
Memorando de Islamabad: EUA e Irão firmam cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz
Documento assinado remotamente por Trump e Pezeshkian suspende hostilidades, alivia sanções financeiras e remete desmantelamento nuclear para negociações de 60 dias na Suíça.
Na quarta-feira, os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian assinaram remotamente um memorando de entendimento de 14 pontos, conhecido como Memorando de Islamabad, que estabelece um cessar-fogo imediato e permanente em todas as frentes de combate, incluindo o Líbano, e compromete as partes a respeitar a soberania e a integridade territorial mútuas. O documento, lido por um alto funcionário norte-americano, prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o levantamento do bloqueio naval dos EUA a portos iranianos e a redução de algumas restrições financeiras contra Teerão. As questões mais espinhosas, como o desmantelamento do programa nuclear iraniano, foram adiadas para uma ronda negocial de 60 dias com início previsto para sexta-feira na Suíça.
As reações em Teerão e Washington evidenciaram as tensões subjacentes. O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que o urânio enriquecido não sairá do país, que a capacidade balística é inegociável e que o Irão cobrará taxas pelos serviços de passagem no Estreito de Ormuz. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, que deveria assinar o documento juntamente com o vice-presidente JD Vance, confessou a dificuldade emocional de negociar com Trump, a quem chamou de "assassino de Qassem Soleimani", mas admitiu que as forças armadas iranianas necessitam de reconstrução. Do lado americano, um responsável esclareceu que o acordo não implica a retirada imediata de tropas da região, enquanto figuras conservadoras como Mark Levin e Nikki Haley criticaram a iniciativa: Levin duvidou do cumprimento iraniano e Haley considerou que o memorando reconstitui a ameaça que os EUA combateram na guerra. Vance, por seu turno, sublinhou que o entendimento se foca no desempenho de Teerão, não na sua retórica.
A comunidade internacional recebeu o anúncio com cauteloso otimismo. O primeiro-ministro australiano saudou a redução de tensões, mas um deputado australiano alertou para o risco de se marginalizarem as aspirações de liberdade do povo iraniano. O presidente francês, Emmanuel Macron, destacou o impacto positivo na redução dos preços da energia para os consumidores europeus. Os mercados reagiram de imediato: o preço do petróleo recuou, refletindo a perspetiva de normalização dos fluxos no Golfo Pérsico. Em Brasília, analistas observam que a reabertura de Ormuz pode estabilizar os mercados globais de crude, beneficiando as exportações brasileiras do pré-sal. Em Lisboa, a possibilidade de alívio nos custos energéticos é vista com interesse, mas com reservas quanto à solidez do acordo. Já em Luanda, a atenção recai sobre o efeito nos preços do barril, vitais para a economia angolana.
O memorando é, na prática, um quadro provisório que suspende as hostilidades e cria espaço para uma negociação mais ampla. O sucesso dependerá da capacidade de resolver o nó nuclear, o programa de mísseis e o papel dos aliados regionais do Irão, temas que permanecem em aberto. A confiança mútua é escassa, e qualquer incidente poderá fazer ruir o frágil equilíbrio. Para o mundo lusófono, com interesses que vão da segurança energética à estabilidade do Atlântico Sul, o desenrolar das conversações na Suíça será acompanhado com atenção redobrada.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A administração dos EUA divulgou detalhes de um memorando de 14 pontos que estabelece um cessar-fogo imediato e permanente em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a reabertura do Estreito de Ormuz. O acordo, assinado remotamente pelos presidentes Trump e Pezeshkian, marca um passo concreto rumo à estabilização regional e à proteção dos interesses de segurança americanos. O documento define compromissos vinculativos para evitar futuras escaladas militares.
O texto do memorando temporário entre Washington e Teerã delineia um cessar-fogo imediato e a reabertura do Estreito de Ormuz, mas adia as questões mais espinhosas, como o desmantelamento do programa nuclear iraniano, para uma negociação final. O acordo, assinado remotamente, inicia um período de conversações de 60 dias na Suíça, deixando nós cruciais por desatar. O quadro acordado parece mais um adiamento do que uma solução definitiva.
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