
De Pequim a Guangzhou, a imersão que redefine o turismo e o saber
Enquanto visitantes na China trocam as compras por vivências culturais, instituições de ensino nos EUA e em Bangladesh enfrentam o desafio de reconquistar a confiança do público.
O ar seco e gelado de Pequim foi o primeiro choque. Meses depois, ao descer em Guangzhou, o pesquisador bangladeshiano sentiu a humidade subtropical colar-se à pele e viu o rio das Pérolas cortar a cidade com uma promessa de outras cadências. As luzes noturnas desenhavam a silhueta de pontes e arranha-céus, enquanto embarcações de turismo deslizavam entre reflexos dourados — uma coexistência silenciosa entre a herança cantonesa e a modernidade que o atraíra para a China.
A escolha por este país, e não pelos destinos tradicionais da Europa ou da América do Norte, nasceu de uma procura por um saber que não se esgota na teoria. Na Universidade da Academia Chinesa de Ciências, o investigador encontrou laboratórios ligados à indústria, projetos que respondem a problemas concretos de segurança alimentar e ambiente. Esse desejo de profundidade ecoa uma transformação mais vasta, documentada por um relatório do Instituto Xinhua: os turistas internacionais na China já não se contentam em comprar. Vestem hanfu, participam em cerimónias do chá, experimentam a caligrafia. A viagem deixou de ser uma lista de monumentos para se tornar uma imersão em modos de vida.
A escala do fenómeno é medida em números: em 2025, os pedidos de reembolso de impostos por viajantes estrangeiros subiram 305% em relação ao ano anterior, e as redes sociais amplificam a tendência com etiquetas como “Chinahaul”. Para além do consumo, o que emerge é uma forma de projeção cultural ancorada na experiência vivida. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a confiança no ensino superior desaba — apenas 42% dos americanos afirmam ter muita confiança nas universidades. Três relatórios recentes tentam diagnosticar as causas: um atribui a crise a fatores externos, como a vaga global de descrédito das instituições; outro denuncia a subordinação do conhecimento a agendas de justiça social em certos departamentos de humanidades, o que, segundo os autores, teria enfraquecido o rigor académico.
Em Daca, a crítica incide sobre um sintoma revelador. Os sites das universidades públicas de Bangladesh transformaram-se em montras de autopromoção dos vice-reitores, com fotografias de grande formato e mensagens pessoais a ocupar o espaço que deveria ser dedicado à produção científica e aos serviços aos estudantes. “É como se o website fosse um outdoor pessoal”, observam analistas em Daca, sublinhando que a informação sobre cursos e investigação surge quase escondida. A desconexão entre a imagem projetada e a substância do ensino ecoa, de certa forma, o diagnóstico americano de instituições que se afastaram da sua missão central.
No crepúsculo de Guangzhou, o investigador caminha à beira do rio das Pérolas. As luzes dos edifícios misturam-se com o reflexo das embarcações tradicionais, e a cidade parece suspensa entre o que foi e o que está a ser. A poucos quilómetros, um turista europeu ajusta pela primeira vez as mangas de um hanfu, enquanto, num ecrã em Daca, o retrato estático de um reitor continua a ocupar todo o portal de uma universidade. São três formas de procurar — ou de perder — o fio que liga a superfície à profundidade.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Southeast Asian press frames China's inbound tourism shift as a welcome development, highlighting the move from shopping to cultural immersion as a sign of China's growing openness and economic vitality. The reports emphasize the Xinhua Institute's findings as evidence of new opportunities for global travelers and China's role in boosting world economy.
Iranian media frames China's economic dynamism, including its tourism trends, as a model for domestic success. The focus is on how Chinese merchants leverage local production to dominate global exports, implying that similar strategies could benefit Iran. The coverage treats China's development as a pragmatic lesson in self-reliance and market conquest.
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