americanos quanto à capacidade de autorregulação do setor. Nesse vácuo, a responsabilidade recai sobre as famílias. Na perspetiva de investigadores australianos como Michael Noetel, da Universidade de Queensland, o maior risco do tempo excessivo de ecrã é o "custo de oportunidade" que retira a crianças momentos de atividade física e socialização. Joanne Orlando, da Western Sydney University, defende que regras rígidas de horas diárias "simplesmente não funcionam" e que o foco deve ser a qualidade da utilização.
No plano familiar, a tensão entre proteção e autonomia digital ganha contornos nítidos. Uma engenheira da Google nos EUA, Carolaine Pino, descreveu como o hábito de recorrer ao ChatGPT para responder às perguntas da filha de oito anos a levou a criar "três regras de IA" domésticas: pensar antes de perguntar, verificar as fontes e consultar pessoas reais. Em Teerão, a psicóloga Pegah Doosti alerta para o efeito desestabilizador de mensagens contraditórias entre pais e avós, que pode gerar insegurança e comportamentos de oposição nas crianças. Embora nenhum destes relatos provenha diretamente do espaço lusófono, o carácter global das plataformas e a replicação de padrões de consumo digital tornam os dilemas comuns a famílias no Brasil, em Portugal e nos países africanos de língua oficial portuguesa. A Indonésia avança com o PP TUNAS e promete não recuar perante "interesses comerciais"; a Austrália prepara uma investigação parlamentar às novas regras de streaming; e o Reino Unido afina a sua ambiciosa legislação de segurança online. O próximo capítulo medir-se-á menos na letra da lei e mais na eficácia dos algoritmos que, ao que tudo indica, ainda não sabem distinguir uma criança de um adulto.
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
| Imprensa chinesa | 0.00 | neutral |
The government, through its spokespeople, states that three out of five children falsify age to access social media, legitimizing regulatory intervention.
Using precise statistics (3 out of 5) makes the problem objective and urgent, shifting blame from families to platforms and justifying state regulation.
It omits the role of parents in mediating device use and the effectiveness of alternative educational solutions.
Advocates and critical voices denounce that 60% of safety tools are flawed and that new gambling rules worsen the situation, demanding immediate action.
By piling up examples of technical and regressive flaws, it creates a picture of systemic failure that demands drastic intervention, leveraging reader indignation.
It omits voluntary efforts by platforms to improve safety and data showing overall risk reduction.
A mother recounts her realization: while helping her daughter with homework, she understood she had outsourced thinking to AI, deciding to set three rules to regain cognitive independence.
The personal experience and intimate tone turn an educational choice into a universal lesson, making screen restriction a moral and shareable solution without needing data or regulations.
It omits the potential educational benefits of screens and the need for balance, as well as experiences of families who successfully integrate technology.
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