
EUA e aliados europeus preparam coprodução de mísseis para responder à procura na Ucrânia e aliviar indústria
Acordo de intenções será assinado na cimeira da NATO em Ancara, abrangendo mísseis AMRAAM e um centro de manutenção de Patriots, num contexto de pressão sobre os stocks americanos.
Os Estados Unidos estão em negociações avançadas com a Alemanha, os Países Baixos, a Suécia e a Polónia para estabelecer na Europa a coprodução dos mísseis ar-ar AIM-120 AMRAAM, da Raytheon, e um centro de manutenção para os mísseis Patriot PAC-3, da Lockheed Martin. A declaração de intenções será formalizada esta terça-feira, 7 de julho, no Fórum Industrial da NATO, à margem da cimeira da aliança em Ancara, segundo fontes citadas pela Reuters. O objetivo imediato, na perspetiva de Washington, é libertar capacidade nas fábricas norte-americanas e permitir que os gigantes da defesa aumentem a produção doméstica, num momento em que os arsenais dos EUA estão sob pressão devido às guerras na Ucrânia e no Irão.
Em capitais europeias, a iniciativa é interpretada como uma resposta às exigências do presidente Donald Trump por uma maior partilha de encargos de defesa e como uma oportunidade para reforçar a base industrial do continente. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, sublinhou que os aliados europeus e o Canadá aumentaram os orçamentos de defesa em 90 mil milhões de dólares em 2025, ultrapassando os 570 mil milhões, um crescimento de cerca de 20% impulsionado também pelas pressões de Trump. A cimeira de Ancara deverá revelar contratos de armamento no valor de dezenas de mil milhões de dólares, incluindo a substituição da frota de aviões AWACS por aeronaves GlobalEye da sueca Saab, e acordos como o anunciado pelos Países Baixos, de mais de três mil milhões de euros em cooperação com a Bélgica e o Reino Unido.
Moscovo vê o alargamento da produção de mísseis ocidentais como a confirmação de que o conflito na Ucrânia se transformou numa “guerra total contra a Rússia”, nas palavras do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que acusou Washington e as capitais europeias de fornecerem não apenas armamento, mas também dados de satélite e infraestrutura de direcionamento. Observadores em Teerão, por seu lado, notam que a guerra contra o Irão contribuiu para o esgotamento dos stocks americanos e para a invocação da Lei de Produção de Defesa por Trump em meados de junho, ao mesmo tempo que a subida dos preços da energia, na sequência do encerramento do Estreito de Ormuz, afetou a economia europeia e acentuou as tensões transatlânticas.
A localização do futuro centro de manutenção dos mísseis Patriot ainda não foi decidida, e o acordo de intenções representa um primeiro passo político. Para Portugal, membro fundador da NATO, o reforço da produção europeia de mísseis pode abrir oportunidades de participação industrial, enquanto o Brasil, parceiro global da aliança, observa a reconfiguração do mercado de defesa. A assinatura está prevista para o final do dia, no fórum industrial que antecede a chegada de Trump a Ancara para a cimeira de líderes, que decorre até quarta-feira.
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Os Estados Unidos e seus aliados europeus estão expandindo a produção de mísseis na Europa, um desenvolvimento factual.
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