
Bancos dos EUA batem recordes de lucro com IPO da SpaceX e tensões geopolíticas
Resultados do segundo trimestre superam previsões, impulsionados por taxas de consultoria e negociação, mas executivos advertem sobre fragilidades económicas e riscos de conflitos.
Os cinco maiores bancos norte-americanos — JPMorgan Chase, Bank of America, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citigroup — reportaram lucros do segundo trimestre de 2026 acima das expectativas dos analistas. O JPMorgan registou o maior lucro trimestral de sempre para um banco dos EUA, com uma capitalização bolsista superior a 920 mil milhões de dólares. As receitas globais de banca de investimento cresceram 24% no primeiro semestre, para 61,4 mil milhões de dólares, sustentadas por operações como a entrada em bolsa da SpaceX, que gerou cerca de 500 milhões de dólares em comissões para mais de vinte bancos, e pela venda de uma participação na Alphabet por 85 mil milhões de dólares.
Observadores em Moscovo associam diretamente os ganhos recordes à guerra entre os EUA e o Irão, que ampliou a volatilidade nos preços do petróleo, nas cotações accionistas e nas taxas de câmbio, beneficiando as mesas de negociação. Na perspetiva de analistas em Zurique, a incerteza em torno do conflito no Médio Oriente e o ritmo da revolução da inteligência artificial criaram um ambiente de oscilações constantes que favoreceu as divisões de trading. Ao mesmo tempo, o Bank of America reviu em baixa as projeções para o preço do barril de Brent no final do ano, de 90 para 80 dólares, um movimento que, segundo o seu presidente, Brian Moynihan, reflete a resiliência da economia americana, apoiada no consumo, no investimento em IA e na descida dos custos energéticos.
Apesar do desempenho robusto, os responsáveis dos bancos emitiram alertas. O diretor financeiro do JPMorgan, Jeremy Barnum, questionou a “fragilidade” do momento, apontando para o aumento do investimento alavancado e para avaliações de empresas “extremamente elevadas”. O diretor financeiro do Citigroup, Gonzalo Lucchetti, advertiu que o conflito no Médio Oriente pode, com o tempo, afetar a atividade de fusões e aquisições, ainda que a carteira de projetos se mantenha sólida. Já o presidente do Wells Fargo, Charlie Scharf, lembrou que “condições fortes como estas não duram para sempre”, enquanto Moynihan identificou a inflação e uma política monetária mais restritiva como riscos principais.
Na mesma conferência de resultados, Jamie Dimon, presidente do JPMorgan, afastou especulações sobre uma candidatura à Casa Branca, afirmando que é “praticamente impossível” que venha a concorrer a um cargo político, e preferiu enumerar as qualidades que procura no seu sucessor — da curiosidade à capacidade de lidar com primeiros-ministros. Dimon criticou ainda a proposta do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, de formar coligações de potências médias, classificando-a como uma “fantasia” e apontando o declínio da competitividade europeia como prova dos limites dessa abordagem. O Morgan Stanley divulga os seus resultados trimestrais na quarta-feira, completando o retrato de um setor que navega entre a euforia das receitas e a prudência face aos riscos geopolíticos e macroeconómicos.
| Imprensa russa e CEI | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.20 | neutral |
| Imprensa europeia continental | +0.80 | aligned |
A Rússia denuncia que os bancos americanos estão especulando sobre a guerra com o Irã, transformando o conflito em uma oportunidade de lucro.
O mecanismo retórico consiste em estabelecer uma ligação causal direta entre os lucros recordes e a guerra, ignorando outros fatores como IA ou IPOs, para retratar os bancos como lucradores de guerra.
A narrativa omite o papel da inteligência artificial, o boom das IPOs e as atividades de fusões e aquisições, bem como as próprias preocupações dos bancos sobre riscos futuros.
A Índia relata as declarações de Jamie Dimon, que descarta especulações políticas e se concentra em seu futuro pessoal, desviando a atenção dos lucros bancários.
O mecanismo é a personalização: substituir a notícia econômica por uma anedota pessoal sobre o CEO, tornando a história mais humana e menos ligada aos dados financeiros.
Omite completamente os lucros recordes, as causas (IA, IPOs, volatilidade) e as preocupações dos bancos.
O Atlântico reconhece os lucros recordes, mas dá voz às preocupações de Dimon, apresentando um quadro cauteloso e voltado para o futuro.
O mecanismo é o equilíbrio: justapor dados positivos com as declarações cautelosas do CEO, criando uma narrativa que evita a euforia e convida à reflexão.
Omite a ligação direta com a guerra (presente na imprensa russa) e o tom triunfante de outras fontes.
A Europa continental celebra o sucesso dos bancos americanos, atribuindo-o a figuras carismáticas como Elon Musk e à força da economia dos EUA.
O mecanismo é a atribuição: identificar causas específicas e personificadas (Musk, mercados) para explicar o sucesso, evitando análise estrutural ou crítica.
Omite as preocupações de Dimon, os riscos geopolíticos (guerra com o Irã) e as críticas ao lucro de guerra.
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