
Estabilidade eleitoral e alta rejeição marcam cenário da corrida presidencial de 2026
Levantamento do Datafolha indica consolidação da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, com ambos atingindo patamares elevados de rejeição entre o eleitorado.
A nova sondagem Datafolha, divulgada a 20 de junho, mostra um panorama de estabilidade na corrida presidencial brasileira de 2026. No cenário de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém 41% das intenções de voto, contra 31% do senador Flávio Bolsonaro (PL), repetindo a diferença de dez pontos percentuais registada há um mês. Em eventual segundo turno, o petista surge com 47% e o pré-candidato bolsonarista com 43%, ambos sem oscilação face à ronda anterior. A rejeição a ambos também permanece elevada e tecnicamente empatada dentro da margem de erro de dois pontos: 48% não votariam em Flávio e 46% em Lula.
Na perspetiva do Palácio do Planalto, os números refletem uma consolidação da liderança de Lula, embora a assessoria do presidente reconheça que o ritmo de crescimento é lento, apesar da libertação de mais de 140 mil milhões de reais em créditos e subsídios. A operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner, líder do Governo no Senado, realizada no segundo dia da recolha de dados (18 de junho), foi apenas parcialmente captada pela pesquisa. Fontes do PT minimizam o impacto do caso Master no eleitorado, argumentando que as investigações não envolvem diretamente o presidente. Já no campo bolsonarista, aliados de Flávio avaliam que o escândalo do “Dark Horse” — em que o senador pediu financiamento a um banqueiro para um filme sobre o pai — causou danos que agora parecem estabilizados e esperam uma melhora nas próximas rodadas, quando o efeito da ação contra Wagner estiver plenamente medido. A terceira via continua fragmentada: Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) registam 3% cada, enquanto outras candidaturas não ultrapassam os 2%.
Analistas em São Paulo e Brasília notam que a eleição se desenha como um pleito de segundo turno antecipado, dada a grande distância entre os dois líderes e os demais concorrentes. A polarização reflete-se também nas bases de apoio: Lula domina no Nordeste (61%) e entre os mais pobres, enquanto Flávio mantém vantagem no Sul (54%) e entre empresários. No entanto, o senador enfrenta desvantagem significativa entre as mulheres (37% a 52% em segundo turno), o que leva o PL a procurar uma vice feminina. O levantamento revela ainda que 65% dos eleitores afirmam que o apoio do ex-presidente norte-americano Donald Trump a um candidato não faria diferença no voto, sinalizando que o alinhamento internacional pode ter peso limitado.
Com o início oficial da campanha ainda por vir, o cenário atual permanece sujeito a oscilações. A aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 na Câmara dos Deputados ainda não produziu efeitos mensuráveis nas intenções de voto, e a tramitação da medida no Senado é incerta. As investigações que tocam tanto o campo governista quanto a oposição devem continuar a influenciar o ambiente político. O próximo passo concreto será a divulgação de novos levantamentos, que testarão a resiliência das candidaturas após a plena absorção dos episódios judiciais e o avanço do debate eleitoral.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Pesquisa Datafolha mostra Lula liderando com 41% no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Escândalos como o caso 'Dark Horse' e operações policiais não alteraram significativamente o cenário, e os candidatos se preparam para um embate direto no segundo turno.
Pesquisas mostram o presidente Lula mantendo sua liderança sobre o senador Flávio Bolsonaro, enfraquecido por laços com um grande escândalo bancário. A corrida permanece praticamente inalterada, com Lula visto como favorito em um possível segundo turno.
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