
Burnham nomeia ex-ministro da Defesa para as Finanças e remodela gabinete britânico
John Healey, que se demitira por falta de verbas militares, assume o Tesouro; Ed Miliband fica com os Negócios Estrangeiros numa remodelação que afasta aliados de Starmer.
O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, surpreendeu ao nomear John Healey, até há poucas semanas ministro da Defesa, como Chanceler do Tesouro. A decisão, anunciada na segunda-feira, foi acompanhada pela designação de Ed Miliband para os Negócios Estrangeiros e pela saída de pelo menos oito ministros leais ao antecessor Keir Starmer, entre os quais a antiga chanceler Rachel Reeves e o vice-primeiro-ministro David Lammy. Healey, de 66 anos, demitira-se do governo Starmer em junho, protestando contra o que descreveu como insuficiência de recursos para as Forças Armadas. Agora, caber-lhe-á gerir as contas públicas e, segundo fontes de Downing Street citadas pela imprensa britânica, assegurar um aumento da despesa militar.
Na perspetiva de observadores em Londres, a escolha de Healey procura encerrar a luta interna entre as alas esquerda e direita do Partido Trabalhista. Ed Miliband, antigo líder do partido e figura da ala progressista, era apontado como favorito, mas terá sido preterido por receios de instabilidade nos mercados. Shabana Mahmood, da ala direita, permanece no Ministério do Interior. Healey, que já ocupara cargos subalternos no Tesouro entre 2002 e 2007, surge assim como um candidato de compromisso, com experiência orçamental e um discurso crítico em relação à ortodoxia financeira que, na sua opinião, travava o investimento na defesa.
Em Lisboa, a remodelação é acompanhada com interesse por analistas de defesa, que veem na nomeação de Healey um sinal de que o Reino Unido poderá acelerar o cumprimento da meta de 2,5% do PIB para a NATO, reforçando a segurança europeia. Já em Brasília, a indicação de Miliband para as Relações Exteriores é lida como um possível regresso a uma agenda externa mais centrada no clima e na ajuda ao desenvolvimento, áreas que o novo ministro tutelou enquanto secretário de Estado da Energia. A imprensa britânica adianta que Burnham pretende reformar o Ministério dos Negócios Estrangeiros, incluindo um roteiro para repor a ajuda internacional em 0,7% do rendimento nacional bruto.
A remodelação atinge também outras pastas. Louise Haigh, que se demitira do cargo de ministra dos Transportes após uma condenação por fraude, regressa como primeira-secretária de Estado e chanceler do Ducado de Lancaster. Angela Rayner, antiga vice-líder trabalhista, reassume a Habitação. Yvette Cooper transita para a Saúde e Pat McFadden mantém-se no Trabalho e Pensões. Do lado das saídas, além de Reeves e Lammy, abandonam o executivo Peter Kyle, Liz Kendall e o procurador-geral Lord Hermer, todos próximos de Starmer.
O novo gabinete enfrenta de imediato a preparação do próximo orçamento e a pressão para conciliar as promessas de disciplina fiscal com as exigências de mais investimento militar. A primeira reunião do conselho de ministros está prevista para os próximos dias, enquanto o Parlamento britânico se prepara para as audições de confirmação dos novos titulares.
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Burnham purgou os leais a Starmer e surpreendeu a todos com Healey. Esta reformulação redesenha o mapa político, criando claros vencedores e perdedores.
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O novo primeiro-ministro nomeou John Healey como Chanceler, um ex-ministro da Defesa que renunciou devido aos gastos com defesa. Metade do gabinete é substituída em uma reformulação governamental padrão.
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Burnham nomeou o ex-ministro da Defesa John Healey como Chanceler. Healey renunciou devido aos cortes na defesa. A mudança é uma nomeação de gabinete de rotina.
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