
Cidade do México mobiliza 56 mil agentes e impõe lei seca para o encerramento da fase de grupos
A capital mexicana prepara um dispositivo de segurança sem precedentes para o México–Chéquia, com restrições ao álcool, transportes alargados e 48 ecrãs gratuitos, após os festejos do jogo anterior terem deixado 40 toneladas de lixo.
A Cidade do México acordou esta quarta-feira blindada por 56 mil elementos da Secretaria de Segurança Cidadã e por uma inédita lei seca que suspende a venda de bebidas alcoólicas em todo o perímetro A do Centro Histórico e em cinco colónias da alcaldía Cuauhtémoc. O dispositivo, que inclui ainda 720 militares da Força-Tarefa Conjunta do Governo do México, foi ativado às 15h00 locais e prolonga-se até às 7h00 de quinta-feira, abrangendo supermercados, lojas de conveniência e mercearias — mas não restaurantes, bares ou salas de espetáculo, onde o consumo em copeio continua autorizado. A dimensão do operativo reflete a expectativa de centenas de milhares de adeptos nas ruas, depois de a seleção mexicana ter garantido o primeiro lugar do Grupo A e o apuramento para os dezasseis-avos de final com duas vitórias.
A logística de mobilidade foi igualmente reforçada: as linhas 1, 2 e 3 do Metro, todo o sistema de Metrobús e o Tren Ligero funcionarão até à 1h00 da madrugada, enquanto o Nochebús e o Trolebús noturno asseguram o regresso a casa entre a meia-noite e as 5h00. A partir das 14h00, o perímetro da “Última Milha” em redor do Estádio Ciudad de México — delimitado pela Calzada de Tlalpan, Periférico Sur, Boulevard Gran Sur e Avenida Santa Úrsula — ficou fechado a veículos particulares, transformando o transporte público na única via de acesso ao Coloso de Santa Úrsula. Para dispersar a multidão, o governo instalou 48 pontos de visionamento gratuito, com 30 ecrãs ao longo do Paseo de la Reforma, nove nas imediações do Zócalo, três na Alameda Central e 18 festivais futeboleiros nas restantes alcaldías. Três palcos — no Ángel de la Independencia, na Diana Cazadora e no Monumento a la Revolución — receberão mariachis e sonideros das 21h00 à 1h00.
A decisão de proibir a venda de álcool para consumo na via pública surge como resposta direta aos festejos de 18 de junho, quando cerca de 400 mil pessoas tomaram o Paseo de la Reforma após a vitória sobre a Coreia do Sul. Na ocasião, foram recolhidas 40 toneladas de resíduos, registaram-se danos em estações do Metrobús e confrontos entre adeptos. “Queremos um Mundial de convivência, de encontro, de celebração familiar, livre do consumo excessivo ou problemático de álcool”, afirmou a chefe de governo, Clara Brugada, sublinhando que a estratégia visa “descentralizar a alegria” para evitar aglomerações que possam gerar riscos de proteção civil. Na perspetiva de Brasília, a presença de efetivos do Exército, da Guarda Nacional e da Força Aérea no polígono de segurança revela a prioridade que o governo federal atribui à estabilidade durante o torneio; observadores em Lisboa notam que a escala do dispositivo é comparável à de grandes cimeiras internacionais.
Dentro do relvado, o México de Javier Aguirre chega a este encerramento da fase de grupos com o apuramento já selado, mas o treinador não escondeu a insatisfação com o rendimento da equipa. “Não fiquei satisfeito, tivemos pormenores tanto na defesa como no ataque”, declarou Aguirre, que poderá dar minutos a Guillermo Ochoa frente a uma Chéquia ainda com possibilidades matemáticas de seguir em frente como um dos melhores terceiros lugares. O jogo, marcado para as 19h00 no Estádio Ciudad de México, definirá as posições finais do grupo, mas o principal desafio da noite será fora das quatro linhas: garantir que a festa de uma nação que já celebra a classificação não se transforme num novo teste à resiliência urbana da capital.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Cidade do México monta uma operação massiva para o jogo contra a Tchéquia, com 56 mil policiais, proibição de venda de álcool no centro histórico, transporte especial e shows gratuitos. Após as comemorações da semana passada deixarem 40 toneladas de lixo, as autoridades tentam equilibrar o entusiasmo popular com segurança e limpeza. A operação é apresentada como um serviço aos moradores e torcedores, com foco em mobilidade e ordem pública.
A Cidade do México proibiu a venda de álcool no centro antes do jogo contra a Tchéquia, após as comemorações da semana passada reunirem 400 mil pessoas sem incidentes graves. A proibição se aplica a supermercados e mercearias, mas restaurantes e bares podem continuar servindo álcool. A medida é retratada como um passo pragmático para manter a ordem, sem tom alarmista.
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