
Parlamento Europeu aprova acordo comercial com EUA e cede a pressões tarifárias de Trump
Eurodeputados ratificam redução de tarifas sobre produtos industriais americanos, em troca de limite de 15% nas taxas dos EUA, mas incluem cláusulas de salvaguarda e prazo de validade.
O Parlamento Europeu aprovou esta terça-feira, por larga maioria, o acordo comercial negociado no verão passado entre a União Europeia e os Estados Unidos, eliminando as tarifas sobre a generalidade dos bens industriais norte-americanos e concedendo acesso preferencial a produtos do mar e agrícolas. A votação em Estrasburgo — 440 votos a favor, 151 contra e 50 abstenções no regulamento principal — representa o último obstáculo político antes da ratificação formal pelo Conselho da UE, prevista para antes do ultimato de 4 de julho imposto por Donald Trump. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou o passo como decisivo para cumprir o compromisso assumido em Turnberry, na Escócia, e acalmar meses de tensão transatlântica.
O entendimento remonta a julho de 2025, quando Trump e von der Leyen selaram um pacto no campo de golfe do presidente norte-americano: Bruxelas comprometeu-se a zerar as taxas sobre importações industriais dos EUA, enquanto Washington limitava a 15% as tarifas sobre a maioria dos produtos europeus. Quase onze meses depois, a demora na implementação europeia — agravada pelas ameaças de Trump à Gronelândia e por decisões do Supremo Tribunal dos EUA que anularam várias das suas taxas — levou a Casa Branca a brandir a ameaça de sobretaxas “muito mais altas”. O Parlamento Europeu, sob a liderança do social-democrata alemão Bernd Lange, resistiu à pressão e introduziu cláusulas de proteção que reforçam a proposta inicial da Comissão.
O texto aprovado inclui uma cláusula de caducidade (sunset clause) que faz expirar as preferências em 31 de dezembro de 2029, salvo renovação, e um mecanismo de suspensão que permite a Bruxelas reativar tarifas caso Washington viole o acordado — por exemplo, se voltar a subir as taxas. Exige-se ainda que os EUA reduzam, até ao final do ano, as tarifas sobre máquinas de lavar e outros produtos com aço para um máximo de 15%; se não o fizerem, a UE poderá adotar medidas equivalentes. Um segundo regulamento, aprovado por 444 votos a favor, prorroga a isenção aduaneira para a lagosta americana, gesto simbólico que já havia sido utilizado em negociações anteriores.
Na perspetiva de Brasília, o acordo pode aliviar momentaneamente as tensões comerciais globais, mas analistas advertem que a trégua é frágil e não elimina a incerteza que paira sobre as cadeias de abastecimento. Observadores em Lisboa notam que a cedência europeia, ainda que matizada pelas salvaguardas parlamentares, expõe a vulnerabilidade do bloco face à pressão unilateral de Washington e reabre o debate sobre a autonomia estratégica da UE. Para as economias africanas lusófonas, a estabilização das relações transatlânticas é bem-vinda, mas o protecionismo seletivo da administração Trump permanece uma incógnita capaz de perturbar os fluxos de matérias-primas.
Apesar do alívio imediato, o acordo é encarado como uma pausa e não como uma solução duradoura. A indústria europeia respira, mas sabe que a imprevisibilidade da Casa Branca pode reacender a guerra comercial a qualquer momento. O gesto de Bruxelas, ao aceitar um entendimento assimétrico, revela tanto a força negocial do Parlamento Europeu — que conseguiu arrancar mecanismos de defesa — como a fragilidade de um bloco que, para evitar males maiores, se vê obrigado a fazer concessões num tabuleiro onde as regras são ditadas por um único jogador.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Parlamento Europeu aprovou definitivamente o acordo comercial com os Estados Unidos, zerando as tarifas sobre bens industriais americanos. Um passo pragmático para distender as relações transatlânticas e evitar uma nova escalada tarifária. A ampla maioria confirma a vontade de Bruxelas de honrar o compromisso firmado no verão passado.
Após meses de espera, a União Europeia finalmente aprovou o acordo tarifário com Washington, eliminando as taxas sobre produtos industriais americanos. Um passo há muito adiado que responde ao desagrado do presidente Trump com a lentidão de Bruxelas. Encerra-se assim um capítulo turbulento nas relações comerciais transatlânticas.
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