
Bahrein condena 12 cidadãos a 10 anos de prisão por apoiarem ataques iranianos
Sentenças surgem num contexto de guerra regional entre EUA, Israel e Irão, agravando tensões sectárias e a repressão à dissidência no reino insular.
A justiça do Bahrein sentenciou esta segunda-feira 12 arguidos a penas de 10 anos de prisão, em 11 processos distintos, por crimes que incluem o apoio e a glorificação de ataques iranianos contra o reino, a obtenção e divulgação de dados vitais proibidos e a disseminação de notícias falsas através das redes sociais. O tribunal aplicou ainda multas de dois mil dinares bareinitas (cerca de 2.656 dólares) a alguns dos condenados e ordenou o confisco dos equipamentos apreendidos. As investigações, conduzidas pela Procuradoria de Crimes Terroristas, partiram da monitorização de contas em plataformas digitais que veiculavam conteúdos de incitamento durante a recente ofensiva iraniana contra o arquipélago.
As condenações ocorrem num momento de extrema volatilidade no Golfo Pérsico, com o Bahrein a alinhar-se firmemente com Washington e Riade na guerra em curso entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. O pequeno reino insular, que alberga a Quinta Frota norte-americana, tem uma longa história de tensões sectárias: a dinastia sunita Al Khalifa governa uma população de maioria xiita, frequentemente acusada de manter laços de lealdade com Teerão. Desde a revolta da Primavera Árabe de 2011, esmagada com o apoio militar saudita, as autoridades bareinitas intensificaram a criminalização de qualquer expressão de simpatia pelo Irão ou de crítica à intervenção estrangeira, enquadrando-a como terrorismo.
A imprensa iraniana, ao repercutir as sentenças, sublinhou que as acusações se baseiam em “alegações” de apoio a ataques, evidenciando a guerra de narrativas que acompanha o conflito militar. Observadores em Lisboa notam que a União Europeia, embora concentrada nos esforços de contenção da guerra, mantém um olhar crítico sobre o historial de direitos humanos do Bahrein, mas evita condenações frontais para preservar a cooperação em segurança marítima no Golfo. De Brasília, a diplomacia brasileira — tradicionalmente próxima do mundo árabe e com interesses comerciais na região — acompanha o caso com discrição, equilibrando a defesa do direito internacional e a não ingerência. Para os países africanos de língua portuguesa, o episódio serve de alerta sobre como potências externas instrumentalizam divisões internas, um padrão reconhecível em contextos como o de Moçambique.
A sentença bareinita ilustra uma tendência regional de securitização do espaço digital, onde a publicação de “rumores” ou a simples partilha de imagens de locais sensíveis é equiparada a atos de espionagem ou traição. Com a guerra a intensificar-se, o Bahrein reforça o controlo sobre a dissidência interna, mas arrisca aprofundar clivagens sectárias e afastar uma geração de cidadãos que vê nas redes sociais o único canal de expressão. A comunidade internacional, dividida entre prioridades geoestratégicas e compromissos com os direitos humanos, observa com crescente preocupação o estreitamento do espaço cívico no arquipélago, enquanto o conflito regional continua a servir de justificação para medidas excecionais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um tribunal do Bahrein condenou doze pessoas a dez anos de prisão por crimes ligados ao apoio a ataques iranianos e à difusão de notícias falsas. O Ministério Público declarou que as condenações também incluíram a obtenção de dados restritos e a fotografia de locais proibidos. Os casos tiveram origem na monitorização de contas nas redes sociais tidas como ameaça à segurança pública.
A justiça do Bahrein condenou doze indivíduos a dez anos de prisão por alegadamente apoiarem ataques iranianos, uma narrativa que os órgãos de comunicação próximos do regime iraniano consideram forjada. As fontes oficiais classificam as sentenças como infundadas e politicamente motivadas, sublinhando que não passam de “alegações”. O caso é retratado como repressão contra quem manifesta solidariedade com a República Islâmica.
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