
Deportações dos EUA a países terceiros avançam enquanto mortes em centros de detenção dobram
Jamaica negocia receber migrantes de outras nacionalidades e voo para República Centro-Africana está iminente; instalação polêmica na Flórida é esvaziada por risco de furacões.
A administração Trump está a expandir a sua rede de deportações para países terceiros, numa tentativa de contornar proteções legais que impedem o envio de migrantes para os seus países de origem. A Jamaica confirmou a assinatura de um memorando de entendimento com o Departamento de Segurança Interna dos EUA para receber até 25 pessoas de outras nacionalidades a cada duas semanas, enquanto se prepara o primeiro voo de deportação para a República Centro-Africana. Este último incluirá mais de 20 migrantes, entre os quais mulheres iranianas, sírias e afegãs que tinham obtido ordens judiciais de proteção contra o risco de perseguição ou tortura nos seus Estados de origem. A estratégia, que já envolve outros países das Caraíbas, representa uma externalização sem precedentes da política migratória norte-americana.
A ofensiva coincide com um agravamento das condições nos centros de detenção do ICE. Desde o lançamento da campanha de deportações em massa, em janeiro de 2025, pelo menos 50 pessoas morreram sob custódia — mais do dobro da taxa registada em períodos anteriores. Casos como o de um vietnamita com problemas cardiovasculares que faleceu numa antiga prisão de segurança máxima em Indiana, ou o de um hondurenho que sucumbiu sem assistência médica numa unidade de Nova Iorque, ilustram a pressão sobre um sistema sobrecarregado. Advogados e organizações humanitárias denunciam a falta de cuidados básicos e a opacidade das autoridades.
A decisão de transferir todos os detidos do centro conhecido como “Alligator Alcatraz”, nos Everglades da Flórida, expõe ainda as fragilidades logísticas da operação. O Departamento de Segurança Interna justificou a medida com a chegada da temporada de furacões, mas não esclareceu se o encerramento será definitivo. Parte dos migrantes foi realojada no “Deportation Depot”, outra instalação no norte do estado. Críticos apontam que a movimentação revela a precariedade das infraestruturas de detenção, muitas vezes improvisadas em locais remotos e sujeitas a riscos ambientais.
Na perspetiva de Brasília, o recurso a países terceiros para absorver deportados reacende alertas na América Latina, onde o Brasil já foi destino de voos de repatriação dos EUA. Analistas em Lisboa sublinham que a externalização das fronteiras pode influenciar o debate migratório na União Europeia, pressionada a adotar medidas semelhantes. Para as nações africanas, o envio de migrantes para a República Centro-Africana — um Estado frágil e marcado por conflitos — levanta sérias questões humanitárias e diplomáticas. A convergência destes eventos sugere que a política migratória de Trump entra numa fase mais agressiva e imprevisível, com custos humanos crescentes e implicações que se estendem muito além das fronteiras norte-americanas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A administração Trump está prestes a deportar migrantes para a República Centro-Africana, embora muitos tenham ordens judiciais que proíbem a expulsão para países onde enfrentariam perseguição ou tortura. A Jamaica está em negociações para receber migrantes expulsos, juntando-se ao México, El Salvador e outros. Isso marca uma virada perigosa que terceiriza as deportações para zonas de terror.
O Departamento de Segurança Interna transferiu todos os detentos do centro 'Alligator Alcatraz' na Flórida devido à temporada de furacões. Os migrantes foram levados para outras instalações, incluindo o 'Deportation Depot' no norte do estado. A operação foi apresentada como uma medida de precaução para a segurança dos detentos.
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