
EUA e Irã trocam sétima noite de ataques e arrastam Golfo para espiral de infraestrutura
Ofensiva americana atinge pontes e centrais elétricas iranianas, enquanto Teerã retalia contra bases dos EUA no Kuwait, Bahrein e Jordânia, elevando o preço do petróleo e o temor de guerra total.
Pela sétima noite consecutiva, os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra o Irã, atingindo o que o Comando Central (Centcom) descreveu como “locais de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas”. Em retaliação, a Guarda Revolucionária iraniana disparou mísseis e drones contra instalações que abrigam forças americanas no Kuwait, Bahrein e Jordânia, além de reivindicar a destruição de um centro de inteligência artificial em Manama. A troca de golpes ocorre menos de um mês após a assinatura de um acordo preliminar mediado pelo Catar e pelo Paquistão, agora colapsado, e marca a expansão dos alvos para infraestrutura civil — pontes, centrais elétricas, dessalinizadoras e um aeroporto foram atingidos em ambos os lados.
Na perspetiva de Washington, as operações visam “degradar as capacidades militares iranianas” e forçar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz sem restrições. O presidente Donald Trump condicionou o fim dos bombardeios a uma mudança de postura iraniana, ao mesmo tempo que reimpôs um bloqueio naval a portos do Irã. Do lado iraniano, o conselheiro militar Mohsen Rezaei advertiu que, se os ataques persistirem por mais dois ou três dias, o país lançará “operações ofensivas em larga escala”, deixando de se limitar a respostas proporcionais. Teerã insiste que o acordo preliminar lhe conferia o direito de administrar o tráfego no estreito e que a rota alternativa patrulhada pelos EUA constitui uma violação do entendimento.
A escalada já produz consequências económicas e humanitárias mensuráveis. O preço do barril de petróleo subiu mais de 4% na sexta-feira, atingindo o patamar mais alto em mais de um mês, enquanto o tráfego de navios-tanque no Estreito de Ormuz caiu para o nível mais baixo desde maio. No Irã, autoridades locais reportaram que mísseis americanos danificaram bombas de dessalinização em Jask, deixando cerca de 10 mil pessoas sem água potável, e que ao menos 46 civis morreram nos bombardeios recentes. No Kuwait, uma central elétrica e de dessalinização foi atingida por dois dias seguidos, obrigando o governo a acionar planos de emergência e a suspender voos no aeroporto internacional. O Bahrein soou sirenes de ataque aéreo cinco vezes na madrugada de sábado, enquanto a Jordânia abateu dez mísseis iranianos que violaram o seu espaço aéreo.
O conflito atual teve início em 28 de fevereiro, quando uma ofensiva conjunta dos EUA e de Israel matou o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e levou Teerã a fechar o Estreito de Ormuz. O acordo preliminar de 12 de junho previa a reabertura total da via marítima, mas a ambiguidade do texto sobre a gestão do tráfego alimentou interpretações divergentes. Mediadores em Doha e Islamabad tentam reconduzir as partes à mesa de negociações, enquanto a China e o Paquistão apelaram publicamente ao fim das hostilidades. Observadores em Lisboa e Brasília acompanham com apreensão o impacto nos mercados energéticos e o risco de arrastamento de países terceiros, num momento em que a ONU manifestou “preocupação com os ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região”. Até ao fecho desta edição, não havia sinal de um novo cessar-fogo, e ambos os lados mantinham as ameaças de intensificação das operações militares.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | −0.20 | neutral |
| Imprensa israelense | 0.00 | neutral |
O Atlântico adverte para uma escalada simétrica e critica ambos os lados por falta de moderação.
Ao apresentar cada ataque como resposta ao anterior, a narrativa cria um senso de inevitabilidade e culpa mútua, fazendo o conflito parecer um ciclo sem um agressor claro.
O Golfo adverte sobre o transbordamento regional e o perigo para seus próprios estados, enfatizando a ameaça imediata do conflito.
Ao focar nos ataques aos estados do Golfo e no medo de um conflito mais amplo, a narrativa localiza a crise global, tornando-a uma preocupação imediata para os leitores regionais.
O bloco omite o ataque inicial com drone iraniano contra um navio cargueiro que quebrou a trégua, o que mostraria o Irã como o primeiro a violar o acordo.
Israel destaca a agressão iraniana e a ameaça às forças dos EUA, concentrando-se nos ataques coordenados e seu impacto.
Ao relatar apenas os ataques iranianos sem os ataques anteriores dos EUA, a narrativa cria uma imagem unilateral de agressão iraniana, justificando implicitamente uma resposta forte.
O bloco omite a sétima noite de ataques dos EUA contra o Irã que provocaram a retaliação iraniana, fazendo o Irã parecer o único agressor.
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