
EUA anunciam restrições de vistos e reúnem 66 países contra 'terrorismo de extrema-esquerda'
Conferência em Washington, liderada por Marco Rubio, visa internacionalizar combate a grupos de esquerda radical, mas gera críticas de politização e desvio de recursos.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira uma nova política de restrições de vistos para cidadãos estrangeiros acusados de apoiar, financiar ou recrutar para redes classificadas como “terroristas de extrema-esquerda”. A medida foi divulgada durante uma conferência ministerial em Washington que reuniu representantes de 66 países — entre eles Portugal, Argentina e a maioria dos aliados europeus — com o objetivo de construir uma coligação internacional contra o que a administração Trump descreve como uma ameaça transnacional negligenciada.
Na abertura do encontro, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a violência política de esquerda constitui um “ponto cego” das doutrinas de contraterrorismo e que “já não pode ser negada nem ignorada”. Rubio citou grupos históricos latino-americanos como Montoneros, Tupamaros e as FARC, e associou o fenómeno atual a um “ódio pela civilização” que se disfarça de linguagem de igualdade e justiça. O Tesouro norte-americano anunciou a expansão de investigações sobre o uso de estruturas de caridade para encobrir financiamento ilícito, e o Departamento de Estado indicou que novas designações de organizações terroristas estrangeiras serão feitas em breve, juntando-se às quatro já sancionadas na Europa desde novembro de 2025.
A iniciativa provocou reações céticas entre legisladores democratas e organizações de direitos civis. Onze deputados, incluindo os líderes democratas das comissões de Relações Exteriores e de Supervisão, enviaram uma carta a Rubio questionando a base factual da nova prioridade e alertando para o risco de que as designações sirvam para atingir protestos legítimos e opositores políticos. A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) manifestou apreensão semelhante. Uma análise de 2025 do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) reconhece um aumento de ataques de esquerda na última década, mas sublinha que esses números “permanecem muito abaixo dos níveis históricos de violência perpetrada por atacantes de direita e jihadistas”.
Na perspetiva de observadores em Lisboa e em capitais latino-americanas, a conferência expõe uma reorientação dos recursos de segurança que ecoa prioridades domésticas da administração Trump, como o foco no movimento antifa. A ministra dos Negócios Estrangeiros da Letónia, Baiba Braze, disse à Reuters que o fórum também permitiu a países como o seu discutir ameaças de grupos apoiados pela Rússia e novas tendências de radicalização tecnológica. O encontro ministerial deverá ter continuidade com um segundo seminário operacional, coorganizado com a Alemanha, enquanto o Departamento de Estado insiste que a política de vistos e as designações visam exclusivamente condutas criminosas e terroristas, e não crenças políticas.
| Imprensa latino-americana | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.70 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.70 | aligned |
O Brasil recusa-se a ser arrastado para uma campanha liderada pelos EUA que busca criminalizar a dissidência política sob o pretexto do combate ao terrorismo.
Ao destacar a recusa do Brasil e questionar as designações, o bloco cria uma narrativa de resistência e ceticismo, minando a legitimidade da iniciativa dos EUA.
O bloco omite a justificativa detalhada da administração dos EUA sobre um ressurgimento do terrorismo de extrema esquerda e a participação de mais de 60 outros países.
A tentativa de Washington de rotular o antifascismo como terrorismo é uma inversão perigosa e irônica de valores.
O bloco usa ironia e inversão para reformular a iniciativa dos EUA como uma ameaça aos valores democráticos, tornando a posição americana absurda.
O bloco omite a perspectiva dos EUA de que grupos de extrema esquerda cometeram atos violentos e que muitos países apoiam a iniciativa.
Os Estados Unidos lideram uma coalizão global para enfrentar o ressurgimento do terrorismo político de extrema esquerda, uma ameaça transnacional ignorada por muito tempo.
O bloco universaliza a ameaça ao apresentá-la como um problema transnacional que requer ação coordenada, legitimando assim a liderança dos EUA.
O bloco omite a recusa do Brasil e de outros países em participar, bem como as críticas de que a iniciativa visa oponentes políticos.
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